Brasil
Damares Alves assume presidência da CDH
Publicado em
19 de fevereiro de 2025por
Da Redação
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) tem nova mesa. Eleita nesta quarta-feira (19) por aclamação, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é a nova presidente para o biênio 2025-2026. A senadora Mara Gabrilli (PSD) assume a vice-presidência da CDH. A reunião foi conduzida pela senadora Ivete da Silveira (MDB-SC).
Damares defendeu como prioridades do colegiado a universalidade dos direitos humanos, “sem nenhuma relativização”, inclusive o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à justiça e à segurança. Sua atuação, segundo a senadora, terá como norte a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San Jose da Costa Rica).
Ainda de acordo com Damares, terá como foco as pessoas com deficiência, principalmente aquelas que estão em localidades remotas, como aldeias e comunidades ribeirinhas, além daqueles que estão em presídios. Damares também destacou como foco do seu trabalho a proteção à primeira infância, à família em todas as suas configurações, às mulheres, aos jovens e, principalmente, a reformulação do Estatuto do Idoso. Conforme Damares, “nenhum assunto será negligenciado”.
— Todos os temas que forem trazidos para esta comissão por um senador, por um membro dessa comissão, esse tema vem para a mesa. Nós não vamos deixar nenhum tema na gaveta por ideologia, por uma questão partidária ou porque a gente está sem tempo de discutir. Todos os temas serão trazidos para a mesa. E o Plenário é soberano e quem vai decidir o que for para votação é o Plenário.
Mara Gabrilli elogiou Damares pela disposição de ouvir e respeitar as opiniões divergentes. Essa característica, segundo a vice, será fundamental no diálogo e na busca de consenso na CDH. Ela defendeu como prioridade a elaboração da Política Nacional de Cuidados.
— Nosso principal objetivo, um dos nossos principais desejos é construir a política nacional de cuidados. A gente tem que fazer isso. Porque toda mulher é cuidadora, ela já nasce cuidadora. Esse serviço acaba sendo nosso. E a gente tem que discutir e valorizar essas mulheres cuidadoras que não tem aposentadoria, que não têm o olhar do estado, que não tem o valor que elas deveriam ter. Elas fazem de um tudo para poder dar conta. É trabalho em casa, é trabalho fora, é cuidar, é observar se o alimento está ficando mais caro, é observar o que a família vai comer.
Os senadores parabenizaram as duas senadoras e manifestaram confiança na condução dos trabalhos. Para eles, o Senado “ganha muito” por colocar nessa posição duas mulheres.
— São duas pessoas que são referência no tema aqui no Senado Federal e porque não dizer em todo o Congresso Nacional — disse Zequinha Marinho (Podemos-PA).
Também manifestaram expectativa positiva com a nova mesa da CDH os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Tereza Cristina (PP-MS), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Jaime Bagattoli (PL-RO), Dr. Iran (PP-RR) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO) .
— A senhora conseguiu nesse início de exercício de mandato confirmar sua postura, estabelecer relações, sem abrir mão da sua ideologia e isso é muito importante e será fundamental para o seu trabalho — disse Alessandro Vieira, dirigindo-se a Damares.
Consenso
Apesar de fazerem parte de correntes políticas divergentes, Damares enfatizou que a comissão defenderá sempre a democracia, a busca do consenso e respeitará a decisão da maioria.
— Mesmo que seja um tema extremamente delicado e que talvez algumas pessoas acreditem que nós não vamos ter a coragem de tocar, nós vamos trazer o tema para a discussão e nós vamos respeitar a deliberação do Plenário — afirmou.
Entre esses temas, Damares mencionou a defesa do direito à vida. Ela disse que se classifica como “universalista” na questão dos direitos humanos. Ela disse ser alvo de críticas por sua posição de “não aceitar o relativismo” em relação ao direito à vida. Ela reforçou que a CDHnão irá desviar do foco da universalidade.
— Vida é vida, em qualquer cultura, em qualquer raça, em qualquer situação. Então essa é a minha forma de conduzir. É a minha forma de trabalhar na pauta dos direitos humanos. É a universalização. Direitos humanos para todos, com todos, ouvindo todos. Nós não vamos segmentar os direitos humanos. Nós vamos ouvir setores, nós vamos ouvir segmentos, nós vamos ouvir pessoas.
