Saúde

Primeiro Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA é implementado no Brasil com o apoio do Ministério da Saúde

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Durante a pandemia de Covid-19 a tecnologia de RNA, que “ensina” o sistema imunológico a se defender de doenças, ganhou visibilidade mundial e mostrou seu potencial para transformar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos. Agora, o Ministério da Saúde fortalece a capacidade nacional de desenvolvimento dessa tecnologia com a implementação do primeiro Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA). A oficialização foi realizada nesta segunda-feira (31/08), em Belo Horizonte (MG). 

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a pasta e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), com o aporte de R$ 60 milhões. A unidade será coordenada pelo Centro de Tecnologias de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Durante a cerimônia de implementação do CTV-RNA, o secretário adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS), Eduardo Jorge Valadares, destacou iniciativas do Ministério da Saúde voltadas ao fortalecimento do Complexo Econômico do Ministério da Saúde, que buscam construir no Brasil uma plataforma de ciência e inovação com apoio direto de empresas de base tecnológica e produtiva, capazes de transformar os resultados das pesquisas em inovação para o SUS. 

“A ciência brasileira é tida como uma das melhores do mundo. A nossa dificuldade tem sido transformar a pesquisa em acesso, pesquisa em produto disponível para o cidadão. Essa iniciativa vai possibilitar superarmos esse desafio e, ainda, vamos consolidar as empresas de base tecnológica ”, afirmou. 

Eduardo Jorge lembrou também que, “em nenhuma sociedade com grande desenvolvimento tecnológico existe um modelo em que indústria, academia e governo estejam desassociados. Com a criação deste Centro de Competência, o fomento e o apoio do Ministério, além da simplificação dos processos burocráticos para a execução dos recursos, acredito que podemos consolidar essa base produtiva”. 

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Do laboratório ao SUS

A implementação do CTV-RNA está diretamente ligada aos objetivos do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde (PNIRS), agenda estratégica do Ministério da Saúde para fortalecer a pesquisa e a inovação e preparar o SUS para o futuro. A iniciativa aproxima universidades, centros de pesquisa, empresas e startups, acelerando o desenvolvimento de tecnologias estratégicas e sua transformação em soluções para o SUS. 

A pasta mantém 17 projetos em andamento na UFMG que somam R$ 54,59 milhões e abrangem áreas como pesquisa pré-clínica e clínica, genômica e saúde de precisão. Já no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) são três projetos que somam R$ 21 milhões. Entre as iniciativas estão estudos para o desenvolvimento de plataformas vacinais de RNA contra chikungunya e estratégias baseadas em RNA para doença de Chagas, leishmaniose e malária. 

De acordo com a professora da UFMG e coordenadora do CTV-RNA, Santuza Teixeira, o calendário de vacinas no Brasil é muito robusto, mas as tecnologias ainda chegavam de fora. Segundo ela, a pandemia mostrou a importância de ter uma estrutura no país para dar conta das demandas do SUS. “A UFMG já vinha trabalhando com a plataforma de RNA desde a época da Covid. Agora, nós temos uma vacina de RNA em estágio relativamente avançado para a infecção de malária, que não vai ser desenvolvida em nenhum outro lugar do mundo, além de uma vacina de RNA para a dengue”, informou Santuza. 

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Integração pesquisa e desenvolvimento

Além do novo Centro de Competência lançado na UFMG, a parceria entre o Ministério da Saúde e a Embrapii conta com outras frentes relacionadas a ações de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação para o SUS. O investimento total está na ordem de R$ 210 milhões aplicados em infraestrutura, formação e capacitação de pessoal. 

Em 2026, foram anunciados R$ 30 milhões para a ampliação da rede de Unidades Embrapii em projetos que envolvem o credenciamento de seis novas unidades: uma no Paraná, uma em Goiás, duas em São Paulo e duas no Ceará. Essas unidades devem desenvolver projetos em parceria com empresas industriais atuando em estágios intermediários de maturidade tecnológica, ou seja, quando deixam o ambiente acadêmico e avançam para testes, validação e aplicação no mercado. 

