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Programa Brasil Contra o Crime Organizado apreende 82,5 toneladas de drogas e mais de 20 mil munições nos primeiros 30 dias

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Brasília, 14/6/2026 – Em seus primeiros 30 dias de execução, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado apreendeu 82,5 toneladas de drogas, 356 armas e 20.686 munições, além de resultar na prisão de 7.961 pessoas e gerar prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão às facções criminosas em todo o País.

Lançado pelo Governo Federal em 12 de maio, o programa é coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) com o objetivo de promover a asfixia financeira do crime organizado, o enfrentamento ao tráfico de armas, a qualificação da investigação de homicídios e o fortalecimento da segurança no sistema prisional. A iniciativa mobilizou 9.964 profissionais de segurança pública em 11 operações realizadas em todas as unidades da Federação.

As ações foram coordenadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e executadas por forças de segurança federais, estaduais e municipais, incluindo polícias civis, militares, penais e científicas, além da Força Nacional de Segurança Pública e outros órgãos parceiros. Outros órgãos do Ministério também atuaram para a consecução dos objetivos: a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) e a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), entre outros.

Ao longo do período, foram executados R$ 31,4 milhões em operações conjuntas, consolidando uma estratégia nacional permanente de enfrentamento ao crime organizado.

Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, os resultados demonstram a capacidade do Estado de atuar simultaneamente em diferentes frentes do crime organizado. “Os números deste primeiro mês mostram uma atuação integrada e consistente das forças de segurança em todo o País. Estamos retirando drogas, armas e recursos financeiros das organizações criminosas, enfraquecendo sua capacidade operacional e ampliando a presença do Estado onde a população mais precisa. O enfrentamento ao crime organizado exige persistência, coordenação e inteligência, e é isso que estamos fortalecendo em todo o território nacional”, afirma.

Combate ao tráfico de drogas e armas
As operações coordenadas pela Senasp em conjunto com as forças de segurança federais e estaduais resultaram na apreensão de drogas, armas, munições e explosivos.

Nos primeiros 30 dias do programa, foram apreendidas 82,5 toneladas de drogas e mais de 19 mil unidades de drogas sintéticas, além de erradicados 93,2 mil pés de maconha.

As ações também resultaram na apreensão de 312 armas de fogo, 44 armas artesanais, 20.686 munições e 2,5 kg de explosivos. As apreensões atingem diretamente a capacidade logística e operacional das organizações criminosas e reduzem seu potencial de atuação em diferentes regiões do País.

Asfixia financeira das organizações criminosas
As forças de segurança avançaram também no enfraquecimento financeiro das organizações criminosas por meio da identificação, do bloqueio e da apreensão de patrimônios vinculados às atividades ilícitas.

Nos primeiros 30 dias, foram apreendidos R$ 523,3 milhões em bens, bloqueados R$ 22,2 milhões em ativos financeiros e aplicados R$ 10,4 milhões em multas. As ações também permitiram recuperar ou impedir perdas de R$ 6,5 milhões em impostos.

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O conjunto das operações gerou prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão às organizações criminosas.

Entre os maiores impactos financeiros estão as operações Renoe, com R$ 528,2 milhões em prejuízo estimado; Fronteiras, com R$ 485 milhões; Divisas, com R$ 368,7 milhões; Renarc, com R$ 130,7 milhões; e Biomas, com R$ 88,5 milhões. Os valores resultam das ações realizadas pelas operações que integram o programa em diferentes estados.

Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, os resultados evidenciam a efetividade da integração entre União, estados e municípios. “O crime organizado atua de forma articulada e exige uma resposta igualmente coordenada. Os resultados alcançados mostram que estamos interrompendo rotas criminosas, retirando armamentos e drogas de circulação, atingindo o patrimônio das facções e fortalecendo a capacidade de investigação das forças de segurança. É uma estratégia que produz impactos concretos e duradouros para a segurança da população”, ressalta.

Recuperação de territórios e fortalecimento da presença do Estado
O programa contou com ações da Força Nacional de Segurança Pública em 81 frentes operacionais distribuídas por 13 estados e pelo Distrito Federal.

As equipes atuaram em regiões de fronteira, terras indígenas e áreas de incidência de crimes ambientais, além de prestar apoio a investigações conduzidas pelas polícias estaduais.

Entre 12 de maio e 7 de junho, foram realizadas 34.656 abordagens a pessoas e 20.365 abordagens a veículos. As ações resultaram na apreensão de 1.684,74 kg de drogas, 14 armas, 27 veículos e 31.393 litros de combustível, além de 41 prisões.

