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Na CRA, debatedores pedem menos tributos na cadeia produtiva de alimentos

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Representantes da cadeia nacional de produção de alimentos defenderam, na quarta-feira (30), a diminuição de tributos no setor. Eles participaram de audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), promovida a pedido do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que presidiu a reunião.

O senador destacou a importância da cadeia produtiva de alimentos para a economia brasileira e informou que o debate foi sugerido pela Frente Parlamentar da Agropecuária. Para o senador, é papel do Legislativo garantir que a reforma tributária, que visa à simplificação e à modernização do sistema tributário nacional, não acabe aumentando o custo dos alimentos no país.

— A cadeia produtiva de alimentos é um dos pilares da nossa economia, abarcando desde o pequeno produtor rural até as grandes indústrias, passando por toda a infraestrutura de transporte e distribuição. O Brasil, como um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, tem nessa cadeia produtiva um ativo estratégico, de modo que qualquer mudança na carga tributária ou no modelo de arrecadação impacta diretamente nos preços dos alimentos, na competitividade do setor e, por consequência, na segurança alimentar da população — afirmou Mourão.

Indústria alimentícia e insegurança alimentar

O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), João Dornellas, defendeu a importância da indústria alimentícia nacional para o país e para outras nações que compram alimentos do Brasil.

— O Brasil sempre foi considerado como celeiro do mundo e, a partir de 2022, com muita honra, também pode ser tratado como o supermercado do mundo. Por que isso? Porque o Brasil exportava muitos produtos in natura (soja, milho), mas, a partir de 2022, nós somos o país que mais exporta alimento industrializado no mundo também — disse.

De acordo com Dornellas, a indústria brasileira de alimentos produz anualmente 270 milhões de toneladas de comida. Desse montante de alimentos industrializados, 75% é vendido no Brasil e 25% é exportado para 190 países, o que gera cerca de 10 milhões de empregos no território nacional, segundo o representante da Abia.

— Essa indústria compra 61% de tudo que o campo produz. De tudo que o agro produz, 61% a indústria compra. E se a gente pensar em agricultura familiar, que é muito importante, 67,5% do que a agricultura familiar produz, a indústria brasileira compra também — afirmou.

Mesmo assim, avaliou Dornellas, o Brasil tem 20 milhões de habitantes que enfrentam insegurança alimentar grave, ou seja, fome. Para ele, uma das principais causas da insegurança alimentar no país é a baixa renda da maior parte da população, com a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras ganhando até dois salários mínimos. Além disso, Dornellas afirmou que o Brasil é um dos países que mais tributa os alimentos industrializados, com média de 24,4% de tributação, enquanto vários países europeus têm média de apenas 7%.

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— E a gente se pergunta: por que, com tanto alimento produzido, as pessoas ainda passam fome? Ou seja, não falta alimento no país, falta condição para as pessoas terem acesso a esse alimento, falta renda para terem acesso a esse alimento. (…)  Os países da OCDE pagam 7%. Então, quando você tem 24,4% contra 7%, você fala “alguma coisa até errada”. (…) E aí já começa a explicar por que a gente tem fome, porque temos esse cenário tão complicado no Brasil: temos falta de renda e temos uma carga tributária muito alta — afirmou Dornellas.

Ele pediu que o Congresso aproveite a regulamentação da reforma tributária e ajude a diminuir os impostos dos alimentos no Brasil, para “promover justiça social” e colocar mais alimentos na mesa dos brasileiros.

— Nós defendemos que todo alimento no Brasil deveria ser mais barato. E qual alimento? O alimento que você compra na feira livre, o alimento que você compra nas quitandas e o alimento que você compra no supermercado também. Não tem sentido, num país que produz tanto alimento, a gente pagar tão caro pelo alimento — disse.

Agronegócio e comida barata

Representando o Instituto Pensar Agropecuária, a assessora Maria Angélica Feijó, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), argumentou que o agronegócio gera um quarto do PIB brasileiro e emprega cerca de 24 milhões de pessoas. Além disso, assinalou que mais da metade das exportações brasileiras é gerada pelo agronegócio.

— A reforma tributária precisa identificar e reconhecer que há uma peculiaridade em relação a esse setor e que justamente nós precisamos de regimes diferenciados — disse.

Ela avaliou que, quanto menor for a carga tributária do agronegócio, menor será o preço dos alimentos para o consumidor final, em especial os produtos da cesta básica.

— Ou seja, alimento mais acessível, alimento em valor mais baixo para a população. E quando nós olhamos para a redução da pobreza, quando a gente adota a menor alíquota para o agro, a gente tem o melhor impacto na redução da pobreza — afirmou.

Parlamentares que participaram da audiência também apoiaram que haja menos impostos para a cadeia produtiva de alimentos brasileira. O senador Sergio Moro (União-PR) defendeu melhorias na regulamentação da reforma tributária.

— Se tem algo na economia brasileira que foi bem sucedido em termos de produtividade e competitividade nacional é a produção agropecuária. Então, não faz sentido. Nós vamos querer matar, então, a galinha dos ovos de ouro aqui do Brasil. Eu preferiria uma reforma muito mais gradual do que uma reforma ampla como está sendo feito. Mas “reforma habemus”, então, temos que tentar melhorá-la da melhor forma possível — disse Moro.

Fertilizantes e competitividade

Clorialdo Roberto Levrero, por sua vez, defendeu que a reforma tributária não aumente a carga tributária dos fertilizantes agrícolas. Ele é presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). Levrero explicou que o fertilizante é um dos insumos do agronegócio e ajuda no aumento da produtividade e da competitividade do setor.

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De acordo com ele, as indústrias que integram a Abisolo investiram, nos últimos dez anos, R$ 3 bilhões em pesquisas e desenvolvimento tecnológico em busca de uma agricultura mais produtiva, mais competitiva internacionalmente, mais sustentável e mais saudável. Ele disse que, se os tributos sobre fertilizantes forem aumentados, o impacto será direto sobre o preço final dos alimentos para a população. 

Levrero avaliou que, com alimentos mais caros, a saúde da população vai piorar, a desigualdade social vai aumentar, a inflação será maior, os empregos e as exportações vão diminuir e os gastos sociais do governo terão que crescer.

Processamento e conservação

A diretora-geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Eloísa Garcia, defendeu que, sem as tecnologias de processamento e conservação de alimentos, não há como garantir segurança alimentar e nutricional para a população mundial.

— Nós vamos precisar produzir mais alimentos, mas a gente está pressionado pelos limites do planeta, pelas questões de sustentabilidade. Então, não há segurança alimentar sem a produção sustentável. A conservação e o processamento dos alimentos são essenciais, porque eu não posso ter a perda dos alimentos. Para a gente ter um planeta mais sustentável, nós vamos ter que ter mais conservação e maior processamento de alimentos. Então, não existe a possibilidade de a gente alimentar a população mundial, com impactos ambientais controlados e minimizados, se a gente não tiver a conservação e o processamento dos alimentos — afirmou.

A diretora relatou que a entidade trabalha há seis décadas com ciência e tecnologia dos alimentos e teve origem no Instituto Agronômico de Campinas, primeira instituição de pesquisa na área agrícola da América Latina. 

— Nós temos centros que trabalham com cadeias produtivas, trabalhando com o processamento de frutas, hortaliças, cereais, balas, confeitos, chocolates, carnes, produtos de laticínios; temos laboratórios especializados em análises químicas, físicas, sensoriais e microbiológicas de alimentos; temos um centro de tecnologia de embalagem que trabalha com todo tipo de embalagem; e temos conexões internacionais através do Tropical Food Innovation Lab e do Instituto Fraunhofer da Alemanha, um instituto específico que, como o Ital, trabalha com alimentos e embalagens — disse.

Também participou da audiência pública a nutricionista Márcia Terra, membro da Academy of Nutrition and Dietetics, do conselho consultivo da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes e da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN).

O presidente da CRA é o senador Alan Rick (União-AC).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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