Agronegócio

Dólar forte, clima extremo e geopolítica devem definir mercado das commodities no segundo semestre, aponta StoneX

Publicado em

O mercado global de commodities deve enfrentar um segundo semestre marcado por alta volatilidade, dólar fortalecido, incertezas geopolíticas e riscos climáticos, segundo a nova edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX.

O estudo aponta que os principais vetores para os preços internacionais no terceiro trimestre de 2026 serão os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio, a manutenção de políticas monetárias restritivas nas principais economias, o comportamento da moeda norte-americana e a possibilidade de ocorrência de um evento climático de grande intensidade associado ao fenômeno El Niño.

Elaborado pela equipe de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, em colaboração com especialistas internacionais da empresa, o relatório reúne projeções para os mercados de grãos e oleaginosas, fertilizantes, energia, soft commodities, metais e câmbio, oferecendo uma visão integrada dos fatores que podem afetar custos, margens e decisões estratégicas das cadeias produtivas.

Clima nos Estados Unidos será fator decisivo para preços agrícolas

No mercado de grãos e oleaginosas, a StoneX avalia que, apesar de um cenário confortável de oferta no curto prazo, as cotações devem permanecer altamente dependentes do desenvolvimento das lavouras norte-americanas.

O início do verão nos Estados Unidos, marcado por temperaturas elevadas em importantes regiões produtoras, aumentou a preocupação dos agentes do mercado sobre possíveis impactos na produtividade das culturas.

A atenção está concentrada principalmente sobre as condições das lavouras de soja e milho, já que qualquer redução no potencial produtivo da safra americana pode alterar o equilíbrio global de oferta e demanda.

Além do clima, os custos de produção continuam no radar dos produtores. A valorização dos fertilizantes e da energia pode influenciar decisões de plantio para a próxima temporada no Hemisfério Sul.

Fertilizantes devem encontrar novo equilíbrio com retomada da oferta

No segmento de fertilizantes, a StoneX aponta que a retomada das exportações chinesas de ureia e a redução das tensões no Oriente Médio podem contribuir para um ambiente mais favorável aos compradores.

Leia Também:  Ainda atrasado, plantio da soja no Brasil chega a 83,33%

Entretanto, a recuperação deverá ocorrer de maneira desigual entre os diferentes nutrientes.

Os fertilizantes nitrogenados devem continuar sustentados pela demanda internacional, principalmente de grandes consumidores como Brasil e Índia.

Já os fosfatados permanecem sob pressão devido às limitações na oferta de enxofre e aos custos ainda elevados de produção, mantendo o mercado atento aos movimentos internacionais.

Petróleo segue pressionado por conflitos e recuperação gradual da oferta

No setor energético, a guerra envolvendo o Irã continua como um dos principais fatores de risco para o mercado de petróleo.

Apesar da recente acomodação dos preços, a recuperação da oferta global ocorre em ritmo gradual, enquanto a demanda permanece apoiada pelo crescimento do consumo asiático e pela atividade elevada das refinarias norte-americanas.

Segundo a StoneX, esse equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda pode manter o petróleo sujeito a oscilações importantes durante o segundo semestre.

Café, açúcar, algodão e cacau terão comportamentos diferentes

Entre as chamadas soft commodities, o relatório destaca cenários distintos para cada mercado.

No algodão, a combinação entre menor produção mundial e recuperação da demanda asiática pode oferecer suporte às cotações.

No café, a entrada da safra recorde brasileira tende a ampliar a disponibilidade global e pressionar os preços, mas estoques reduzidos, atrasos na colheita e riscos climáticos continuam funcionando como fatores de sustentação.

Para o açúcar, a StoneX aponta que a oferta confortável do Centro-Sul brasileiro deve limitar altas mais expressivas, enquanto o mercado de cacau começa a apresentar sinais de maior equilíbrio com a recuperação da produção na África Ocidental.

Mesmo assim, a volatilidade permanece como característica predominante nos mercados agrícolas.

Metais acompanham juros, dólar e transição energética

Nos metais preciosos, ouro e prata continuam sensíveis ao ambiente geopolítico e às decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.

A política monetária norte-americana seguirá sendo um dos principais elementos para determinar o fluxo de investimentos nesses ativos.

Leia Também:  Preços dos fertilizantes seguem sustentados com oferta limitada e custos elevados no mercado global

Já os metais industriais encontram suporte na expansão de setores ligados à inteligência artificial, transição energética e formação de estoques estratégicos.

Por outro lado, juros elevados, dólar valorizado e sinais de desaceleração da economia global podem limitar avanços mais fortes nos preços.

Dólar forte deve influenciar commodities e custos no Brasil

No mercado cambial, a StoneX avalia que o diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil continuará sendo um dos principais fatores de influência sobre o dólar.

A possibilidade de manutenção dos juros americanos em níveis elevados, combinada com expectativas de redução da taxa Selic brasileira, tende a favorecer a valorização da moeda norte-americana frente ao real.

Esse movimento pode impactar diretamente os mercados agrícolas brasileiros, influenciando custos de produção, preços de exportação e formação das cotações internas.

“O fortalecimento do dólar e a perspectiva climática para a safra 2026/27 são dois temas que merecem atenção especial neste trimestre, pois podem gerar impactos relevantes sobre custos, margens e formação de preços nas diferentes cadeias de commodities”, destacou Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX.

Commodities entram no segundo semestre com cenário de maior risco

Com mercados influenciados simultaneamente por clima, juros, câmbio e geopolítica, a expectativa é de um período de maior volatilidade para as commodities globais.

A StoneX reforça que empresas, produtores e participantes das cadeias produtivas precisarão acompanhar de perto os indicadores internacionais para identificar riscos e oportunidades em um ambiente de rápidas mudanças.

Publicado desde 2015, o Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities reúne análises da equipe de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil com participação de especialistas dos Estados Unidos, China, Reino Unido, Argentina e Paraguai, oferecendo uma visão estratégica sobre os principais mercados globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Agronegócio

El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

Published

on

O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

Leia Também:  Plantio da safrinha de milho 2026 alcança 91% no Centro-Sul, mas estiagem no Paraná acende alerta

 

Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

BOA VISTA

RORAIMA

POLICIAL

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA