Brasil

Em sessão pelo Dia do Policial Civil, categoria pede mudanças na previdência

Publicado em

O Plenário do Senado prestou homenagem ao Dia do Policial Civil nesta segunda-feira (23), em sessão especial. A data é comemorada anualmente no dia 21 de abril. Representantes da categoria defenderam condições mais favoráveis junto à Previdência Social e fortalecimento de ações de saúde mental para os policiais.

A senadora Leila Barros (PDT-DF), responsável pelo requerimento da sessão (RQS 352/2025), presidiu o evento. Ela falou de seu trabalho pela valorização da profissão, destacando o reajuste de 30% garantido aos policiais e bombeiros do Distrito Federal com recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Para a senadora, a atuação da Polícia Civil do DF (PCDF) serve de exemplo para outros órgãos do setor.

— Em apenas 65 anos, Brasília cresceu a ponto de se tornar a terceira maior cidade do país. Em vez de ter se tornado um caldeirão de violência, como acontece em outras metrópoles, é a segunda capital mais segura do país e a primeira em qualidade de vida. Não há a menor dúvida de que essa condição privilegiada é resultado do trabalho exemplar das nossas forças de segurança, em destaque a nossa PCDF. A PCDF é padrão ouro internacionalmente — disse.

O delegado-geral adjunto da PCDF, Saulo Ribeiro Lopes, afirmou que o Distrito Federal não possui uma presença estruturada do crime organizado como em outros grandes centros urbanos em razão da “repressão qualificada” realizada pelos órgãos de segurança. Ele ressaltou que, no ano de 2024, a corporação fez 631 operações, efetuou mais de 7.400 prisões e emitiu mais de 86 mil laudos periciais.

— Temos a maior média de elucidação de crimes violentos letais intencionais do país. Mais do que números e estatísticas, as histórias humanas devem ser reconhecidas. Há inúmeros relatos de policiais civis que, com muito sacrifício, conseguiram resolver casos que pareciam sem solução. Esses feitos não ocorrem por acaso, mas são resultado da dedicação, do empenho, da capacitação, do trabalho árduo e do comprometimento de cada um dos senhores.

Leia Também:  Comissão se reúne para decidir plano de diálogo com EUA

Previdência

O diretor de Assuntos Parlamentares da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), Alex Galvão, defendeu o fortalecimento dos direitos previdenciários para policiais. Em sua avaliação, regras diferentes para a concessão de pensão à família, aplicadas a situações semelhantes, causam insegurança.

— A única forma de o cônjuge ter uma pensão integral e vitalícia é se o policial civil morrer em razão de um ferimento. Se [o policial] está dirigindo uma viatura e a capota, [o cônjuge] não vai ter uma pensão completa. O profissional precisa ter garantias de que, se alguma coisa acontecer, suas famílias não serão prejudicadas.

Outra reivindicação é a mudança nas regras de aposentadoria, levando em conta a natureza da atividade policial. Segundo Alex, a introdução de uma idade mínima para aposentadoria na última reforma da previdência, em 2019 (Emenda Constitucional 103), prejudicou os policiais.

— Nós lutamos para ter um previdência que não considere a idade, porque, com o tempo que [o policial] coloca à disposição na atividade-fim, não tem como exigir uma idade mínima nesse sentido.

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Distrito Federal (Sindepo/DF), Cláudia Alcântara, apresentou o caso real de um policial do Distrito Federal, cuja remuneração bruta era de R$ 14 mil, que faleceu em um acidente de trânsito. A esposa e filha do servidor passaram a receber, juntas, R$ 3.200 em pensão.

Segundo Cláudia, a reforma da previdência foi “extremamente cruel” para os policiais. Para contornar a situação, ela apoiou a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição que, entre outros dispositivos, elimina a idade mínima de aposentadoria para a categoria (PEC 24/2024, ainda na Câmara dos Deputados). A PEC tem como primeira signatária a deputada Antônia Lúcia (Republicanos-AC), mas, segundo Cláudia, o texto foi apresentado por entidades de policiais.

A presidente do Sindepo/DF afirmou também que a valorização do policial vai além da remuneração.

— Nós temos uma missão de entrar em lugares em que ninguém entra, enfrentar o crime sem poder correr, lutar com a face mais dura da realidade da nossa sociedade. Quem cuida da sociedade precisa ser cuidado. Quem protege vidas precisa da sua própria vida protegida. Não estamos falando apenas de salário, estamos falando de saúde mental, de dignidade.

Leia Também:  Comissão aprova projeto que obriga SUS a realizar tratamento de implante dentário

Paridade salarial

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) elogiou a articulação de Leila na busca pelo reajuste salarial. Para a senadora, a valorização da categoria é uma busca constante e necessária.

— Não tem garantias de direitos humanos sem a Polícia Civil. Não tem segurança pública sem a Polícia Civil. Precisamos estar com o tema o tempo todo na mesa na busca de valorização, melhores condições de trabalho, equipamentos, e nunca baixar a guarda quando o tema é proteger quem nos protege.

Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol), Enoque Venancio de Freitas afirmou que a principal demanda é a igualdade salarial com relação aos policiais federais. Segundo Enoque, a expectativa era que a equiparação já fosse iniciada em setembro. No entanto, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos ainda analisa a proposta, que será encaminhada pela Presidência da República ao Congresso Nacional.

— Esse reajuste era para ontem. Está previsto pelo governo do Distrito Federal para setembro. Tenho certeza que teremos condições e tempo para esse projeto ser aprovado. O presidente Lula, sempre durante os seus governos, manteve essa paridade — disse Enoque.

Em regra, a remuneração básica de um agente da PCDF no fim da carreira é de R$ 14.851,63. Já um agente da polícia federal chega a ganhar R$ 21.987,38.

Polícia Civil

No Brasil, a função de polícia judiciária é das Polícias Civis, no estados, e da Polícia Federa, na União. As Polícias Civis são responsáveis por investigar crimes ou contravenções e entregar seus resultados para o sistema de justiça — diferentemente das Polícias Militares, que realizam o policiamento ostensivo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Brasil

Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

Published

on

Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

Leia Também:  Projeto garante a pessoa com diabetes o direito de monitorar a doença em locais de prova

A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

Leia Também:  Justiça do Trabalho gaúcha quer conciliar processos de acidente de trabalho

Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

BOA VISTA

RORAIMA

POLICIAL

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA