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Senadores e produtores rurais cobram solução para embargos preventivos

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Os embargos preventivos em propriedades rurais feitos a partir de imagens de satélite foram alvo de críticas nesta terça-feira (19) durante audiência na Subcomissão Temporária para Acompanhar os Embargos de Terras por Parte do Ibama (Craterras). Durante a reunião, senadores e representantes de produtores rurais pediram soluções para garantir segurança jurídica aos produtores e agilidade nos processos de regularização fundiária.

A audiência foi sugerida pelo relator do colegiado, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). No pedido (REQ 2/2025 – Craterras), ele citou a aplicação de embargos sobre propriedades rurais especialmente nos estados de Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso e Rondônia. Para Mourão, essas punições causam insegurança jurídica e impactos econômicos.

Ao abrir a audiência, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), presidente da subcomissão, afirmou que muitos produtores foram pegos de surpresa pelos embargos e que, por causa de pequenas áreas, acabam tendo toda a propriedade afetada. Por esse motivo, ficam impedidos de produzir e de obter crédito.

 — A situação desses embargos no Brasil é gravíssima e está prejudicando a produção no campo, principalmente os pequenos produtores. É uma missão nossa, do Congresso Nacional e do Senado, encontrarmos juntos alternativas para resolver essa situação.

A CRATERRAS é uma subcomissão ligada à Comissão de Agricultura (CRA). Ela foi instalada em junho.

Incêndios

O consultor jurídico Anaximandro Almeida, da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) de Mato Grosso, apontou inconstitucionalidades no decreto presidencial do ano passado que tornou mais severas as punições por incêndios florestais (Decreto 12.189, de 2024). O documento instituiu o embargo geral preventivo, que ocorre quando são registradas infrações de mesmo tipo dentro de uma mesma região. A intenção é parar a infração, impedir que os responsáveis lucrem com ela e permitir a recuperação da área.

O decreto já está sendo questionado na justiça pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Um dos problemas apontados por Anaximandro é que o decreto permite esse tipo de medida cautelar quando há “queima não autorizada de vegetação nativa”. Assim, na visão do consultor, produtores que não causaram as queimadas podem acabar sendo punidos.

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— Nós não temos uma definição de queima não autorizada. Algum produtor que sofreu incêndio não causado por ele, algo involuntário, estaria sujeito a esse dispositivo. A expressão “queima não autorizada” traz completa insegurança jurídica e possibilita embargos sem a devida análise prévia de autoria e materialidade — apontou.

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Jair Schmitt, mostrou várias imagens de satélite que embasaram embargos por desmatamento e garantiu que não há casos de embargo preventivo por queimadas desde a edição do decreto, em setembro de 2024. 

— Para tranquilizar e antecipar aqui, não existe nenhum embargo envolvendo área queimada, seja por incêndio ou qualquer outra queima não autorizada. Desde 2024, dados os grandes incêndios que acometeram o país, o Ibama tem 284 processos que envolvem apuração da responsabilidade em áreas com uso do fogo. Em todos os processos, pela particularidade daquela infração, é necessária a caracterização de materialidade, autoria, nexo causal, que são elementos que são constituídos a partir de prova pericial — explicou.

Estados

Representando a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), Alex Sandro Marega, Secretário Executivo de Meio Ambiente de Mato Grosso, afirmou que, no caso do desmatamento, as imagens de satélite são muito precisas e podem identificar de um dia para o outro uma supressão de vegetação. Já no caso de incêndios, os estados também não aplicam embargos sem antes fazer uma perícia.

Ele explicou que o produtor pode sair do embargo regularizando a sua situação no Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas muitos não fazem isso.

— Mato Grosso, hoje, é um estado que avançou bastante no seu programa de regularização ambiental. Dentro do nosso sistema, que é integrado ao sistema federal, nós temos 161 mil cadastros, dos quais 26 mil foram validados. Mas temos 21 mil cadastros analisados e aguardando o produtor cumprir as suas pendências. Também temos um total de 20 mil suspensos em razão de o produtor não ter cumprido essas solicitações e resolvido as pendências para que o CAR pudesse ser validado — disse.

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Regularização fundiária

O consultor Rodrigo Justus de Brito, da CNA, elogiou o caso de Mato Grosso, mas afirmou que não é o padrão nos estados. Ele apontou um “apagão de regularização fundiária”, porque muitas unidades da federação não têm uma equipe dedicada a analisar os cadastros, como se não tivessem essa obrigação. Com isso, os produtores não conseguem regularizar sua situação.

— Precisamos ponderar tudo isso que está acontecendo e ter um projeto: regularizar as pessoas, trazê-las para a base da dignidade, da legalidade, porque senão não vamos chegar a lugar nenhum. Vamos estar arremessando essas pessoas na ilegalidade de uma vez por todas. É isso que nós estamos fazendo — lamentou.

O consultor Thiago Rocha, da Aprosoja de Rondônia, afirmou que muitas vezes os órgãos ambientais aplicam os embargos sem respeitar a ampla defesa e o contraditório, e que buscam transformar um embargo preventivo em uma punição contra o produtor.

— Não podemos deixar esse poder de polícia com esses departamentos porque eles não sabem utilizar. Eles acabam extrapolando e avançando sobre garantias constitucionais — criticou o consultor, ao dizer que o foco deveria ser mais em instruir do que em punir.

O relator da subcomissão, senador Hamilton Mourão, afirmou que o Estado brasileiro tem uma visão de que o produtor rural é que precisa sempre provar que está certo, em vez de o Estado provar que o produtor está errado.  Para o senador, o produtor rural sempre é considerado alguém em situação irregular.

— Não é possível as pessoas continuarem anos e anos tentando colocar a sua terra na legalidade, ter capacidade de produzir, ter capacidade de criar seus filhos e o Estado brasileiro ser o grande empecilho para que isso aconteça — disse o relator.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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