Agronegócio

Brasil mostra ao mundo que é possível ser potência agrícola e ambiental ao mesmo tempo

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A reportagem de capa da edição de agosto da Revista Pensar Agro joga luz sobre um dos maiores paradoxos da agricultura global: como o Brasil consegue ser, ao mesmo tempo, uma das maiores potências agrícolas do planeta e o país que mais preserva vegetação nativa entre os grandes produtores de alimentos. O relatório ressalta que, enquanto Índia, Estados Unidos, China e Rússia concentram as maiores áreas cultivadas, é o Brasil que apresenta um modelo único, baseado em alta produtividade em espaço relativamente reduzido e na manutenção de vastas áreas de conservação.

De acordo com dados sistematizados por agências internacionais como FAO, USDA e NASA, o Brasil cultiva cerca de 65 milhões de hectares, o que o coloca entre os cinco maiores do mundo. A diferença está na proporção: o país utiliza menos de 8% do território nacional para lavouras, preservando mais de 66% de vegetação nativa. Isso contrasta com países europeus, que chegam a destinar até 65% de suas terras à agricultura, após séculos de conversão de ecossistemas originais.

Esse arranjo, que parece improvável aos olhos de estrangeiros, é garantido por um tripé: legislação ambiental rígida, fiscalização tecnológica e pesquisa agrícola de ponta. O Código Florestal obriga produtores a manter reservas legais que chegam a 80% das propriedades na Amazônia, além de áreas de preservação permanente em rios, nascentes e encostas. O cumprimento dessas normas é acompanhado pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR) e por imagens de satélite em tempo quase real. Em média, metade da área das 7,4 milhões de propriedades rurais brasileiras permanece preservada – algo inédito entre grandes produtores.

Outro fator-chave foi a revolução tecnológica conduzida pela Embrapa desde os anos 1970. A transformação do Cerrado em um celeiro agrícola mundial é o exemplo mais emblemático: solos antes ácidos e improdutivos se tornaram aptos ao cultivo de soja, milho e algodão. O plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a recuperação de pastagens degradadas consolidaram práticas que elevam a produtividade e reduzem a pressão sobre novas áreas. Hoje, mais de 17 milhões de hectares já estão sob sistemas integrados, com meta de alcançar 40 milhões até 2030.

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Os resultados são claros. Em 1970, o Brasil produzia 30 milhões de toneladas de grãos. Na safra 2025/2026, a projeção do IBGE é de 336,2 milhões de toneladas, com a soja respondendo por 167 milhões, o milho por 120 milhões e o café por 3,2 milhões de toneladas – todos em patamares de liderança global. Essa escalada produtiva ocorreu sem que o país replicasse o modelo europeu de conversão maciça de ecossistemas, mas sim intensificando o uso de áreas já abertas.

O cenário internacional, contudo, impõe novos testes. De um lado, tarifas norte-americanas sobre produtos agrícolas brasileiros pressionam a competitividade, embora representem apenas 1,5% das exportações totais do setor. De outro, a União Europeia passou a exigir rastreabilidade completa em cadeias como soja, carne e café, dentro do regulamento de desmatamento zero (EUDR), que entrará em vigor no fim deste ano. Tais barreiras, embora desafiadoras, encontram no Brasil condições técnicas e legais para serem enfrentadas. O monitoramento por satélite e a conformidade ambiental já se tornaram diferenciais competitivos para os produtores.

Isan Rezende

Ao mesmo tempo, cresce o reconhecimento do papel dos agricultores como provedores de serviços ambientais. A manutenção de reservas nativas em propriedades privadas assegura regulação climática, conservação da biodiversidade e equilíbrio hídrico – benefícios cada vez mais valorizados em programas de pagamento por serviços ambientais.

O futuro coloca o Brasil numa posição singular: é o maior exportador mundial de soja, café, carne bovina e suco de laranja, está entre os líderes em milho, algodão e frango, e preserva mais de dois terços de seu território. Essa combinação faz do país não apenas uma potência agrícola, mas um laboratório vivo de sustentabilidade em escala continental.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT) lembra que ao unir ciência, inovação e rigor legal, o Brasil mostra que é possível alimentar milhões sem repetir o caminho da devastação ambiental que marcou outros gigantes agrícolas.

“Quando olhamos para os números, percebemos que o Brasil construiu um modelo agrícola que o mundo ainda não entendeu por completo. Somos um dos maiores produtores globais de alimentos e, ao mesmo tempo, preservamos mais de dois terços do nosso território. Isso é algo inédito entre os grandes players do agro. Enquanto muitos países avançaram sobre suas florestas para aumentar a produção, aqui nós conseguimos crescer em produtividade sem repetir esse caminho”.

“O Código Florestal e o sistema de monitoramento por satélite colocaram o produtor brasileiro em um patamar diferente. Cada fazenda funciona como uma engrenagem de produção e conservação. O agricultor não é só responsável por grãos, carne, fibras e energia, ele também preserva rios, nascentes e reservas nativas dentro da sua própria propriedade. Isso precisa ser reconhecido como parte da contribuição que o Brasil oferece para a segurança alimentar e ambiental do planeta”, lembra Rezende.

“O desafio agora é transformar essa vantagem em diferencial competitivo. A pressão de tarifas dos Estados Unidos e a exigência de rastreabilidade da União Europeia mostram que a disputa comercial passa pela questão ambiental. Só que o Brasil já está preparado: temos tecnologia, legislação e conformidade para provar a sustentabilidade da nossa produção. Essa é a narrativa que precisamos levar para fora — que o agro brasileiro é produtivo, moderno e, sobretudo, ambientalmente responsável”, completa o presidente.

Abaixo você lê esta reportagem e muito mais:

A versão em português clique aqui.

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Fonte: Pensar Agro

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El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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