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Eleição para cargos da Representação Brasileira no Parlasul é adiada

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A eleição para os cargos da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), convocada para a tarde desta quarta-feira (28), foi adiada por falta de acordo. O presidente da representação, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), acatou a sugestão dos deputados Renildo Calheiros (PCdoB-PE) e Marangoni (União-SP) e adiou a eleição em duas semanas, para que seja possível buscar um acordo.

Candidaturas

A marcação da eleição dentro do colegiado vem depois da resposta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a uma questão de ordem sobre a alternância dos cargos entre senadores e deputados. De acordo com Davi, a alternância entre o Senado e a Câmara dos Deputados deve ser respeitada dentro da representação.

Como o atual presidente é do Senado, o futuro deverá vir da Câmara dos Deputados. Assim, os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Celso Russomano (Republicanos-SP) apresentaram suas candidaturas. Pelo Senado, os senadores Chico Rodrigues (PSB-RR) e Nelsinho Trad se apresentaram para concorrer ao cargo de vice-presidente. Pela Câmara, o deputado Pastor Eurico (PL-PE) anunciou sua candidatura para a vice-presidência.

Para compor a Mesa Diretora do Parlasul para o biênio 2025-2026, o candidato é o senador Humberto Costa (PT-PE). Na prática, esse cargo vai ocupar a Presidência do Parlasul, que pelo rodízio cabe ao Brasil. Hoje, é o deputado Arlindo Chinaglia que preside o Parlasul, cargo para o qual foi eleito em dezembro de 2024 e assumiu no início deste ano.

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Divergências

No início da reunião, o senador Humberto Costa se mostrou contrário a um adiamento da eleição, que seria uma medida “protelatória”. Ele disse que é importante respeitar a alternância entre o Senado e a Câmara para os cargos, inclusive para o representante do Brasil na Mesa do Parlasul.

O senador ainda sugeriu um período de transição, com a eleição imediata e com os eleitos assumindo os cargos no mês de julho. Conforme argumentou Humberto Costa, a renovação da delegação deveria ter ocorrido em fevereiro, para coincidir com as eleições das mesas de cada Casa. Ele disse ainda que a disputa de cargos poderia ser levada ao Parlasul.

O deputado Chinaglia, no entanto, divergiu do colega de partido e disse que Humberto Costa faz uma “proposta malandra” de levar a disputa para o Parlasul. O deputado disse que, como presidente do órgão, trabalha por um organismo mais ágil e eficiente. Ele também defendeu que os novos eleitos assumam os cargos em setembro.

Em resposta, Humberto Costa declarou que abriria mão da candidatura, desde que em favor de outro senador, pois o cargo deveria ser indicação do Senado. O senador ainda afirmou que a fala do colega foi desrespeitosa.

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— Esse termo de proposta malandra não existe. A nossa preocupação para que isso se resolva é porque se trata de uma representação institucional — declarou o senador.

Diante do avanço da hora e com o início da Ordem do Dia do Senado, Humberto Costa concordou com o adiamento da eleição.

União e regimento

Os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Celso Russomano apontaram a importância de união dentro da comissão. Na mesma linha, o deputado Pastor Eurico disse que “a roupa suja” tem que ser lavada dentro da comissão e não ser levada para o Parlasul. Segundo o deputado, o Brasil hoje é um exemplo de bom funcionamento para as outras representações.

Pastor Eurico ainda questionou qual legislação deveria reger a escolha dos cargos dentro da representação. Em resposta, Nelsinho reconheceu que há uma lacuna e disse que o senador Chico Rodrigues está trabalhando a questão. Segundo Nelsinho, os consultores da Câmara e do Senado estão colaborando com a construção de um texto.  

— O certo é a gente ter o nosso regimento, para dizer o que devemos fazer — ponderou Nelsinho.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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