Agronegócio

Crise de fertilizantes expõe dependência do Brasil e impulsiona microalgas como alternativa sustentável

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A crise no abastecimento global de insumos agrícolas voltou ao centro das atenções em 2026, após o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de fertilizantes. O episódio escancarou uma fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro: a forte dependência de importações para sustentar a produção no campo.

Atualmente, entre 85% e 90% dos fertilizantes utilizados no Brasil vêm do exterior, o que coloca o país na posição de maior importador global desses insumos. O estreito concentra cerca de 40% do fluxo mundial de ureia, além de volumes relevantes de amônia e fosfatos — tornando-se um ponto crítico para a segurança produtiva nacional.

Dependência externa pressiona custos e decisões no campo

Diferentemente da crise registrada em 2022, o cenário atual combina alta nos custos dos fertilizantes com margens já pressionadas para os produtores. A disponibilidade interna também preocupa: os estoques nacionais cobrem apenas de dois a três meses de demanda, com parte já comprometida por contratos futuros.

Esse contexto aumenta a incerteza para a safra 2026/27, especialmente porque as decisões de compra de insumos precisam ser tomadas com antecedência. A indefinição logística e o encarecimento do frete internacional dificultam o planejamento e podem impactar diretamente o plantio.

Além disso, rotas alternativas — como o desvio pelo Cabo da Boa Esperança — elevam o tempo de entrega em mais de 50%, pressionando ainda mais os custos operacionais.

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Microalgas avançam como alternativa nacional

Em meio à crise, tecnologias baseadas em bioinsumos ganham protagonismo. Entre elas, destacam-se as microalgas, organismos fotossintetizantes capazes de concentrar nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo, aminoácidos e carboidratos.

Quando processadas, essas substâncias atuam como biofertilizantes e bioestimulantes, promovendo o desenvolvimento das plantas, aumentando a eficiência na absorção de nutrientes e elevando a resistência a estresses climáticos — sem depender da cadeia internacional de suprimentos.

Estudos recentes conduzidos no Brasil indicam viabilidade técnica e econômica da aplicação dessas soluções. Testes realizados em culturas como milho, café, banana e hortaliças mostraram ganhos em desenvolvimento vegetal e saúde do solo, com custos competitivos em relação aos fertilizantes convencionais.

Redução de custos e sustentabilidade no radar

Os fertilizantes representam uma parcela significativa dos custos de produção agrícola — chegando a até 50% no milho e 40% na soja. Nesse contexto, alternativas que reduzam a dependência externa são estratégicas para o setor.

O Plano Nacional de Fertilizantes estabelece a meta de reduzir em 50% a dependência internacional até 2050. Os bioinsumos, incluindo os derivados de microalgas, estão entre as principais apostas para atingir esse objetivo.

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Além do uso agrícola, a biomassa de microalgas também tem aplicações na pecuária, como aditivo na alimentação animal para redução das emissões de metano e melhoria na conversão alimentar.

Mercado de bioinsumos cresce em ritmo acelerado

A busca por soluções sustentáveis e resilientes tem impulsionado o mercado global de bioinsumos, avaliado em US$ 14,7 bilhões em 2023. A expectativa é de crescimento superior a 12% ao ano até 2030, impulsionado por fatores como:

  • Pressão sobre fertilizantes sintéticos
  • Necessidade de descarbonização do agro
  • Maior demanda por eficiência produtiva
  • Avanços em biotecnologia aplicada
  • Segurança produtiva exige diversificação

A crise atual reforça a necessidade de diversificação das fontes de insumos agrícolas no Brasil. A dependência de um sistema global altamente concentrado expõe o setor a riscos logísticos, geopolíticos e econômicos.

Nesse cenário, soluções nacionais baseadas em biotecnologia, como as microalgas, deixam de ser apenas uma alternativa e passam a integrar a estratégia de segurança produtiva do agronegócio brasileiro.

O avanço dessas tecnologias pode representar não apenas redução de custos, mas também maior autonomia, sustentabilidade e competitividade para o país no cenário global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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