No período, também foram entregues equipamentos destinados às operações na Amazônia Legal e estruturada a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI-Amazônia), em Manaus.

Inteligência, perícia e capacitação
O fortalecimento das capacidades investigativas e periciais também integra a estratégia do programa. Nos últimos 30 dias, a Diretoria do Sistema Único de Segurança Pública (DSusp) realizou cursos de comparação balística, papiloscopia e cadeia de custódia, que capacitaram 131 profissionais de segurança pública.

Também foram entregues equipamentos periciais para institutos médico-legais estaduais, ampliando a capacidade de produção de provas e de investigação criminal.

Somadas às ações promovidas pela Força Nacional, as iniciativas de capacitação qualificaram 474 profissionais de segurança pública no período.

Silenciando os presídios
Cortar a comunicação das lideranças que se encontram nos presídios com os demais membros das facções é também prioridade do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) é o principal pilar para a execução dessa tarefa.

Por meio do Projeto Padrão Segurança Máxima (PSM), a secretaria coordena a modernização de 138 unidades prisionais — aquelas que concentram aproximadamente 80% das organizações criminosas catalogadas no Mapa das Organizações Criminosas —, com doação de equipamentos aos estados: bloqueadores de sinal, scanners corporais, câmeras com reconhecimento facial, drones e viaturas blindadas, entre outros.

O trabalho conjunto já aparece nos números. A 11ª fase da Operação Mute apreendeu 680 celulares em 124 presídios, com 3.728 celas vistoriadas.

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Até o fim de 2026, a SENAPPEN realizará uma operação nacional e duas regionais por mês em unidades prisionais de todo o País.

“Quando reduzimos a capacidade de comunicação e articulação de organizações criminosas dentro dos presídios, ampliamos a proteção da população e contribuímos diretamente para uma sociedade mais segura”, afirmou o secretário André Garcia.

Ações na retaguarda
Antes de cada operação policial que ganha visibilidade, há também a atuação indispensável de órgãos do Ministério da Justiça e Segurança Pública que não aparecem na linha de frente, e cujas atividades muitas vezes se intensificam no tratamento das descobertas e das apreensões das ações policiais.

A Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), por exemplo, gerencia um sistema de alerta rápido sobre drogas que identifica o surgimento de novas substâncias em todo o País. O sistema já emitiu 14 alertas, posteriormente transformados em ações de inteligência e em operações policiais.

Na gestão de ativos apreendidos do crime, só em 2025 a Secretaria retirou R$ 500 milhões de circulação — recursos que foram reinvestidos em políticas públicas. O mesmo ocorrerá com os ativos apreendidos nesses últimos 30 dias.

“O combate ao crime organizado só funciona com ações integradas de inteligência, repressão qualificada e prevenção, com presença permanente do Estado nos territórios”, sintetiza a secretária da Senad, Marta Rodriguez de Assis Machado.

A Senad também atua na Amazônia Legal e em regiões de fronteira e lançou, em maio, o programa Território Seguro, Amazônia Soberana, que prevê R$ 209 milhões para enfrentar as organizações criminosas por meio da desarticulação do crime, da melhoria da inteligência, da prevenção e do acesso a direitos, além de fortalecer os territórios por meio do fomento a oportunidades lícitas de vida para as populações locais. Com fontes de renda própria, a população fica menos vulnerável ao assédio dos criminosos.

Outro órgão-chave para o Programa Brasil Contra o Crime Organizado é a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), mais conhecida por cuidar de processos de extradição de criminosos e de recuperação de ativos no exterior, mas que, entre outras atividades, gerencia a Rede de Laboratórios Estratégicos contra o Crime (Rede-Lab Crim), criada em março de 2026.

A rede conta com 65 laboratórios em todo o País, auxiliando os órgãos de investigação a identificar recursos ilícitos e a promover a asfixia financeira das organizações criminosas. A rede já gerou pelo menos 15 ações estratégicas voltadas ao combate ao crime organizado e às fraudes.

O aprofundamento desse trabalho será facilitado pela capacitação que a Senajus vem promovendo desde 2023, que já beneficiou mais de 10 mil agentes públicos por meio do Programa Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (PNLD).

“No âmbito do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, a Senajus tem fortalecido a cooperação internacional, a recuperação de ativos e os instrumentos jurídicos que permitem atingir as estruturas financeiras do crime organizado no exterior”, afirma a secretária Maria Rosa Guimarães Loula.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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