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Marco do licenciamento ambiental é aprovado na CMA

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A Comissão de Meio Ambiente (CMA) aprovou nesta terça-feira (20) o projeto da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2.159/2021). O texto, que abarca normas gerais e diretrizes, pretende uniformizar os procedimentos para emissão de licença ambiental em todo o país e simplificar a concessão de licenças para os empreendimentos de menor impacto. O projeto agora será analisado na Comissão de Agricultura (CRA) e, em seguida, será enviado para votação no Plenário do Senado.

A bancada do PT e a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) registraram voto contrário à matéria, que foi aprovada em votação simbólica. 

Presidente da CMA, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) chamou atenção para “a complexidade e a gravidade” da questão.

— Nós sabemos que o direito ao meio ambiente, que é um direito constitucional previsto no artigo 225, de que todos temos direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, é um direito da sociedade brasileira. E quem é o guardião desse direito? É o Estado brasileiro. E uma das formas de o Estado brasileiro efetivar e proteger esse direito constitucional é o licenciamento ambiental — expôs Fabiano.

Relator da matéria na CMA, o senador Confúcio Moura (MDB-RO) fez inicialmente a complementação de seu relatório, que havia sido lido no dia 7 de maio. Ainda na manhã desta terça-feira, a proposta recebeu novas emendas, aumentando o total para 121.

De acordo com Confúcio Moura, o texto aprovado partiu de 70 a 80 divergências iniciais do parecer da senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora da matéria na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), e chegou a poucos itens que deverão ser destacados em Plenário.

— Não ficou nem tanto ao mar nem tanto à terra. Ficou o que foi possível; o possível. (…) Essa lei geral visa regulamentar o artigo 225 da Constituição. A gente vem navegando neste tempo todo com centenas de legislações paralelas — disse o relator.

Ao defender a proposta, Tereza Cristina lembrou que o texto foi discutido por um ano e meio com o governo e a sociedade. A parlamentar declarou que o “Senado vai dar um fim ao cipoal legislativo” composto por leis que, segundo ela, confundem e paralisam os processos. Além disso, a senadora argumentou que, muitas vezes, essas leis sobrepõem competências de União, estados e municípios, causando insegurança jurídica.

— É claro que o meio ambiente precisa de ser preservado, mas a lei que nós estamos discutindo não revoga nenhuma punição por crime ambiental. Nenhuma. Muito pelo contrário, até dobra a pena para quem insistir em realizar atividades sem licenciamento. Crime ambiental continuará sendo crime. Essa lei não modifica isso. A lei não fragiliza o licenciamento. As atividades poluidoras de alto impacto continuarão a ter de passar por uma série de exigências — enfatizou a senadora.

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Voto contrário

Entre os que se opõem à proposta, a senadora Eliziane Gama foi a primeira a manifestar voto contrário na reunião desta terça-feira. Ela declarou que “esta legislação [do marco do licenciamento ambiental] será fatalmente barrada no Supremo Tribunal Federal por vício de inconstitucionalidade”. Sua posição foi acompanhada pelo senador Beto Fato (PT-PA).

— Nós estamos aprovando aqui [na CMA] um conjunto infraconstitucional sobre o qual já existe decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal [STF]. Nós já temos decisão sobre quatro ações diretas de inconstitucionalidade no STF, com decisão proferida pela inconstitucionalidade. Ou seja, o que nós temos aqui, com a aprovação desta proposta, se ela for finalizada pelo Congresso Nacional, é que fatalmente nós teremos várias outras ações no STF que poderão derrubar este projeto de lei que nós estamos a aprovar — protestou Eliziane.

Para a senadora, o projeto de lei abre brechas “gigantes” que podem permitir que tragédias como a de Brumadinho (MG) — ocorrido em 2019, quando  houve o rompimento de uma barragem e cerca de 270 pessoas perderam a vida — voltem a acontecer.

— Se nós não considerarmos todo o processo ambiental, o licenciamento ambiental como tem de ser, nós poderemos, em função de um lucro, em função de uma competitividade, infelizmente, ceifar novas vidas — alertou ela.

