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Tecnologia transforma políticas públicas e reduz criminalidade: experiências do Piauí ganham destaque nacional

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Brasília, 8/4/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) participou, nesta quarta-feira (8), do evento Uso de tecnologias em políticas públicas: o caso do Piauí, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), na capital federal.

O objetivo do encontro foi debater o papel estratégico da tecnologia na modernização da gestão pública, a partir de casos de sucesso desenvolvidos e implementados no estado do Piauí (PI), que serviram de inspiração para gestores de outras Unidades da Federação.

Participaram do encontro o secretário nacional de Segurança Pública (Senasp), Chico Lucas; o secretário nacional de Direitos Digitais (Sedigi), Victor Oliveira Fernandes; o governador do estado do Piauí, Rafael Fonteles; o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes; o deputado federal e relator do PL 2.338/2023, sobre o uso de inteligência artificial, Aguinaldo Ribeiro; e a diretora do IDP e coordenadora do Centro de Direito, Internet e Sociedade (Cedis), Laura Schertel Mendes.

Tecnologia reduz crimes e amplia eficiência na gestão pública

Como exemplo de solução digital que aprimorou políticas públicas, ao fortalecer a governança, a tomada de decisão baseada em dados e a entrega de resultados, o secretário Chico Lucas destacou projetos como o Meu Celular de Volta, implementado em 2023.

A iniciativa se tornou referência nacional ao combater crimes patrimoniais por meio de uma rede de inteligência que automatiza o rastreamento, a identificação e a recuperação de aparelhos, utilizando a tecnologia para desestimular o mercado ilegal.
O número de roubos de celulares no Piauí foi reduzido em 88%, segundo dados de abril de 2026. Mais de 15 mil aparelhos foram recuperados e devolvidos aos proprietários.

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“Quem compra celular roubado habilita uma nova linha. Fomos atrás desse consumidor, por WhatsApp, e informamos sobre a ocorrência do roubo. A não devolução do aparelho pode configurar crime de receptação. Com isso, mais de 60% dos celulares foram devolvidos espontaneamente”, enfatizou Chico Lucas.

Iniciativas estaduais com ganho de escala como esta serviram de referência para outros programas, como é o caso do Celular Seguro, do MJSP, criado para reduzir os prejuízos decorrentes de roubo, furto ou perda de celulares, ao tornar os aparelhos sem utilidade para os criminosos e dificultar a revenda no mercado informal. As mudanças nos processos e a integração de dados transformaram o combate ao crime patrimonial e serviram de modelo para novas diretrizes nacionais.

O B.O. Fácil, outro projeto desenvolvido pela SSP-PI em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), permite o registro de boletins de ocorrência, denúncias anônimas e acionamento ao 190 para emergências, tudo via WhatsApp. Desde a sua criação, em junho de 2025, mais de 85 mil atendimentos foram realizados no estado.

Na área de segurança pública, o Sistema de Policiamento por Inteligência Artificial (SPIA) é outro exemplo de iniciativa de videomonitoramento inteligente e integrado, com o objetivo de antecipar crimes, realizar cercos eletrônicos e garantir resposta imediata das forças de segurança no estado. Ao todo, 629 postes inteligentes, em Teresina e Parnaíba, estão sendo equipados com mais de 1.200 câmeras, com investimento superior a R$ 23 milhões. O foco na obtenção de respostas mais rápidas e precisas se reflete nos números: houve aumento de 222,22% na atuação do SPIA.

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Já na área da saúde, desde 2023, o Piauí Saúde Digital – atualmente presente em 224 municípios – realizou 1,5 milhão de atendimentos em teleconsultas e telediagnósticos, com 80% de resolutividade nos atendimentos remotos. As filas de espera foram reduzidas, inclusive para consultas com médicos especialistas. O atendimento remoto, por aplicativos ou salas de telemedicina, funciona 24 horas, e estados como Amazonas (AM), Alagoas (AL) e Pará (PA) já adotaram a iniciativa.

O governador do Piauí explicou o funcionamento do sistema. “É como se fosse um plano de saúde disponível gratuitamente para a população e que custa aos cofres do estado menos de R$ 5 por mês por habitante. É uma ferramenta poderosa de escala e de baixo custo”.

O evento reforçou o compromisso do Governo Federal em transformar o Brasil em protagonista global na inteligência aplicada à segurança pública.

No âmbito do STF, o ministro Gilmar Mendes detalhou o enfrentamento relacionado a medicamentos não incorporados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Plataforma Nacional de Saúde foi construída sob uma governança comum e colaborativa entre entes federativos e o Poder Judiciário.

“A ferramenta visa corrigir falhas de padronização técnica e a falta de coordenação, funcionando como indutora de políticas públicas, com potencial de redução da judicialização”, disse o ministro.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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