Agronegócio
Oferta abundante e incertezas globais devem pressionar preços da soja em 2026
Publicado em
5 de janeiro de 2026por
Da Redação
Cenário global da soja em 2026: abundância e cautela
O ano de 2026 deve ser marcado por uma combinação de alta oferta de soja na América do Sul, redução na produção norte-americana e incertezas geopolíticas que devem influenciar diretamente o comportamento dos preços.
De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário aponta para um ambiente de oferta elevada, prêmios menores e necessidade de maior disciplina financeira por parte dos produtores.
“Mais do que nunca, o resultado do produtor dependerá menos do mercado e mais da qualidade da gestão, do timing de venda e do controle rigoroso dos custos”, destacou Silveira.
Brasil deve enfrentar safra cheia e comercialização mais lenta
Mesmo mantendo forte protagonismo nas exportações globais, o Brasil pode vivenciar em 2026 uma colheita cheia, com estoques de passagem elevados e ritmo mais lento de comercialização.
Silveira explica que esse conjunto de fatores tende a pressionar o produtor para vendas spot entre abril e maio, período em que há maior necessidade de liquidez para quitar compromissos financeiros. Além disso, o ambiente de crédito deve continuar mais restrito, exigindo gestão profissionalizada e controle de custos.
“As dificuldades de financiamento impactam diretamente os níveis de comercialização e exigem do produtor uma gestão ainda mais técnica, com atenção ao uso do capital e às oportunidades de preço na bolsa”, observou o analista.
EUA reduzem área e priorizam o milho
Nos Estados Unidos, a safra 2025/26 foi marcada por alta produtividade, mas com redução da área plantada de soja. A queda nos preços ao longo de 2025 levou o produtor norte-americano a migrar parte das lavouras para o milho, resultando em safra recorde do cereal e produção limitada de soja, estimada em 115,7 milhões de toneladas.
Apesar do volume significativo, as exportações dos EUA permanecem enfraquecidas, em razão das tensões comerciais com a China. Segundo Silveira, essa fragilidade limita o escoamento e adiciona incerteza ao mercado global da oleaginosa.
América do Sul caminha para nova safra recorde
O cenário produtivo segue favorável na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina.
As estimativas apontam para produção brasileira em torno de 178,7 milhões de toneladas, configurando mais uma safra recorde, mesmo com atrasos iniciais no plantio causados pela irregularidade das chuvas no Nordeste.
Com o retorno das precipitações no Centro-Oeste e no Nordeste, os riscos produtivos foram reduzidos.
Na Argentina, a produção deve alcançar 51,1 milhões de toneladas, reforçando a expectativa de oferta volumosa.
“Salvo eventos climáticos extremos, a América do Sul caminha para mais um ano de forte oferta, o que naturalmente adiciona pressão ao mercado internacional”, avaliou o consultor.
Preços domésticos tendem à pressão negativa
Com o aumento da produção, a tendência para os preços da soja no mercado interno em 2026 é de pressão negativa, especialmente no primeiro semestre.
Em 2025, mesmo com safra recorde, o Brasil manteve preços firmes devido à guerra comercial, que impulsionou os prêmios de exportação, chegando a US$ 2,00 por bushel nos portos. Esse desempenho garantiu exportações recordes, impulsionadas pela forte demanda chinesa.
No entanto, Silveira alerta para um cenário mais desafiador neste ano.
As margens de esmagamento na China estão apertadas, e o país mantém estoques elevados. Além disso, o acordo comercial entre China e Estados Unidos pode reduzir o espaço das exportações brasileiras.
“Se a China realmente comprar cerca de 25 milhões de toneladas de soja americana por ano, parte da janela de exportação do Brasil pode ser comprometida, especialmente no segundo semestre”, explicou o analista.
Demanda interna e logística
Para 2026, o estoque de passagem mais confortável deve garantir logística mais organizada, mas também pode pressionar os preços durante a colheita.
A demanda interna tende a permanecer forte, com o Brasil devendo esmagar cerca de 59 milhões de toneladas, impulsionado pela expansão do biodiesel B16, que aumenta o consumo de óleo de soja.
Ainda assim, o país precisará exportar ao menos 109 milhões de toneladas para evitar acúmulo de estoques. Caso parte desse volume seja redirecionado aos Estados Unidos, o impacto no mercado doméstico será significativo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agronegócio
El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura
Published
1 semana agoon
21 de setembro de 2026By
Da Redação
O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises.
Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.
O que é precipitação?
Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.
Indicadores
Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.
A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.
Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.
Ana Célia Costa
Ministério da Pesca e Aquicultura
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