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El Niño deve retornar em 2026 com intensidade moderada a forte e ampliar riscos climáticos no Brasil

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O fenômeno climático El Niño deve se formar novamente em 2026 e pode ter impactos expressivos no clima brasileiro, com previsão de ondas de calor prolongadas, chuvas irregulares e aumento de temporais severos no Sul do país. A informação é da Climatempo, que alerta para um cenário semelhante ao registrado em 2023, quando o evento contribuiu para temperaturas recordes e instabilidade intensa em diversas regiões.

Fenômeno climático se intensifica a partir de maio

As análises meteorológicas indicam que os primeiros sinais do El Niño devem surgir a partir de maio, com o fenômeno ganhando força entre agosto e outubro. Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio, da Climatempo, há grande probabilidade de o evento atingir intensidade moderada a forte, influenciando o regime de chuvas e temperaturas em praticamente todo o território nacional.

“Possivelmente, o El Niño este ano terá um início acelerado, e a expectativa é de que seja, no mínimo, um evento climático com intensidade de moderada a forte”, afirma Lucyrio.

O especialista destaca ainda que os anos de 2023 e 2024 foram os mais quentes da história recente, marcados pela presença do fenômeno e pelo aumento da frequência de temporais severos no Brasil e no mundo.

Efeitos esperados sobre o clima brasileiro

O El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que provoca mudanças significativas nos padrões de temperatura e precipitação. Para 2026, a Climatempo projeta que o fenômeno trará uma combinação de chuvas irregulares e calor extremo, com os seguintes efeitos previstos:

  • Sul do Brasil: maior volume de chuva, aumento de temporais e risco de enchentes;
  • Norte e Nordeste: redução das chuvas e possibilidade de seca severa, especialmente na Amazônia e no interior nordestino;
  • Centro-Oeste e Sudeste: períodos de tempo seco prolongado, alternando com pancadas isoladas e mal distribuídas de chuva;
  • Interior do país: maior incidência de ondas de calor longas e intensas, com impactos sobre a agricultura e o abastecimento de água.
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Lucyrio reforça que o aquecimento do oceano e da atmosfera aumenta a energia disponível para a formação de tempestades, o que eleva o risco de eventos climáticos extremos durante o segundo semestre.

Calor intenso e invernos mais curtos

As previsões indicam que o período mais frio de 2026 deve se concentrar entre maio e junho, com incursões de ar polar mais amplas. No entanto, a partir de julho, com o fortalecimento do El Niño, essas massas de ar frio devem perder intensidade, abrindo espaço para extremos de calor e estiagem prolongada no final do inverno e na primavera.

“A tendência é termos extremos de calor e tempo seco a partir do final do inverno e a primavera de 2026”, explica Lucyrio.

Essa condição deve se assemelhar ao que foi observado em 2023, quando grandes partes do interior do país registraram sucessivas ondas de calor e escassez de chuvas regulares.

Sul deve enfrentar temporais e instabilidade frequente

Enquanto o interior do país sofre com o calor e a seca, o Sul do Brasil tende a ficar mais nublado e tempestuoso já no inverno. A Climatempo prevê aumento expressivo de chuvas abrangentes, enchentes e temporais intensos, com formação de Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs) — sistemas de tempestades de grande extensão que podem causar danos significativos.

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Parte dessa instabilidade poderá avançar também para Mato Grosso do Sul e São Paulo, especialmente entre a primavera e o início do verão.

Impactos sobre rios e produção agrícola

Na Amazônia, o comportamento dos rios deve seguir um padrão de cheia mais intensa em 2026, seguida por vazante acentuada. Embora ainda seja cedo para confirmar possíveis prejuízos à navegabilidade, há expectativa de longos períodos de calor e tempo seco na região, o que pode afetar o transporte fluvial e o equilíbrio hídrico.

O meteorologista alerta ainda que o início do período úmido poderá ser irregular, com chuvas esparsas entre agosto e setembro em áreas como Brasil Central, sudeste do Pará, Minas Gerais e interior do Nordeste. Essas pancadas, no entanto, não significam retorno das chuvas regulares e podem ser insuficientes para repor a umidade do solo e dos reservatórios, aumentando o risco de problemas no abastecimento e na geração de energia hidrelétrica.

Monitoramento contínuo e alertas preventivos

A Climatempo continuará monitorando o avanço do El Niño por meio de seu modelo proprietário CT2W, que integra dados de diferentes sistemas meteorológicos globais, e do Sistema de Monitoramento e Alerta (SMAC), voltado à emissão de alertas em tempo real.

Essas ferramentas auxiliam governos, empresas e produtores rurais no planejamento estratégico e na tomada de decisões preventivas diante das mudanças climáticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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