Agronegócio

Concessões florestais reduzem desmatamento e impulsionam geração de renda na Amazônia, aponta estudo

Publicado em

Um estudo inédito conduzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a consultoria Systemiq, com apoio do UK PACT (UK Partnering for Accelerated Climate Transitions), comprovou a efetividade das concessões florestais federais na Amazônia Legal.

De acordo com o levantamento, divulgado em 19 de novembro, durante evento paralelo à COP 30, em Belém (PA), as florestas sob concessão geraram R$ 240 milhões em recursos públicos, aumento de 62% no número de empregos e 27% na massa salarial do setor, além de conterem o desmatamento a apenas 2% de suas áreas totais.

Modelo alia conservação ambiental e desenvolvimento econômico

O relatório, intitulado “Concessões Florestais Federais na Amazônia Legal: Avanços socioeconômicos e ambientais em quase 20 anos de política pública”, apresenta evidências concretas de que as concessões são um instrumento eficaz de política ambiental e econômica.

Segundo Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora, o estudo demonstra como a gestão pública eficiente e o investimento sustentável podem atuar como motores de uma economia de baixo carbono.

“As concessões florestais mostram que é possível unir conservação ambiental, geração de emprego, fortalecimento da bioeconomia e respeito às comunidades locais”, afirma Sobral.

Análise de dados comprova resultados positivos

A pesquisa utilizou dados administrativos, geoespaciais e técnico-operacionais de plataformas públicas como Prodes e Simex, além de entrevistas e evidências documentais. O resultado, segundo o diretor de Concessões Florestais do SFB, Renato Rosenberg, reforça o potencial do modelo para o futuro:

“As concessões florestais são uma solução baseada na natureza e comprovam o potencial do Brasil como liderança climática. O desafio agora é expandir o modelo e atrair novos investimentos, garantindo mais empregos e renda com conservação”, destaca Rosenberg.

Ele também ressalta a importância de estimular o processamento da madeira nos municípios concessionados, o que pode diversificar a economia local, aumentar o PIB municipal e ampliar a arrecadação pública.

Leia Também:  Clima favorece florada e mantém preços firmes na colheita de citros no RS
Florestas concessionadas somam mais de 3,5 milhões de hectares na Amazônia

O estudo analisou oito Florestas Nacionais (Flonas), totalizando 3,57 milhões de hectares, dos quais 1,25 milhão (35%) são áreas concedidas à iniciativa privada para manejo florestal sustentável.

Os indicadores socioeconômicos, como emprego e massa salarial, foram comparados entre 772 municípios com e sem concessões ativas, revelando impactos expressivos nas regiões beneficiadas.

Produção legal e rastreável quadruplica em relação a municípios sem concessão

Desde a criação das concessões federais, em 2010, até 2023, foram colocados no mercado 2,5 milhões de metros cúbicos de madeira de origem legal e rastreável, extraídos sob manejo sustentável, preservando a floresta em pé. Esse volume é quatro vezes maior do que o registrado em municípios sem concessão.

Entre 1988 e 2024, apenas 2% do território das Flonas concedidas sofreram desmatamento, e 92% desse desmate ocorreu fora das áreas sob concessão, o que reforça o papel do manejo sustentável como barreira ao avanço das atividades ilegais e predatórias.

Geração de emprego e renda fortalece economias locais

As concessões florestais federais contribuíram diretamente para o crescimento do emprego formal nas regiões amazônicas. Em 75% das áreas estudadas, houve aumento de 62% no número de empregos e 27% na massa salarial.

Leia Também:  Ministro André de Paula recebe presidente da Indústria Brasileira de Árvores

Somente em 2023, foram gerados 1.616 empregos diretos e 3.232 indiretos, totalizando 4.848 postos de trabalho, o que representa 7,5% dos vínculos formais nas localidades com concessões ativas.

Mais de R$ 240 milhões arrecadados com concessões florestais

Entre 2010 e 2025, o poder público arrecadou R$ 240,4 milhões com as concessões florestais, sendo R$ 40,5 milhões apenas em 2024, o maior valor anual registrado.

Desse montante, R$ 62 milhões foram repassados diretamente a estados e municípios onde estão localizadas as concessões, com planos de aplicação participativos para garantir o uso social dos recursos.

Um exemplo é o município de Terra Santa (PA), que utilizou R$ 294 mil para estruturar sua Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mineração (SEMMAM). Além disso, R$ 6,26 milhões foram arrecadados por meio do Indicador Social, mecanismo de redistribuição de renda.

Entre 2015 e 2024, R$ 4,91 milhões desse total foram aplicados em infraestrutura para comunidades locais, incluindo melhorias em transporte, energia solar, educação ambiental e cadeias produtivas sustentáveis.

Conclusão: modelo de sucesso com potencial de expansão

O estudo reforça que as concessões florestais federais têm se mostrado um modelo eficiente de desenvolvimento sustentável, combinando conservação, inclusão social e geração de receita pública.

Com resultados concretos na redução do desmatamento e fortalecimento da economia florestal, a ampliação dessas políticas pode consolidar o Brasil como referência global em gestão sustentável de florestas.

Acesse o estudo e o infográfico:

Estudo completo — Infográfico

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Agronegócio

El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

Published

on

O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

Leia Também:  Mercados globais iniciam semana em alta com balanços corporativos e decisões monetárias no radar

 

Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

BOA VISTA

RORAIMA

POLICIAL

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA