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MJSP reforça cooperação internacional na segurança pública em encontros com Peru e Paraguai

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Brasília, 11/12/2025 – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, recebeu os embaixadores do Peru e do Paraguai e reforçou o compromisso do Brasil de ampliar o diálogo com países sul-americanos, fortalecer ações conjuntas de enfrentamento ao crime organizado, prevenir ilícitos transnacionais e integrar as instituições responsáveis pela área. O encontro ocorreu no Palácio da Justiça, na capital federal, nessa quarta-feira (10).

As reuniões ocorreram em momentos distintos, mas convergiram no objetivo de aprimorar mecanismos bilaterais e iniciativas regionais estratégicas no âmbito do Mercosul, essenciais para o fortalecimento da cooperação entre os países membros.

Peru

Embaixador do Peru no Brasil, Rômulo Acurio
Lewandowski e embaixador do Peru no Brasil, Rômulo Acurio. Foto: Tom Costa/MJSP

Lewandowski recebeu o embaixador do Peru no Brasil, Rômulo Acurio, para tratar de avanços na cooperação entre os dois países. Um dos temas abordados foi o Acordo Técnico referente à cooperação policial no enfrentamento ao garimpo ilegal de ouro, iniciativa vinculada ao programa “Ouro Alvo”. O documento, atualmente em análise pelo governo peruano, prevê ações integradas de caráter institucional, técnico e operacional, voltadas ao combate de organizações criminosas envolvidas na extração e comercialização irregular de ouro.

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Outro ponto da pauta foi a possibilidade de adesão do Peru ao acordo do Mercosul sobre tráfico de pessoas, contrabando de migrantes e delitos conexos. A medida tem o objetivo de ampliar a articulação regional em torno de crimes que afetam simultaneamente diversos países e exigem troca contínua de informações, harmonização de procedimentos e fortalecimento das redes de cooperação já existentes.

Paraguai

Embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Ángel Delgadillo Franco
Lewandowski e embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Ángel Delgadillo Franco Foto: Tom Costa/MJSP

Em seguida, o ministro Lewandowski conversou com o embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Ángel Delgadillo Franco, sobre temas prioritários relacionados à próxima Presidência Pro Tempore do Mercosul, que será exercida pelo país vizinho.

Entre os pontos discutidos estiveram a implementação e o desenvolvimento da Comissão e da Estratégia de Combate ao Crime Organizado, previstos na Reunião de Ministros do Interior e Segurança do bloco, além do aperfeiçoamento das atividades do Grupo de Trabalho Especializado sobre Lavagem de Ativos, vinculado à Reunião de Ministros da Justiça.

A reunião também tratou do fortalecimento da cooperação bilateral, com destaque para o Acordo sobre o Comando Bipartite, instrumento que consolida ações conjuntas na região de fronteira, e para as negociações do Acordo de Cooperação em Inteligência Penitenciária, voltado ao intercâmbio de informações e ao aprimoramento das capacidades institucionais dos dois países. As iniciativas reforçam o compromisso de Brasil e Paraguai em ampliar a integração operacional e aprimorar mecanismos destinados à prevenção e repressão de ilícitos transnacionais.

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As duas agendas reforçaram o papel do Ministério da Justiça e Segurança Pública na coordenação de esforços regionais, na construção de parcerias estratégicas e na promoção de soluções conjuntas para desafios que ultrapassam fronteiras e exigem respostas integradas e permanentes.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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