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Expansão do Etanol de Milho no Brasil Pode Redefinir o Setor Sucroenergético e Pressionar Preços Globais do Açúcar, Aponta Rabobank

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Expansão do Etanol de Milho Muda Estrutura do Setor Energético no Brasil

O mercado de etanol brasileiro vive um momento de transformação estrutural, impulsionado pela rápida expansão da produção de etanol de milho, segundo relatório do RaboResearch, unidade de pesquisa do Rabobank, intitulado “Corn ethanol in Brazil – Yellow alert for sugar?”.

De acordo com o estudo, o ritmo acelerado dos novos investimentos no setor deve levar a um excedente de oferta nos próximos anos, o que pode pressionar os preços internos, reduzir a rentabilidade das usinas e impactar diretamente a produção global de açúcar.

“Há uma mudança estrutural em curso. A expansão da capacidade produtiva de etanol de milho pode gerar desequilíbrio no mercado e afetar as decisões das usinas em relação ao açúcar”, explica Andy Duff, analista de açúcar, cana e etanol do Rabobank.

Produção Nacional Deve Bater Recordes e Aumentar Concorrência Interna

A produção brasileira de etanol de milho deve crescer 16% na safra 2025/26, atingindo 9,5 bilhões de litros, segundo o Rabobank. A projeção indica que, até 2028, a capacidade nacional poderá chegar a 16 bilhões de litros, ultrapassando 20 bilhões no início da década de 2030.

Esse avanço, embora positivo do ponto de vista industrial, pode provocar excesso de oferta e redução de margens, especialmente diante da estagnação no consumo doméstico.

O Rabobank prevê que o consumo de combustíveis do ciclo Otto (veículos leves) crescerá cerca de 2% ao ano, quando o necessário para equilibrar o aumento da produção seria 4% anuais.

“O Brasil caminha para uma superoferta estrutural. Se o consumo não acompanhar a expansão, haverá impacto direto nos preços e na rentabilidade”, alerta o estudo.

Preço da Gasolina e Política Energética Afetam o Etanol

O relatório também destaca o papel da gasolina como fator-chave na formação dos preços do etanol. A atual paridade de importação indica espaço para redução no preço do combustível fóssil, o que tende a diminuir a competitividade do etanol hidratado.

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Com isso, o desconto do etanol em relação à gasolina pode se ampliar, reduzindo as margens das usinas e aumentando a volatilidade do mercado.

Entre os fatores que poderiam equilibrar a demanda estão:

  • O aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina;
  • Mudanças tributárias que favoreçam biocombustíveis;
  • O avanço de combustíveis sustentáveis para aviação e transporte marítimo.

No entanto, o estudo ressalta que esses efeitos devem ocorrer apenas no longo prazo, entre 2029 e 2030, sem impacto imediato na atual tendência de queda.

Pressão no Açúcar: Superoferta Global e Risco de Redirecionamento da Cana

A possível superoferta de etanol no Brasil traz reflexos diretos para o mercado global de açúcar. O Rabobank aponta que, diante da queda nas margens do etanol, as usinas podem destinar mais cana-de-açúcar à produção de açúcar, ampliando o volume disponível no mercado internacional.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima que a safra 2025/26 apresentará um superávit global de 1,52 milhão de toneladas, revertendo o déficit de 2,91 milhões de toneladas da temporada anterior.

Esse novo cenário consolida um ambiente de preços pressionados, já que a produção brasileira – a maior do mundo – tende a ampliar a oferta internacional.

“A superoferta de etanol desloca parte da produção para o açúcar, o que mantém os preços das duas commodities sob pressão”, observa Duff.

Fatores Externos Podem Alterar as Projeções

O Rabobank ressalta, porém, que fatores externos e climáticos podem alterar o cenário de baixa para o açúcar e o etanol. Entre os pontos de atenção estão:

  • Eventos climáticos extremos, que podem afetar safras em grandes produtores;
  • Oscilações no preço do petróleo, com reflexos sobre a gasolina e o etanol;
  • Variações cambiais e tensões geopolíticas, que influenciam custos e exportações.
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Esses elementos podem, temporariamente, reverter a tendência de queda e criar novas oportunidades de rentabilidade no mercado.

Cana-de-Açúcar Mantém Papel Estratégico na Matriz Energética

Apesar do crescimento do etanol de milho, o etanol de cana ainda representa dois terços da produção nacional, mantendo relevância estratégica para o setor sucroenergético brasileiro.

Nos últimos anos, as usinas priorizaram o açúcar devido ao cenário internacional mais favorável, mas a previsão de superávit global em 2026 pode limitar essa estratégia, exigindo novas abordagens de diversificação e eficiência.

“O Brasil, como maior exportador mundial de açúcar, terá papel decisivo na formação dos preços internacionais. O desafio está em equilibrar oferta, demanda e sustentabilidade econômica”, reforça o relatório.

Perspectiva: Planejamento e Integração São Fundamentais

O RaboResearch conclui que o avanço do etanol de milho exige planejamento estratégico e integração entre os mercados de etanol, açúcar e energia.

Para garantir equilíbrio, as empresas devem investir em gestão de risco, diversificação de portfólio e eficiência operacional.

Com o Brasil consolidando sua posição como líder global em biocombustíveis, o futuro do setor dependerá da capacidade de ajustar a produção à demanda e de manter a sustentabilidade financeira frente às transformações do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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