Irisnaide Macuxi, filiada ao PL, partido de Jair Bolsonaro: apoio ao presidente e candidatura a deputada federal – Carolina Antunes/PR
De dentro da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, palco de uma histórica disputa de terras entre arrozeiros e povos locais, Irisnaide Macuxi, presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima, filiada ao PL do notório Valdemar Costa Neto, vai disputar uma cadeira de deputada e se declara uma legítima apoiadora de Jair Bolsonaro entre um grupo étnico que, à primeira vista, pouco se identificaria com a retórica antiambientalista do capitão reformado.
Bolsonaro é conhecido pela posição refratária à questão indígena — já os chamou de “massa de manobra”, lamentou, quando ainda era deputado, que a colonização não exterminou todos eles e frequentemente os aponta como entrave para o avanço do agronegócio — mas Irisnaide afirma que mesmo entre os povos originários há, como ela, ferrenhos defensores do presidente. “Bolsonaro esteve aqui e pediu apoio. Os indígenas votaram nele e ele foi eleito. Agora cobramos e temos sido atendidos. Precisávamos de condições de produção que diminuíssem as multas ambientais e conseguimos”, diz.
Condecorada por Bolsonaro, ela defende o amplo desenvolvimento, produção agrícola e garimpo dentro das aldeias, além de debates menos engessados sobre exploração das terras, florestas e rios. É uma crítica dirigida às posições da principal adversária no estado. Desde o xavante Juruna, eleito deputado federal na década de 80, a única representante indígena no Congresso é Joênia Wapichana (Rede-RR), candidata à reeleição. Ela se define como militante das causas de esquerda e é apoiadora do ex-presidente Lula.
Na última eleição, a Justiça Eleitoral registrou crescimento de 56% de candidatos que se declararam indígenas, embora a representação de tribos no Parlamento ainda seja residual. “Nas eleições de 2022, os povos indígenas estão divididos em duas correntes, uma que enfatiza a pauta econômica, privilegiando o desenvolvimentismo, a agricultura, pecuária e atividades ligadas ao garimpo, e outra que apoia políticas de demarcação, além de uma agenda em que o índio é preservado sob todos os aspectos”, afirma o cientista político da Universidade de Brasília Paulo Kramer.
Apesar das divergências, as lideranças sonham com uma bancada de pelo menos cinquenta representantes no Congresso, uma meta bastante ambiciosa. “Por definição defendemos a terra e a natureza, e isso sempre vai ser um denominador comum entre todos nós. O povo indígena, mesmo na política, não precisa pensar sempre igual”, diz Joênia. A questão é exatamente essa. Quem olha de fora não vê, mas existem diversas tribos no Brasil.
Depois de três dias de apresentações locais, nacionais e intervenções artísticas em um dos maiores cartões-postais de Boa Vista, o Mormaço Cultural 2026 se despediu deixando aquele gostinho de “quero mais”. A 5ª edição do maior festival de artes integradas do estado reuniu mais de 200 mil pessoas no Teatro Municipal de Boa Vista e no Parque do Rio Branco.
A primeira etapa do Mormaço Cultural ocorreu no Teatro Municipal de Boa Vista
Com uma programação eclética, voltada para todas as idades, o Mormaço teve sua primeira etapa no Teatro Municipal, de 9 a 13 de setembro, com apresentações de artistas locais e da Focus Cia de Dança, do Rio de Janeiro, que apresentou os espetáculos “As canções que você dançou pra mim” e “Bichos Dançantes”, além de promover um workshop de dança contemporânea.
Seu Jorge foi uma das atrações nacionais da edição deste ano
Já a segunda etapa, no Parque do Rio Branco, ocorreu de 18 a 20 de setembro. Além dos artistas da terra, o público prestigiou o show de Amado Batista, Kevin o Chris, Cidade Negra, Seu Jorge, Ferrugem, Fresno, Melody, Cat Dealers, Filipe Ret e Dennis. Nesse domingo, 20, o “Mormacinho” agitou a criançada com a apresentação dos Bolofofos.
Vander Frank prestigiou o evento com a mãe, o irmão e o primo
Vander Frank Araújo curtiu a primeira noite da programação no Parque com a família. “Eu adoro o Mormaço. Vim na primeira edição e depois fui embora de Boa Vista. Voltei recentemente e fui ao evento com meu irmão e meu primo, além de levar minha mãe para prestigiar o Amado Batista. E também aproveitamos para curtir Seu Jorge”, contou.
Nossa cultura também é feita de gastronomia
GASTRONOMIA – Já que a cultura de uma cidade também se faz da gastronomia, o Mormaço Cultural promoveu, no sábado, 19, uma aula-show especial com o chef Olivier Anquier, na cozinha do restaurante do Sesc, localizada no Centro. O encontro reuniu amantes da gastronomia, profissionais e estudantes da área, além de pessoas interessadas em conhecer de perto as técnicas e experiências compartilhadas pelo chef.
A segurança foi garantida durante toda a programação
SEGURANÇA – A programação no Parque do Rio Branco também foi um sucesso no quesito segurança, com a presença de agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), da Superintendência Municipal de Trânsito (SMTRAN) e do Corpo de Bombeiros, garantindo a proteção e o bem-estar do público durante todo o evento.
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