Fabiano Contarato citou questões que considera importantes, entre elas o que chamou de “enfraquecimento” do Sisnama [Sistema Nacional do Meio Ambiente], que organiza a gestão ambiental no país.

— Com o esse enfraquecimento do Sisnama vai haver uma verdadeira guerra ambiental entre estados e municípios, porque, se você autoriza apenas o Executivo a dizer, sem a participação da sociedade civil, ali, efetivamente, que determinado município vai ser flexível e outros não, nós vamos ter uma guerra ambiental no Brasil com as suas peculiaridades e suas diferenças — ponderou o presidente da CMA.

Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também concordou com a posição apresentado pela senadora Eliziane e pelo Ministério do Meio Ambiente e do Clima — de que há questões inconstitucionais. Segundo ele, “o governo ainda não está com uma posição definitiva”, porque o texto ainda será examinado na CRA e no Plenário do Senado, retornado depois à Câmara dos Deputados. 

Jaques Wagner reconheceu que houve avanços nas negociações, mas avalia que ainda há questões divergentes que serão discutidas durante a tramitação restante do projeto. Ele declarou, por exemplo, que desconsiderar a posição de órgãos técnicos, como a Funai, “é fragilizar demais o processo”.

Licença por adesão

Vários senadores manifestaram preocupação com a questão da licença por adesão e compromisso (LAC). Autodeclaratória, essa licença já existe em âmbito estadual, e o projeto em análise no Senado prevê essa licença pela primeira vez em norma federal.

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De acordo com o texto aprovado na CMA, a LAC caberá apenas nas atividades ou nos empreendimentos qualificados e de pequeno ou médio porte e baixo ou médio potencial poluidor.

— Quem começou a LAC no Brasil fui eu, quando era governador. Só que lá a gente faz só para baixo impacto. A proposta aqui fala de baixo e médio impacto e risco. Se você vai construir uma barragem, como é que não faz um EIA/Rima [Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental], um licenciamento ambiental? E ela [a barragem] é tida como de porte médio. Eu acho um risco — expôs Jaques Wagner.

Fabiano Contarato enfatizou que o Supremo Tribunal Federal já declarou que a LAC só é possível nas atividades de pequeno impacto e baixo impacto.

— Se o Poder Judiciário for provocado para dizer o direito,  (…) e a autorização do licenciamento por adesão ou compromisso está ofendendo a Constituição Federal, vai ser declarada a inconstitucionalidade. É simples dessa forma — ressaltou o presidente da CMA, lembrando que o artigo 225 da Constituição prevê que todos têm o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Por sua vez, Tereza Cristina salientou que as LACs já existem em vários estados e não são uma “jabuticaba desse projeto”.

— O licenciamento é importante sobretudo para as cidades. No campo, nós temos o Código Florestal, que é uma lei rígida que demorou dez anos nesta Casa sendo discutida até ser aprovada, e que se mantém. Não há liberação de desmatamento de vegetação nativa neste projeto, nem para pecuária intensiva de grande porte — ressaltou ela.

Apoio

Entre os senadores que apoiam o projeto está Jayme Campos (União-MT). Durante a reunião da CMA, ele afirmou que o Brasil sofre uma “agonia profunda” por falta de segurança jurídica diante do emaranho de leis ambientais.

— Esse projeto foi discutido amplamente lá na Câmara. Não tem nada para prejudicar. Estamos dando a possibilidade de que este país ande para frente e se desenvolva de forma sustentável — argumentou Jayme Campos.

Outro defensor da proposta é o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS). Segundo ele, “nenhum país do mundo tem hoje a legislação que existe no Brasil” nessa área.

— O Brasil precisa de desenvolvimento; precisamos do licenciamento ambiental. O país está parado, está travado — disse Heinze.

Também manifestaram apoio ao projeto os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Zequinha Marinho (Podemos-PA), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Jorge Seif (PL-SC) e Jaime Bagattoli (PL-RO).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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