Direitos das Mulheres
Em relação à proteção e a garantia dos direitos das mulheres, a senadora informou que a comissão vai manter o diálogo com o Ministério das Mulheres, assim como manterá relações com as demais comissões do Senado, já que este é um tema transversal. Ela assegurou não relativizar o direito das mulheres em nome da “cultura ou de ideologia” e todas as mulheres “serão protegidas na comissão”.
— Nós vamos discutir o direito de todas as mulheres, A mulher indígena vai estar nessa comissão, a mulher cigana vai estar nessa comissão, faz tempo que eu não vejo uma mãe cigana nesta Casa, a mulher quilombola vai estar nessa comissão, a mãe atípica, que está aqui agora, elas estarão nesta comissão. As marisqueiras estarão aqui. Todas as mulheres estarão nesta comissão. E nós não vamos admitir nenhum direito a menos para nenhuma mulher neste Brasil.
Proteção à família
Ainda conforme Damares, a comissão atuará na proteção de todas as configurações familiares e o fortalecimento dos vínculos. Ela citou seu exemplo, de mãe solo e socioafetiva, considerando que esse grupo, merece especial atenção da CDH.
— Somos mais de 50%, de famílias lideradas por mães solos […]. Então todas as configurações familiares estão presentes nesta comissão e nós vamos trabalhar o fortalecimento de vínculos.
Criança e adolescentes
Ainda de acordo com Damares, a comissão terá um “olhar cuidadoso para a juventude”, e apontou como prioridade projeto seu (PL 3.893/2023), que institui a Política Nacional da Juventude.
— Nós precisamos dialogar com a juventude brasileira, nós precisamos entender as novas mudanças. Discutiram juventude há dez anos atrás, que era de uma forma, hoje é de outra. Nós temos esse desafio.
Ela também disse que incentivará a presença de famílias e crianças na CDH e que vai procurar instalar fraldários.
— As crianças vão invadir o Senado Federal. Damares e Mara estão presidindo a comissão que é a casa das crianças. Preparem-se. Quero brinquedo nos gabinetes, quero senadores contando historinha, cantando música infantil, as crianças terão prioridade. Faremos isso tão somente porque a Constituição fala que criança e adolescente é prioridade absoluta. Serei uma presidente ditadora, as crianças vão mandar nesta comissão.
Pauta
De acordo com Damares, 409 propostas aguardam apreciação na comissão. Dessas, 66 aguardam designação de relator e outras sete esperam a realização de audiência pública. 318 estão aguardando relatório e 17 estão prontas para serem votadas. Damares assegurou que a comissão vai “limpar a pauta”. Ela também que fará diligências em espaços como presídios, campos, aldeias, quilombolas e regiões ribeirinhas, abrigos de idosos e crianças.
— Nenhuma matéria vai ficar na gaveta. Todas serão apreciadas.
Além de senadores membros e não membros da comissão, marcaram presença na reunião representantes do Instituto Olga Costa e mães de crianças com microcefalia.
Biografias
Damares é natural de Paranaguá (PR). Tem formação em pedagogia pela Faculdade Pio Décimo, em Sergipe, e em Direito pela Faculdade de Direito de São Carlos, em São Paulo. Pastora evangélica, atuou como assessora parlamentar no Congresso Nacional por mais de 20 anos. Foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e abril de 2022. Em março de 2022, filiou-se ao Republicanos, partido pelo qual foi eleita senadora do Distrito Federal no mesmo ano.
Mara Gabrilli é psicóloga e publicitária, nascida em São Paulo. Em 1994, sofreu um acidente de automóvel que a deixou tetraplégica. Três anos depois, fundou um instituto que desenvolve programas de esporte e inclusão. Em 2005, tornou-se secretária da Pessoa com Deficiência da Prefeitura de São Paulo. Em 2007, elegeu-se vereadora na capital paulista. Foi deputada federal por dois mandatos (2011-2019). Em 2018, foi eleita senadora. Integrou o Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Brasil
Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs
Published
4 dias agoon
21 de setembro de 2026By
Da Redação
Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.
O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.
— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.
Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.
— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.
Avaliação biopsicossocial
Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.
A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.
Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.
Escolas comuns
A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.
— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.
Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.
Participação social
Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.
— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.
Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.
A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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