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Debatedores discutem inclusão social e próteses para pessoas com deficiência

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Durante audiência pública no Senado nesta segunda-feira (20), especialistas e ativistas defenderam mais visibilidade e inclusão para as pessoas com agenesia — que é a ausência ou o desenvolvimento incompleto de um membro do corpo. Também foi discutida a oferta de próteses fabricadas em impressoras 3D.

O debate, promovido pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, teve como tema o projeto de lei que cria o Dia Nacional de Conscientização sobre a Agenesia de Membros, a ser comemorado em 25 de agosto (PL 3.506/2020). Todos os participantes do encontro apoiaram a iniciativa.

— Criar uma data de conscientização é, antes de tudo, dar visibilidade, chamar a atenção do poder público e da sociedade para a necessidade de inclusão, de acesso à reabilitação, de avanço das pesquisas e de acolhimento [das pessoas com agenesia] desde o nascimento — declarou o deputado federal Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), autor do projeto.

A presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), é a relatora da proposta no Senado — a matéria já foi aprovada na Câmara dos Deputados. A audiência desta segunda-feira aconteceu a pedido de Damares.

Próteses

O professor Renan Balzani coordena uma equipe na Universidade de Brasília (UnB) que fabrica, em impressoras 3D, próteses para serem doadas. Ele ressalta que essas próteses são produzidas com um custo baixo, entre R$ 50 e R$ 100, “e são mecânicas, ou seja, são funcionais”.

Outra iniciativa que utiliza impressoras 3D é a parceria entre Câmara Brasileira de Tecnologias Educacionais (CBTE) e a Apae do Distrito Federal. A parceria tem o objetivo de capacitar pessoas a produzir próteses, cadeiras de rodas e outras tecnologias assistivas.

— Podemos qualificar os jovens, dando a eles a capacidade de desenvolver modelagens e softwares. Eles podem ser ensinados, por exemplo, a operar o software de modelagem e operar uma impressora 3D, desenvolver recursos adaptativos de próteses, não só de produtos, mas também de cadeiras de rodas que podem ser evolutivas conforme a idade e o peso, à medida que as crianças com agenesia forem crescendo — disse Wallas Nunes, presidente da CBTE.

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Ele acrescentou que os integrantes das Apaes, por exemplo, podem ser estimulados a treinar nos equipamentos disponibilizados pela CBTE e a trabalhar no desenvolvimento de suportes e cadeiras especiais, entre outros equipamentos, obtendo assim uma nova profissão.

A coordenadora do Núcleo de Defesa e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Distrito Federal, Amanda Cristina Ribeiro Fernandes, defendeu a autonomia de escolha. Ela ressaltou que a oferta de próteses é algo ao qual as pessoas podem aderir ou não.

Acesso desigual e falta de dados

A presidente do Instituto DNA Saúde, Santusa Santana, observou que é desigual o acesso da população a serviços de reabilitação e a instrumentos como órteses, próteses e materiais especiais. Para ela, o desenho de políticas públicas deve levar em conta o acesso a essas tecnologias. Além disso, Santusa afirmou que é necessária uma atualização constante dos critérios de inclusão e de quais procedimentos estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Santusa enfatizou a importância dos levantamentos para o planejamento das ações, mas ressalvou que os dados clínicos estão dispersos, o que dificulta a gestão por resultados. Ela também apontou “outro grave problema”: a inexistência de dados sobre o número de pessoas com agenesia no Brasil.

— Sem dados, a gente não tem como planejar recursos, onde alocar esses recursos, nem como elaborar políticas públicas. É preciso medir para planejar. A gente precisa ter indicador, precisa ter a participação das pessoas e pensar em continuidade, com política de Estado e não de governo, para garantir a inclusão — declarou ela.

Ativistas

A presidente da Associação Maria Vitória de Doenças Raras e Crônicas (AmaviRaras), Lauda Vieira dos Santos, destacou que mais de 13 milhões de brasileiros vivem com algum tipo de doença rara, das quais 80% teriam origem genética. Além disso, segundo ela, 95% das doenças raras não possuem tratamento específico e os desafios persistem, apesar dos avanços legislativos e institucionais. Lauda é ativista na área desde que sua filha Laís foi diagnosticada, em 1992, com uma doença rara aos três anos de idade. 

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O presidente da Associação Lelê de Agenesia de Membros, Ricardo Fabris Paulin, agradeceu ao Senado por promover o debate, reiterando que audiências públicas como essa são fundamentais para proporcionar visibilidade à questão. Ele frisou que todas as doenças raras, e não apenas a agenesia, precisam ser de amplo conhecimento da sociedade. 

— Quantas e quantas vezes a gente ouve a pessoa [com doença rara] falar: “Ah! Eu já sofri preconceito”. Por que a gente não luta no dia a dia com isso? Então, a Associação Lelê sempre veio muito por causa disso. Porque para mim era muito fácil cuidar da minha filha. Mas, e dos outros? — questionou ele.

Indígenas

Damares Alves informou que a CDH enviará um ofício à Secretaria Nacional de Saúde Indígena solicitando dados sobre o número e as condições de vida das crianças indígenas com agenesia no Brasil. A senadora salientou que é fundamental o país tomar conhecimento dessas informações, para que a população seja conscientizada sobre os direitos dessa população e para que o poder público saiba onde aplicar seus recursos. 

— Não há política pública sem números, e os dados são importantíssimos para sabermos onde colocar o dinheiro. Uma audiência como esta tem o poder de mudar a vida de muitas pessoas lá na ponta. Creio que a notificação desses casos precisa ser compulsória. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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