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Soja: oferta recorde, prêmios baixos do óleo e cenário internacional pressionam mercado, mas exportações seguem aquecidas

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O mercado da soja inicia a semana sob influência de fatores distintos que seguem moldando os preços no Brasil e no exterior. Enquanto os prêmios de exportação do óleo de soja permanecem próximos dos menores níveis da série histórica do Cepea, a expectativa de uma oferta global recorde e as oscilações geopolíticas continuam ditando o comportamento das cotações na Bolsa de Chicago.

Apesar desse cenário de pressão, a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional permanece elevada, sustentando o ritmo das exportações e ajudando a limitar quedas mais acentuadas nos preços domésticos.

Prêmios do óleo de soja seguem em patamares historicamente baixos

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os prêmios de exportação do óleo de soja, embora tenham apresentado recuperação na última semana, continuam entre os menores níveis registrados desde o início da série histórica, em junho de 2004.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre elevada disponibilidade do produto na América do Sul e uma demanda por biodiesel abaixo das expectativas no Brasil tem pressionado os prêmios internacionais.

Por outro lado, o cenário também gera um efeito positivo para os embarques brasileiros. Com preços mais competitivos no mercado externo, o óleo de soja nacional ganha espaço junto aos compradores internacionais, reduzindo os impactos negativos sobre as cotações internas.

Chicago opera com cautela diante de clima nos EUA e tensões geopolíticas

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja começaram a semana com leves altas. O suporte veio principalmente do mercado de óleo de soja, que registrou valorização superior a 1%, recuperando parte das perdas recentes.

O avanço do óleo ocorre em um ambiente de cautela. Os investidores monitoram simultaneamente o desenvolvimento da safra norte-americana e os desdobramentos das tensões no Oriente Médio, especialmente relacionados ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.

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Embora as negociações diplomáticas tenham reduzido parte das preocupações do mercado, a região continua sendo um fator de atenção para os investidores, que seguem avaliando possíveis impactos sobre os preços das commodities.

No campo, o foco permanece sobre as condições climáticas nos Estados Unidos. Com o plantio praticamente concluído, as lavouras entram em uma fase decisiva de desenvolvimento. Chuvas registradas em importantes áreas produtoras do Corn Belt vêm sendo acompanhadas de perto pelos analistas, que já projetam possíveis ajustes nos índices de qualidade das lavouras nos próximos relatórios oficiais.

Oferta mundial recorde continua sendo principal fator baixista

Mesmo com momentos de recuperação nos preços, o mercado internacional segue pressionado pela perspectiva de uma safra global recorde de soja em 2026/27.

A expectativa de elevada produção nos principais países exportadores reforça a percepção de abundância de oferta, limitando movimentos mais consistentes de valorização em Chicago.

Além disso, a concorrência entre os grandes exportadores mantém compradores cautelosos, contribuindo para um ambiente de preços mais acomodados no mercado internacional.

Mercado brasileiro registra preços firmes e desafios logísticos

No Brasil, as cotações apresentaram comportamento relativamente firme em diversas regiões produtoras ao longo da última semana.

No Rio Grande do Sul, a saca alcançou R$ 132 no Porto de Rio Grande. A colheita está praticamente encerrada, com produção consolidada em 18,13 milhões de toneladas. Apesar do volume expressivo, o resultado ficou abaixo das projeções iniciais devido aos efeitos climáticos observados durante o ciclo da cultura.

Em Santa Catarina, os preços avançaram moderadamente, com a saca chegando a R$ 130 no Porto de São Francisco do Sul. A demanda por farelo de soja continua sustentada pelo forte desempenho da cadeia de proteína animal, especialmente da avicultura, setor que mantém elevado ritmo de exportações.

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No Paraná, os negócios também registraram valorização. Em Paranaguá, a soja atingiu R$ 134 por saca. O estado segue como um dos principais polos exportadores do complexo soja brasileiro, com embarques robustos nos primeiros meses do ano.

Esmagamento recorde em Mato Grosso impulsiona demanda

Em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, a indústria processadora registrou um novo recorde de esmagamento em maio, alcançando 1,28 milhão de toneladas.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela demanda por farelo destinado à alimentação animal e pela indústria de biodiesel. Entretanto, a chegada da colheita do milho de segunda safra aumenta a pressão sobre a infraestrutura logística e de armazenagem.

Em diversas regiões produtoras do país, cooperativas e produtores já enfrentam o desafio de liberar espaço nos armazéns para receber o milho safrinha, elevando a preocupação com custos de transporte e margens operacionais.

Perspectivas para o mercado

O mercado da soja segue dividido entre fundamentos de oferta abundante e fatores de suporte ligados à demanda e à geopolítica. Enquanto a produção mundial recorde tende a limitar altas mais expressivas, o bom desempenho das exportações brasileiras, a competitividade do óleo de soja e a demanda por derivados continuam oferecendo sustentação ao setor.

Nos próximos dias, investidores e produtores devem acompanhar principalmente os relatórios sobre as condições das lavouras norte-americanas, o comportamento do mercado de óleo vegetal e os desdobramentos do cenário geopolítico internacional, fatores que devem continuar influenciando os preços da soja ao longo do segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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