Agronegócio

Safra recorde amplia déficit de armazenagem no Brasil e ABIMAQ lança guia gratuito para reduzir perdas no campo

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A perspectiva de uma safra recorde de grãos volta a evidenciar um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro: a insuficiência da capacidade de armazenagem. Enquanto a produção nacional é estimada em aproximadamente 353 milhões de toneladas por ciclo, o país possui estrutura para armazenar apenas 62% desse volume, deixando cerca de 135 milhões de toneladas sem capacidade adequada de estocagem.

Diante desse cenário, a ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) lançou o Guia Prático de Armazenagem Eficiente, um e-book gratuito desenvolvido para orientar produtores rurais, cooperativas, gestores e profissionais do setor sobre as melhores práticas de armazenagem de grãos.

A publicação integra uma campanha de conscientização da entidade, que busca destacar a importância dos investimentos em infraestrutura de armazenagem como estratégia para reduzir perdas pós-colheita, otimizar a logística, preservar a qualidade dos produtos e aumentar a rentabilidade das propriedades rurais.

Déficit de armazenagem compromete competitividade do agro

O crescimento contínuo da produção agrícola brasileira não tem sido acompanhado pela expansão da capacidade estática de armazenagem. Como consequência, muitos produtores são obrigados a comercializar a produção logo após a colheita, período em que a elevada oferta costuma pressionar os preços para baixo.

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Além do impacto sobre a rentabilidade, a falta de estruturas adequadas aumenta os custos logísticos, dificulta o planejamento da comercialização e eleva o risco de perdas quantitativas e qualitativas durante o armazenamento e o transporte.

Segundo a ABIMAQ, ampliar a infraestrutura de armazenagem é uma medida estratégica para fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro e proporcionar maior segurança às operações agrícolas.

Indústria nacional possui tecnologia para atender à demanda

A associação destaca que o Brasil conta com tecnologia e capacidade industrial para ampliar sua infraestrutura de armazenagem. As empresas que integram a Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG) desenvolvem soluções voltadas tanto para pequenos produtores quanto para grandes empreendimentos agrícolas.

Os equipamentos disponíveis no mercado contemplam sistemas modernos de secagem, silos, transporte e conservação de grãos, contribuindo para maior eficiência operacional e redução de desperdícios em toda a cadeia produtiva.

Guia gratuito reúne boas práticas para armazenagem eficiente

O Guia Prático de Armazenagem Eficiente apresenta informações técnicas, recomendações e orientações sobre planejamento, dimensionamento das estruturas, conservação da qualidade dos grãos e boas práticas de gestão da armazenagem.

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O objetivo é apoiar os produtores na adoção de soluções capazes de reduzir perdas, aumentar a eficiência das operações e melhorar a competitividade do setor agropecuário.

Como acessar o guia

Guia Prático de Armazenagem Eficiente

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

Inteligência artificial no agro revoluciona a tomada de decisões e amplia produtividade nas fazendas

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A transformação digital avança rapidamente no campo e inaugura uma nova fase da agricultura brasileira. Depois da mecanização, da agricultura de precisão e da automação, a inteligência artificial (IA) passa a ocupar um papel estratégico na tomada de decisões, ajudando produtores rurais a aumentar a produtividade, reduzir custos e responder com mais rapidez aos desafios do clima e do mercado.

Segundo o especialista em manejo agrícola, produtividade e rentabilidade no agronegócio, Vitor Borges, os aplicativos inteligentes estão deixando de ser apenas ferramentas de registro para se tornarem plataformas capazes de apoiar decisões técnicas em tempo real durante todo o ciclo produtivo.

Agricultura digital ganha protagonismo na gestão das propriedades

O uso de tecnologias digitais no agronegócio vai além da informatização das operações. O grande diferencial está na capacidade de organizar, interpretar e transformar informações agronômicas em ações práticas, reduzindo a dependência exclusiva da experiência acumulada pelo produtor.

Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e necessidade de maior eficiência, a gestão baseada em dados passa a representar um importante fator de competitividade para as propriedades rurais.

