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MJSP defende regulação para ampliar concorrência nos pagamentos digitais

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Brasília, 26/5/26 – O secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Victor Oliveira Fernandes, participou do congresso anual da Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos (Abipag), na quinta-feira (21). O evento teve como tema Regulação e Concorrência no Mercado Financeiro.

Fernandes integrou o painel Do Balcão ao E-Commerce: Abertura de Espaços Concorrenciais no Setor de Pagamentos, ao lado do chefe de gabinete da Presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Paulo de Oliveira; do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci; e da professora da Universidade de Sussex e do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Beatriz Kira.

No centro do debate esteve a atuação de plataformas digitais com ampla base de usuários e presença em diferentes mercados, que passaram a oferecer soluções próprias de pagamento em condições favorecidas dentro dos próprios ecossistemas. O tema tem mobilizado autoridades concorrenciais em diferentes países devido aos impactos sobre a concorrência e os direitos dos usuários.

“Regulação é tradicionalmente pensada como barreira à entrada no mercado, ônus ou encargo. Mas não é disso que se trata quando o assunto é regulação concorrencial. Ao contrário, esse modelo amplia a contestabilidade e reduz barreiras à expansão”, afirmou Victor Fernandes.

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Plataformas e ecossistemas digitais

Segundo o secretário, empresas que controlam ecossistemas digitais podem alterar as regras de funcionamento do mercado e concentrar o valor gerado pelas atividades realizadas dentro dessas plataformas.

“As plataformas também podem fazer com que esse valor seja capturado prioritariamente por elas mesmas, sem distribuição justa entre todos os atores envolvidos no arranjo”, explicou.

Fernandes afirmou que onde não existe concorrência, não há inovação. “Para que surjam inovações capazes de agregar valor à experiência dos usuários nos ecossistemas digitais, é necessário que os ganhos sejam compartilhados de forma justa, equitativa e contestável entre todos os envolvidos, com reconhecimento e transparência”, disse.

Convergência entre direitos digitais e concorrência

O secretário apresentou a perspectiva do MJSP sobre a relação entre direitos digitais e regulação de mercados. A Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi) atua na articulação de temas como portabilidade de dados, interoperabilidade e proteção dos usuários em plataformas digitais, pontos que convergem diretamente com os debates concorrenciais ligados à concentração em ecossistemas digitais.

O painel também destacou que o debate sobre regulação preventiva de plataformas digitais avança no Brasil paralelamente à atuação do Cade, cujas decisões ainda se concentram no controle posterior de condutas e efeitos anticoncorrenciais.

“O antitruste, conjunto de leis e práticas governamentais voltadas à proteção da livre concorrência, é muito eficiente para identificar condutas inadequadas, mas tem mais dificuldade em orientar previamente o funcionamento do mercado. A defesa da concorrência se torna cada vez mais central”, ressaltou o secretário.

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Fernandes também mencionou o PL nº 4.675/2025, que propõe atribuir ao Cade competência para regular plataformas digitais, com foco na prevenção da concentração excessiva de mercado e na adoção de medidas específicas para cada agente econômico.

Debate sobre inovação e regulação

O Congresso Abipag 2026, realizado em comemoração aos 10 anos da associação, abordou temas como os 60 anos do Banco Central do Brasil (BCB), Open Finance, Pix em Garantia, Reforma Tributária, Split Payment, segurança financeira e prevenção a fraudes, além do lançamento de selos de conformidade voltados ao combate à lavagem de dinheiro.

Os debates refletiram o momento de transformação do sistema financeiro brasileiro. De um lado, avançam inovações que ampliam o acesso da população a meios de pagamento e serviços financeiros. De outro, crescem os desafios relacionados à concentração de poder econômico em ecossistemas digitais e à necessidade de distribuir os benefícios dessas mudanças de forma mais equilibrada entre consumidores, empresas e pequenos negócios.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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