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MME e Arábia Saudita alinham cooperação para levar modelo brasileiro de gás social e cozimento limpo à África

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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se nesta quarta-feira (14/01), em Riade, com o ministro de Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman Al Saud, em encontro voltado ao fortalecimento do diálogo bilateral e ao intercâmbio de experiências em políticas públicas de inclusão energética.

Durante a reunião, o príncipe Abdulaziz destacou o reconhecimento internacional dos programas sociais brasileiros e elogiou a forma como o país tem estruturado iniciativas voltadas à proteção das famílias em situação de vulnerabilidade. Como encaminhamento, ficou acordado que uma comitiva da Arábia Saudita visitará o Brasil para conhecer de perto o escopo e a operação do Programa Gás do Povo e de ações associadas à promoção do cozimento limpo para preparar projetos que serão apresentados às Nações Unidas. A ideia é implementar iniciativas semelhantes em países africanos.

A proposta é que a experiência brasileira sirva como referência para ampliar o acesso à energia moderna e segura, reduzir a pobreza energética e fortalecer políticas sociais em regiões onde milhões de pessoas ainda dependem de formas precárias de cocção, com impactos diretos na saúde e na segurança alimentar.

“O Brasil tem mostrado ao mundo que é possível unir responsabilidade social, segurança energética e desenvolvimento sustentável. Vamos compartilhar com parceiros internacionais aquilo que temos construído com seriedade: políticas públicas que colocam as pessoas no centro, ampliam o acesso à energia moderna e geram resultados concretos na vida das famílias. É uma satisfação ver nossos programas serem reconhecidos como referência e poder contribuir para que essa experiência também ajude outros países, especialmente na África”, afirmou Alexandre Silveira.

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O ministro de Minas e Energia do Brasil também ressaltou o engajamento da primeira-dama Janja da Silva na promoção do cozimento limpo, agenda estratégica para a saúde pública e para a proteção de mulheres e crianças, especialmente em contextos de vulnerabilidade. Ao final do encontro, o príncipe Abdulaziz manifestou apoio à iniciativa e determinou que sua equipe técnica se coloque à disposição para contribuir com uma agenda de cooperação voltada ao tema, incluindo diálogo com a primeira-dama brasileira.

Brasil como referência em inclusão energética
O Programa Gás do Povo é uma política pública federal que amplia o acesso ao gás de cozinha no Brasil e garante gratuidade na recarga do botijão de GLP (13 kg) para mais de 15 milhões de famílias, beneficiando cerca de 50 milhões de pessoas. A iniciativa contribui para reduzir o uso de combustíveis alternativos prejudiciais, como a lenha, e reforça a dignidade e a cidadania energética das famílias atendidas.

A implementação do programa ocorre de forma gradual, com previsão de início das recargas a partir de novembro de 2025 e ampliação até março de 2026, com quantidade anual estimada entre 4 e 6 recargas, conforme o perfil da família. A iniciativa integra a estratégia do Governo do Brasil de combate à pobreza energética e fortalecimento de políticas sociais estruturantes.

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No Ministério de Minas e Energia, a agenda também é reforçada pela atuação institucional voltada à formulação de políticas para o GLP e à promoção do cozimento limpo, com foco em segurança alimentar e melhoria da qualidade de vida das populações mais vulneráveis.

Cooperação Brasil–Arábia Saudita com foco social e sustentável
O encontro em Riade reforçou a convergência entre Brasil e Arábia Saudita em iniciativas que combinem desenvolvimento, proteção social e transição energética, com cooperação em temas estratégicos para países em desenvolvimento.

A visita técnica ao Brasil deverá aprofundar o intercâmbio de informações e experiências sobre instrumentos de implementação, governança, logística, público-alvo e integração com políticas sociais, consolidando o protagonismo brasileiro na agenda internacional de inclusão energética e cooperação para o desenvolvimento.

Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
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Fonte: Ministério de Minas e Energia

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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