O diferencial do CTV-RNA em Minas Gerais é ser o primeiro Centro de Competência dedicado a terapias e vacinas com RNA/mRNA, de acordo com o Diretor de Operações da Embrapii, Marcelo Prim.  “O primeiro centro de competências em tecnologias de RNA mensageiro é fundamental. Isso passa pela soberania nacional, pelo país ter tecnologia nacional para dar respostas a epidemias, mas também por tratarmos de outras terapias e doenças importantes para o SUS e para toda a população brasileira”, afirmou. 

Janine Russczyk
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Brasil e México avançam na cooperação em saúde entre os dois países

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Durante visita ao México nesta segunda-feira (21), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e membros da comitiva técnica brasileira reuniram-se com o secretário de Saúde do país, David Kershenobich, para discutir o fortalecimento da cooperação entre os dois países na área da saúde. Entre os temas tratados está o aprofundamento do acordo entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários (Cofepris), que prevê agilizar o registro de medicamentos no México a partir das avaliações realizadas pela agência brasileira.

“Um ponto muito importante para nós é o acordo que vem sendo construído entre a Anvisa e a agência mexicana. Queremos avançar cada vez mais na reciprocidade e em regras sanitárias e regulatórias comuns e criar um ambiente em que a produção nacional possa crescer nos dois países”, disse Padilha.

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Foto: Walterson Rosa/MS 

O instrumento prevê, por iniciativa unilateral da autoridade mexicana, uma via regulatória mais rápida baseada nas avaliações e decisões da Anvisa. Na prática, a autoridade mexicana passa a reconhecer formalmente as decisões da Anvisa no registro de medicamentos: se a Anvisa já aprovou um medicamento no Brasil, o México pode usar essa análise como base para acelerar seu próprio registro, em vez de refazer todo o processo. O prazo máximo para a decisão da autoridade mexicana passa a ser de 45 dias úteis.

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A medida estabelece parâmetros para a cooperação regulatória entre as duas agências. Desde 2025, a Cofepris considera a Anvisa como autoridade de referência em processos relacionados ao registro e à inspeção de dispositivos médicos, além do reconhecimento já existente na área de inspeção de medicamentos. As medidas permitem o aproveitamento de avaliações regulatórias realizadas pela agência brasileira em processos conduzidos no México.

Parceria Anvisa e Cofepris

Em agosto do ano passado, durante missão ao país, foi assinado um novo memorando de entendimento entre as agências, com medidas de cooperação regulatória.

Em abril de 2026, o secretário de Saúde do México, David Kershenobich, visitou o Brasil acompanhado do comissionado da Cofepris. Na ocasião, foram discutidos aspectos relacionados ao reconhecimento das avaliações realizadas pela Anvisa.

Em 2 de setembro, a Cofepris publicou novas diretrizes para medicamentos, que preveem uma via de registro no México baseada nas análises da Anvisa, com prazo de decisão de até 45 dias úteis, desde que atendidos os requisitos estabelecidos.

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Comitiva brasileira no México

Até 23 de setembro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e outros integrantes do Ministério da Saúde cumprem missão oficial no México para dar seguimento ao Memorando de Entendimento em saúde, assinado em Brasília em 8 de abril.

A agenda inclui a apresentação do Plano de Trabalho Brasil–México 2026–2027, a cooperação regulatória entre Anvisa e Cofepris, a cooperação em vacinas de mRNA entre Fiocruz e Birmex e o diálogo entre os setores produtivos dos dois países.

A experiência brasileira com o Sistema Único de Saúde (SUS) também integra a agenda. O México trabalha na construção de um sistema universal de saúde e tem interesse em conhecer o modelo brasileiro. Com cerca de 133 milhões de habitantes, o país estrutura um sistema que, quando implantado, será o segundo maior sistema público de saúde do mundo, atrás do SUS.

Minane Ribeiro
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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