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Lançado pelo MJSP, caderno orienta atuação dos Bombeiros Militares no atendimento a mulheres e meninas vítimas de violência

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Rio Branco, 21/5/2026 – Os Corpos de Bombeiros Militares de todo o Brasil passam a contar com um referencial nacional para orientar o atendimento a mulheres e meninas em situação de violência. Elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o Caderno Temático de Referência: Padronização Nacional do Atendimento pelos Corpos de Bombeiros Militares às Mulheres e Meninas em Situação de Violência foi lançado nesta quinta-feira (21), durante o XI Encontro Nacional de Bombeiras Militares, em Rio Branco (AC).

O documento estabelece diretrizes nacionais para qualificar o atendimento prestado pelas corporações, com foco na proteção integral das vítimas, na prevenção da revitimização e na atuação articulada com a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres.

A iniciativa integra as ações do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, coordenado pelo Governo Federal, que reúne medidas de prevenção à violência de gênero, fortalecimento da rede de proteção e qualificação das instituições que atuam no atendimento às mulheres.

Nesse contexto, o novo caderno amplia a capacidade de atuação dos Corpos de Bombeiros Militares em ocorrências que podem envolver violência doméstica, sexual ou psicológica.

A proposta parte do reconhecimento de que os bombeiros militares ocupam posição estratégica no atendimento inicial de ocorrências e, muitas vezes, são os primeiros agentes públicos a chegar a locais com indícios de violência de gênero.

Segundo o material, ocorrências registradas inicialmente como acidentes domésticos, quedas, mal súbito, incêndios, tentativas de suicídio e acidentes de trânsito podem ocultar episódios de violência doméstica, sexual ou psicológica. Nesses casos, a atuação das equipes influencia diretamente a identificação de indícios de violência, a proteção imediata da vítima, a preservação de vestígios e o acionamento da rede de proteção.
O material também reforça a previsão da Lei Maria da Penha, que determina a capacitação permanente dos Corpos de Bombeiros Militares em temas relacionados a gênero e raça/etnia.

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Construção interinstitucional

O conteúdo foi elaborado de forma colaborativa e interinstitucional, a partir das discussões realizadas durante o Encontro Nacional: Segurança Pública e o Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, promovido pela Senasp. Os debates foram aprofundados posteriormente no IX Encontro Nacional de Bombeiras Militares, realizado no Rio de Janeiro (RJ), em outubro de 2024.

Participaram da elaboração representantes do Comitê Nacional de Bombeiras Militares da Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares (Ligabom), do Comitê Nacional de Atendimento Pré-Hospitalar, além de profissionais da Senasp, do Ministério das Mulheres e da ONU Mulheres. O objetivo é consolidar parâmetros mínimos nacionais para a atuação da categoria, respeitando as especificidades operacionais das corporações estaduais.

Fluxo operacional com perspectiva de gênero

Estruturado em seis eixos temáticos, o material reúne orientações detalhadas sobre violência de gênero, direitos humanos, violência institucional e interseccionalidade.
Entre os principais pontos, o documento estabelece um fluxo operacional com perspectiva de gênero dividido em etapas: acionamento da Central de Operações (193), deslocamento, análise da cena, atendimento à vítima, transporte e encerramento da ocorrência.

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As diretrizes incluem avaliação de riscos, leitura qualificada do ambiente, identificação de sinais de violência, cuidados com a privacidade e a dignidade da vítima, preservação de vestígios e medidas para evitar a revitimização.

O caderno também apresenta orientações específicas para situações de violência sexual, atendimento a meninas, mulheres em sua diversidade e integrantes femininas do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

Emergências climáticas

Um dos capítulos do documento foi dedicado à proteção de mulheres e meninas em emergências climáticas e desastres. O texto reconhece que cenários de deslocamento forçado e abrigamento ampliam vulnerabilidades e riscos de violência de gênero.

As medidas previstas incluem ações de prevenção à violência sexual, proteção de meninas desacompanhadas e estratégias de privacidade e segurança em contextos de desastre.

Referência nacional

De acordo com a Senasp, o caderno tornou-se o primeiro referencial nacional voltado especificamente à atuação dos Corpos de Bombeiros Militares no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.

Além de fortalecer a integração entre as políticas de segurança pública e as políticas para as mulheres, o documento busca ampliar a qualificação técnica das corporações e reforçar o entendimento de que o atendimento emergencial também integra a resposta do Estado ao enfrentamento da violência de gênero.

A publicação está disponível gratuitamente no portal do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Acesse aqui.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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