Essa tendência acompanha o movimento observado mundialmente. Estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que a inteligência artificial vem ampliando a capacidade de monitorar lavouras, identificar pragas e doenças, otimizar sistemas de irrigação e apoiar decisões agronômicas em tempo real. A expectativa é que essas tecnologias tenham papel cada vez mais relevante para ampliar a produção de alimentos utilizando menos recursos naturais.

Na mesma direção, levantamento da McKinsey & Company destaca que produtores que adotam soluções digitais conseguem melhorar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade das atividades agrícolas. O estudo ressalta que o maior benefício está na capacidade de converter dados em decisões rápidas e assertivas durante a safra.

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O desafio não é coletar dados, mas transformá-los em decisões

Apesar do avanço das plataformas digitais, um dos principais obstáculos da agricultura conectada continua sendo a interpretação das informações disponíveis.

Muitos produtores já possuem acesso a diferentes aplicativos e sistemas de monitoramento, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar os dados coletados em estratégias eficientes de manejo.

Foi justamente para enfrentar esse desafio que Vitor Borges desenvolveu o Framework M.A.N.E.J.O., metodologia voltada à organização do processo de tomada de decisões agronômicas.

O modelo é estruturado em seis etapas:

  • Monitoramento contínuo: registro permanente das condições da lavoura por meio de imagens, observações de campo e indicadores técnicos.
  • Análise técnica: interpretação dos dados para identificar riscos relacionados a pragas, doenças, nutrição e estresse hídrico.
  • Normalização das decisões: utilização de protocolos técnicos padronizados para reduzir decisões baseadas apenas na percepção individual.
  • Execução orientada: implementação planejada e documentada das recomendações agronômicas.
  • Jornada de acompanhamento: monitoramento contínuo da resposta das culturas após as intervenções realizadas.
  • Otimização permanente: utilização dos resultados obtidos para aperfeiçoar o manejo nos ciclos seguintes.

Segundo o especialista, a proposta não é substituir o conhecimento técnico do produtor ou do engenheiro agrônomo, mas potencializar sua capacidade de análise por meio da organização das informações.

Manejo sistematizado eleva produtividade no campo

De acordo com Borges, a adoção de protocolos técnicos aliados ao uso de ferramentas digitais apresentou resultados expressivos em propriedades produtoras de maracujá.

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Enquanto a produtividade média nacional da cultura gira em torno de 15,6 toneladas por hectare, conforme dados do IBGE, áreas que adotaram manejo sistematizado, monitoramento permanente e decisões baseadas em informações organizadas alcançaram produtividades entre 40 e 45 toneladas por hectare.

Embora fatores como clima, solo, genética e manejo influenciem diretamente os resultados, a velocidade na identificação de problemas e a padronização das decisões contribuíram significativamente para o desempenho dessas propriedades.

Aplicativos inteligentes integram IA e conhecimento agronômico

Como aplicação prática da metodologia, foi desenvolvido o Manejo Pro, plataforma que reúne inteligência artificial, banco de conhecimento técnico, registros de campo e acompanhamento das operações agrícolas em um único ambiente.

A proposta do sistema não é fornecer respostas automáticas, mas organizar informações para apoiar decisões técnicas durante todas as etapas da produção.

A tendência é que soluções desse tipo se tornem cada vez mais presentes nas propriedades rurais à medida que tecnologias como inteligência artificial, sensores, visão computacional e análise preditiva avancem no agronegócio.

Tecnologia será diferencial competitivo do agro

Para especialistas, o futuro da agricultura digital dependerá menos da quantidade de informações geradas e mais da capacidade de transformar esses dados em decisões que aumentem a eficiência, a previsibilidade e a rentabilidade das propriedades.

Nesse cenário, a inteligência artificial desponta como uma aliada estratégica do produtor rural, fortalecendo a gestão da fazenda e contribuindo para um agronegócio cada vez mais tecnológico, sustentável e competitivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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