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Projeto cria Sistema Nacional de Geocercas Rurais para segurança no campo

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Projeto que cria o Sistema Nacional de Geocercas Rurais de Segurança (Singers) propõe a integração de dados e mapas georreferenciados para ações de prevenção e combate à criminalidade no meio rural, por meio do uso de tecnologias de monitoramento territorial. De autoria do senador Jayme Campos (União-MT), a matéria (PL 6.099/2025) aguarda despacho para as comissões.

O senador explica que as geocercas virtuais funcionam como “perímetros digitais configurados em sistemas de rastreamento e monitoramento”. Para ele, a integração dessas ferramentas em um sistema nacional permitirá a criação de mapas de calor da criminalidade rural, o controle de acesso a áreas sensíveis e a geração de relatórios automáticos para subsidiar políticas públicas.

Essas ferramentas deverão operar, entre outros mecanismos, com a delimitação digital de áreas monitoradas a partir de mapas georreferenciados de propriedades rurais, zonas de conflito e rotas de transporte de carga. Também estão previstos o monitoramento em tempo real por meio de sensores, câmeras, drones e dispositivos GPS instalados em pontos estratégicos, bem como a geração automática de alertas sempre que houver movimentação considerada suspeita de pessoas, veículos ou equipamentos dentro ou fora das áreas delimitadas.

Para o senador, o projeto busca enfrentar “o crescente desafio da criminalidade no campo, especialmente em áreas de difícil acesso e baixa presença estatal”. Segundo ele, a criação do Singers permitirá que o Estado utilize tecnologias modernas para mapear e monitorar áreas rurais, promovendo ações mais eficazes e integradas entre os entes federativos.

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Pelo texto, o Singers deverá organizar, integrar e disponibilizar informações georreferenciadas para apoiar a atuação da segurança pública em áreas rurais. O sistema será coordenado pelo Poder Executivo, com a participação de órgãos de segurança pública, inclusive estaduais, e da área de reforma agrária. A iniciativa busca responder aos desafios enfrentados em regiões de difícil acesso e com baixa presença do Estado.

Entre os objetivos do sistema estão a identificação de áreas de risco e vulnerabilidade no campo, a ampliação da atuação preventiva e repressiva das forças de segurança e a integração entre os sistemas de georreferenciamento fundiário e os sistemas de inteligência policial. O projeto prevê o uso de inteligência artificial para o monitoramento territorial, além de maior agilidade na resposta a ocorrências de crimes em áreas rurais.

Para a implementação do Singers, o projeto estabelece a integração de dados georreferenciados de imóveis rurais certificados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a delimitação de geocercas virtuais em áreas estratégicas com base em critérios técnicos e estatísticos de criminalidade e o compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança pública, respeitados os princípios da legalidade, da necessidade e da proporcionalidade. O texto também prevê a capacitação de agentes públicos para o uso das tecnologias envolvidas e a celebração de convênios com entidades públicas e privadas para apoio técnico e operacional. Caberá ao Poder Executivo definir os parâmetros técnicos, operacionais e de proteção de dados pessoais.

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Jayme ressalta ainda que “a violência rural, embora subnotificada, representa uma ameaça constante à segurança de produtores, trabalhadores e comunidades do campo”, destacando que os crimes patrimoniais nessas regiões têm se intensificado. O senador cita dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), segundo os quais furtos, roubos e invasões de propriedades rurais geram prejuízos significativos e crescentes, afetando a renda dos produtores e a competitividade do setor. De acordo com o texto, a CNA também aponta a ausência de dados sistematizados e a dificuldade de obtenção de estatísticas confiáveis sobre a criminalidade no campo.

Por Bruno Augusto, sob supervisão de Patrícia Oliveira

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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