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Reorganização das cadeias globais avança mesmo com trégua entre EUA e Irã e reforça papel do Brasil no comércio exterior

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Cenário internacional ainda pressiona decisões estratégicas

Mesmo com os avanços diplomáticos recentes entre Estados Unidos e Irã, que incluíram um acordo de cessar-fogo e a continuidade das negociações, o ambiente global segue marcado por cautela.

A trégua trouxe alívio momentâneo aos mercados internacionais e reduziu a pressão sobre o risco de uma escalada militar no Oriente Médio. No entanto, especialistas destacam que a instabilidade estrutural da região ainda não foi superada, especialmente diante de divergências políticas e episódios que seguem testando a confiança no acordo.

A reabertura parcial das negociações e a retomada da navegação no Estreito de Ormuz — uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo — ajudam a normalizar parte dos fluxos logísticos. Ainda assim, empresas e investidores seguem operando sob elevada percepção de risco geopolítico.

Risco geopolítico passa a integrar decisões de longo prazo

A instabilidade recente consolidou uma mudança já em curso desde a pandemia: o risco geopolítico passou a fazer parte do planejamento estrutural de empresas globais.

Hoje, decisões sobre comércio exterior, logística, expansão industrial e investimentos produtivos consideram variáveis antes menos relevantes, como segurança de rotas, estabilidade institucional e previsibilidade política.

Esse movimento acelera a reorganização das cadeias produtivas globais, com destaque para três tendências principais:

  • regionalização da produção
  • diversificação de fornecedores
  • redução da dependência de áreas instáveis
Brasil ganha relevância na nova configuração global

Nesse redesenho das cadeias internacionais, o Brasil aparece como um dos potenciais beneficiários.

A combinação de fatores como capacidade agrícola e industrial, matriz energética competitiva, disponibilidade de recursos e relativa estabilidade geopolítica reforça o interesse de empresas estrangeiras.

Segundo Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, o cenário global está promovendo uma transformação estrutural:

“Estamos vivendo um movimento global de reorganização das cadeias produtivas. As empresas passaram a buscar operações mais seguras, previsíveis e regionalizadas. Nesse contexto, o Brasil ganha relevância estratégica pela sua capacidade produtiva, posição geopolítica, disponibilidade energética e potencial industrial”, afirma.

Empresas revisam estratégias e ampliam diversificação global

Nos últimos anos, companhias multinacionais vêm acelerando a revisão de suas cadeias de suprimentos, reduzindo concentração geográfica e ampliando a busca por novos polos produtivos.

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A tendência, iniciada durante a pandemia e intensificada pelas tensões geopolíticas recentes, favorece países com maior previsibilidade institucional e capacidade de oferta energética e logística.

Mesmo com os avanços diplomáticos entre Washington e Teerã, o ambiente de negócios não voltou ao padrão anterior. A percepção de risco passou a ser permanente nas decisões corporativas.

“O mercado compreendeu que a estabilidade geopolítica não pode mais ser tratada como garantida. As empresas estão incorporando variáveis de risco que antes tinham menor peso nas decisões de longo prazo”, avalia Dias.

Ele acrescenta que o Brasil reúne vantagens competitivas relevantes:

“Temos um mercado interno relevante, forte capacidade agrícola e industrial, matriz energética competitiva e espaço para expansão industrial. Isso faz com que o país volte ao radar de investimentos internacionais”, destaca.

Logística global entra em novo ciclo de complexidade

A reorganização das cadeias produtivas também redefine o papel da logística internacional, que passa a ser tratada como elemento estratégico e não apenas operacional.

Segundo o especialista, o setor agora exige maior integração tecnológica e capacidade de adaptação:

  • rastreabilidade de ponta a ponta
  • integração de dados
  • inteligência operacional
  • gestão de riscos logísticos

O aumento das tensões globais também já reflete no setor de comércio exterior, com maior demanda por operações complexas envolvendo importação e exportação de máquinas, equipamentos e projetos industriais.

Fiorde Group aponta aumento na demanda por comércio exterior

O movimento já é percebido na prática pelo setor logístico, segundo Mauro Dias.

Ele destaca a retomada de projetos industriais e investimentos em infraestrutura, o que impulsiona a demanda por operações mais sofisticadas de comércio exterior.

Custos e volatilidade ainda pressionam empresas

Apesar das oportunidades estruturais, o cenário global ainda impõe desafios relevantes no curto prazo.

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A volatilidade do petróleo, os custos logísticos elevados e as incertezas internacionais seguem impactando cadeias produtivas em diferentes setores.

Para Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group, os efeitos são amplos:

“O aumento do combustível afeta diretamente fretes, armazenagem, produção industrial e distribuição. Isso exige das empresas muito mais eficiência operacional e planejamento”, afirma.

Ele também destaca o aumento dos riscos operacionais:

“Hoje as empresas precisam trabalhar com cenários muito mais dinâmicos. O nível de imprevisibilidade aumentou significativamente nos últimos anos”, explica Luciano Carlos Fracola.

Gestão de risco e tecnologia ganham protagonismo

Especialistas apontam que o novo ciclo do comércio internacional exige uma mudança estrutural na forma como empresas operam suas cadeias de suprimentos.

Mais do que redução de custos, passam a ser prioridades:

  • digitalização de processos
  • análise de dados em tempo real
  • gestão de risco integrada
  • diversificação logística
  • eficiência operacional

Para Mauro Dias, o diferencial competitivo deixa de ser apenas preço e passa a ser estratégia:

“O diferencial competitivo não será apenas preço. Será capacidade de adaptação, velocidade de resposta e integração estratégica da cadeia de suprimentos”, afirma Mauro Lourenço Dias.

Perspectiva: Brasil pode ampliar participação no novo ciclo global

Mesmo com a melhora parcial no cenário diplomático entre EUA e Irã, especialistas avaliam que não há retorno ao ambiente global anterior.

A tendência dominante é de reorganização estrutural das cadeias produtivas, com foco em segurança, previsibilidade e diversificação.

Nesse contexto, o Brasil pode ampliar sua relevância internacional, desde que avance em competitividade, infraestrutura e integração logística.

“O mundo está redesenhando suas cadeias produtivas. E o Brasil tem potencial para assumir um papel muito mais relevante nesse novo ciclo econômico global”, conclui Mauro Dias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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