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Congresso homenageia centenário de Edson Queiroz em sessão solene conjunta

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O Congresso Nacional realizou nesta quarta-feira (9) sessão solene conjunta em homenagem ao centenário de nascimento do empresário cearense Edson Queiroz. A cerimônia foi requerida (REQ 6/2025) pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e pela deputada federal Fernanda Pessoa (União-CE).

Edson Queiroz foi idealizador da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Fundação Edson Queiroz. Também fundou um dos maiores grupos empresariais do Brasil, com atuação nos setores de gás de cozinha, eletrodomésticos, comunicação e bebidas. Faleceu em 1982, aos 57 anos.

A sessão foi presidida por Girão e contou com a presença de autoridades, familiares e representantes do setor empresarial e educacional. Estiveram presentes o ministro da Educação, Camilo Santana; o governador do Ceará, Elmano de Freitas; o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Teodoro Silva Santos; o reitor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Randal Pompeu; e a presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha.

— Conseguimos chegar ao entendimento de fazer uma sessão conjunta [do Congresso], o que não é muito comum em sessões solenes, nos 200 anos do Senado Federal. Mas Edson Queiroz é tão especial, é tão caro para o povo cearense e para o povo brasileiro, que o Senador Eduardo Gomes (PL-TO) entendeu e resolveu, em um dia que não é também muito comum, uma quarta-feira, que chamamos de horário nobre do Congresso Nacional, fazer esta sessão — afirmou o senador Girão na abertura.

A deputada Fernanda Pessoa, que também presidiu parte da sessão, destacou o papel de Edson Queiroz no desenvolvimento regional.

— Edson Queiroz foi mais que um empresário: foi um estadista do desenvolvimento, um construtor de pontes entre a iniciativa privada e o bem público, entre o progresso econômico e a dignidade social. O legado do Sr. Edson não se limita à indústria. Em 1973, ele fundou a Universidade de Fortaleza (Unifor), talvez o mais belo símbolo do seu compromisso com o futuro.

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O ministro Camilo Santana relembrou o impacto do homenageado na história do Ceará:

— São homens como o Edson que representam, repito, o desenvolvimento de um Estado, representam o fortalecimento da economia. Esse grupo se expandiu pelo país inteiro, fruto desse trabalho, fruto desse legado.

O governador Elmano de Freitas também destacou a importância do legado:

— Há pessoas que dão muito orgulho às suas famílias… mas há aqueles que dão orgulho a um povo. Há aqueles que dão orgulho a uma sociedade por inteiro. E eu queria, por isso, de coração, agradecer a homenagem do Senado e da Câmara, porque hoje as Casas do Parlamento brasileiro homenageiam um cearense que dá orgulho ao povo cearense.

O ministro do STJ, Teodoro Silva Santos, ex-aluno da Unifor, disse que sua trajetória profissional é fruto do legado educacional deixado por Edson Queiroz:

— A primeira porta acadêmica que encontrei foi a Unifor. Lá ingressei em 1983 e concluí o curso em 1987. Foi lá que comecei minha vida, onde aprendi os primeiros passos do que é, com precisão, a democracia.

O senador Cid Gomes (PSB-CE) ressaltou o exemplo que o empresário representa:

— Bons exemplos, as pessoas que deram contribuição inovadora ao seu tempo devem sempre ser homenageadas e devem sempre ser lembradas, para que possam inspirar jovens, para que possam inspirar empreendedores, para que possam inspirar pessoas que têm sensibilidade social.

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O representante da família, o neto Otávio Queiroz, usou a tribuna para agradecer a homenagem:

— Em 1951, ao fundar a Nacional Gás, meu avô deu início a um empreendimento que transformaria não apenas o setor energético, mas também a vida de milhões de brasileiros. A visão empreendedora de Edson Queiroz não se limitou ao setor energético. Em 1963, ele estabeleceu as bases da Esmaltec. Posteriormente, com o Jornal Diário do Nordeste, consolidou o Sistema Verdes Mares como um dos principais conglomerados de mídia do país — registrou Otávio.

A presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, filha do homenageado, agradeceu a homenagem e anunciou a inauguração do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz, prevista para 8 de setembro de 2025, em Fortaleza:

— Hoje eu gostaria que os meus pais, de onde estão, sentissem um pouquinho do grande orgulho que nós sentimos por eles, e nós estamos tentando dar continuidade. É o peso dessa responsabilidade. Mas, ao mesmo tempo, a gratidão transforma tudo possível — declarou Lenise.

Durante a cerimônia, o senador Girão também ressaltou o impacto social das empresas fundadas por Edson Queiroz:

— São 9 mil empregos diretos, fora os indiretos e os terceirizados. É uma cadeia de transformação real na vida das pessoas.

Vinícius Gonçalves, sob supervisão de Patrícia Oliveira

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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