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Encontro destaca avanços do Programa Brasileiro de Patrocínio Comunitário

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São Paulo, 18/11/2025 – Em evento coorganizado pela Pathways International, pela Fundação Shapiro (Shapiro Foundation) e pela Porticus, o diretor de migrações da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Victor Semple, apresentou aos participantes informações sobre o Programa Brasileiro de Patrocínio Comunitário (PBPC).
Realizado na terça-feira (18), na capital Paulista, o encontro promoveu discussões sobre parcerias globais voltadas à ampliação do acesso a vias de proteção para refugiados e migrantes em diversos países.

A iniciativa do MJSP acolhe e integra pessoas afegãs no Brasil sem utilização direta de recursos públicos. O programa é viabilizado com apoio da sociedade civil organizada, que se responsabiliza pelo acolhimento e pela integração dessas famílias por meio do modelo de patrocínio comunitário. Lançado em 2024, o PBPC recebeu seus primeiros beneficiários em abril deste ano.

O intercâmbio entre Governo, organizações da sociedade civil e atores privados nacionais e internacionais tem sido crucial para o fortalecimento dessa estratégia.

De acordo com Victor Semple, com o PBPC em pleno funcionamento, o principal desafio é garantir a sustentabilidade de longo prazo, com envolvimento de todos os participantes.

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“O Governo criará um marco normativo e de governança para o programa. As OSCs seguirão suas atividades com autonomia e responsabilidade, com parceiros internacionais e privados apoiando com recursos e inovação. Dessa forma, os beneficiários terão condições de construir uma nova história de maneira dignidade e autônoma”, disse.

Durante sua exposição, Semple destacou objetivos, avanços, resultados alcançados, perspectivas futuras e prioridades. Além disso, ressaltou como o programa está alinhado com a nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, editada em outubro pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Um vídeo apresentado ao público ofereceu uma visão prática das atividades já realizadas pelo PBPC.

Na sequência, o diretor participou de um painel ao lado da diretora-executiva da Pathways, Jennifer Bond, professora da Universidade de Ottawa (Canadá) e presidente da Iniciativa Global de Patrocínio para Refugiados (Global Refugee Sponsorship Initiative); Ed Shapiro, da Shapiro Foundation; e Sophia Nobre, da organização Panahgah. Todos compartilharam reflexões relacionadas ao engajamento de cada ator no modelo de patrocínio comunitário e sobre a importância de um ecossistema diversificado e coordenado para apoiar e implementar a iniciativa.

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O Brasil é um dos únicos países a conceder visto humanitário a pessoas afetadas pela crise humanitária no Afeganistão.

O Programa é uma iniciativa inovadora e faz parte da Política Nacional que o Governo Federal publicou recentemente, reforçando a vocação acolhedora do País e a sustentabilidade das ações humanitárias.

Ao final, uma atividade dinâmica reuniu os participantes, permitindo que diferentes grupos explorassem possibilidades de colaboração e apoio ao trabalho coordenado pela Senajus.

Representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) também contribuíram com perspectivas sobre a política pública e a operacionalização do PBPC.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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