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Debate aponta que sem apoio municípios menores não atingem metas de saneamento

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A maioria dos municípios brasileiros não tem condições de fazer a infraestrutura básica de saneamento, com rede de água e esgoto. A avaliação foi feita nesta terça-feira (1º) em debate na Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) sobre critérios de repasse de recursos para o saneamento básico.

A audiência pública serviu para a comissão analisar o acesso a recursos federais por entes federados e entidades do setor. O debate, que é parte da avaliação sobre a execução dessa política pública do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027, foi solicitado pelo senador Jorge Seif (PL-SC).

A CDR já fez diligência externa em Santa Catarina e agora irá visitar os estados de Tocantins, Acre e São Paulo. O objetivo é coletar informações qualificadas diretamente nos territórios, por meio da escuta de gestores locais e da análise dos arranjos institucionais em funcionamento, de acordo com requerimento aprovado pelos senadores (REQ 23/2025 – CDR).

Ao defender o aprimoramento das políticas públicas de saneamento básico, Seif destacou que o estado de Santa Catarina tem 295 municípios, alguns maiores, com algum poder de investimento. Mas a grande maioria, mais de 80%, tem entre três mil e cinco mil habitantes, e, segundo ele, jamais teriam condições econômicas e financeiras de atração de investimentos por meio de parcerias público-privadas, que são importantes para que cumpram a meta do marco legal do saneamento.

O senador Alan Rick (União-AC) defendeu a criação de um ambiente no Brasil para o cumprimento da legislação, sobretudo o marco do saneamento, que estabelece metas, além da Lei de Resíduos Sólidos. Ele entende que a prorrogação do cumprimento das metas não pode acontecer mais. Disse estar em busca de soluções para que os prefeitos tenham condições orçamentárias e financeiras para executar o que manda a legislação.

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Composições regionais

O secretário nacional de saneamento ambiental do Ministério das Cidades (MCid), Leonardo Picciani, disse que os processos de regionalização têm avançado no sentido de fazer composições regionais que contemplem áreas mais rentáveis com outras de maior dificuldade. Informou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi quem formulou a maior parte dos processos de concessão, levando em conta essa integração, mas ainda há, sobretudo na drenagem, a necessidade de maiores investimentos.

O superintendente nacional de serviços de governo da Caixa Econômica Federal (CEF), Flavio Tagliassachi Gavazza, ressaltou que os municípios têm dificuldade de elaborar os documentos relacionados às operações de saneamento. As dificuldades técnicas são uma das principais questões a serem vencidas, principalmente pelos municípios menores, sobretudo na elaboração dos projetos, nas questões fundiárias, na comprovação da titularidade das áreas a serem beneficiadas e na construção de redes de distribuição.

O diretor do departamento de parcerias com o setor privado do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Denilson Campello, explicou aos senadores que a pasta atua como um “braço” para a estruturação de parcerias público-privadas e concessões para os municípios por meio dos fundos que administra.

Dotação orçamentária

O especialista em saneamento básico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Gesmar Rosa dos Santos, apontou que a ausência de fundo específico com dotação orçamentária contínua para o saneamento no Brasil dificulta a meta da universalização para 2033 (campo e cidade). Segundo ele, o apoio para a área rural não avançou nos últimos 10 anos. O setor rural continua dependente de recursos federais, de parcerias entre municípios e concessionarias de saneamento e entre comunidades/governos/ONGs.

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O chefe do departamento de saneamento ambiental do BNDES, Eduardo Christensen Nali, disse que a instituição financia a produção, tratamento, distribuição de água, redução de perda, coleta e tratamento de esgoto e a disposição adequada de resíduos sólidos, inclusive a queima do resíduo para geração de energia, além de investimentos em inovação e eficiência energética. Ele ressaltou que o BNDES não financia o afastamento de esgoto pura e simplesmente ou a construção de rede sem a correta destinação para tratamento de esgoto, por considerar que essa prática “não é uma agenda desse século”. Os financiamentos contemplam apenas os projetos em que a coleta estiver atrelada ao tratamento do esgoto, conforme ressaltou o representante do BNDES, que possui uma carteira de R$ 32 bilhões em financiamento para o setor.  

A analista técnica de sustentabilidade da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Cláudia Lima, lembrou que a legislação, em momento nenhum, registra que as metas de saneamento são das áreas urbanas ou que os contratos devem focar apenas em áreas urbanas. As metas são para atendimento da população, na integralidade do município, segundo a analista da CNM. Ela destacou que é preciso focar no que a legislação trouxe de novo para poder avaliar a questão dos déficits existentes. Lembrou que, desde a Constituição de 88, a competência para promover melhorias no saneamento básico é comum às três esferas de governo (União, estados e municípios).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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