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Correios têm lucro histórico e planejam abrir marketplace até o fim de 2022

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Correios atribuem resultados financeiros positivos à redução de gastos com pessoal e destacam aumento nas encomendas entregues

Os Correios tiveram um lucro recorrente de R$ 3,7 bilhões em 2021. O número é 101% maior que o do ano anterior. É o terceiro resultado positivo consecutivo apresentado pela estatal, com os melhores índices nos últimos 22 anos. Além do lucro recorrente de R$ 3,7 bilhões, a empresa registrou um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 3,1 bilhões — um crescimento de 113% em relação a 2020.

Segundo o G1, os Correios também voltarão a pagar dividendos à União depois de oito anos — ou seja, a empresa dará dinheiro ao governo graças a seus lucros.

O Valor Econômico diz que esse acerto é de R$ 251 milhões, mas ainda depende de aprovação da assembleia geral, que acontece em abril. A publicação diz ainda que o lucro líquido foi de R$ 2,3 bilhões.

Em comunicado, a empresa diz que, em junho de 2019, quando a gestão atual tomou posse, havia risco de dependência do Tesouro Nacional, com um possível prejuízo de R$ 14 bilhões.

Redução de custos e treinamento

Em sua divulgação de resultados, os Correios disseram que o Acordo Coletivo de Trabalho gerou uma economia de R$ 1,3 bilhão ao ano, aproximadamente 6% de toda a despesa da estatal.

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Dois Planos de Demissão Incentivada representaram uma economia de R$ 2,1 bilhões na folha de pagamento. De acordo com o G1, o quadro de servidores foi reduzido em 10%.

A empresa também fala em uma economia de R$ 1,4 bilhão durante licitações e gestão de contratos. Além disso, 52 imóveis foram vendidos ao valor de R$ 38,7 milhões, e outros 83 estão disponíveis — a previsão é que R$ 680 milhões sejam arrecadados.

Os Correios também destacam que, em 2021, mais de 64 mil profissionais da empresa participaram de cursos a distância como forma de aperfeiçoamento profissional.

A instituição também dá destaque ao compliance adotado, que se estende ao Postalis e a Postal Saúde, subsidiárias da empresa. Os Correios zeraram o déficit de R$ 600 milhões que tinham com a operadora do plano de saúde, que se arrastava desde 2019.

Crescimento na Black Friday

A empresa também destacou alguns números da última Black Friday para ressaltar seu papel para o varejo nacional. Foram 18,9 milhões de encomendas recebidas, sendo 3,4 milhões em apenas um dia.

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Também houve crescimento de encomendas nacionais e internacionais na Black Friday e também no Singles Day (11 de novembro, data bastante relevante no mercado chinês). O número 40% maior do que em 2020.

Correios terão marketplace, diz presidente

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente dos Correios, Floriano Peixoto, disse que a empresa vai deixar de ser apenas um operador logístico para se tornar um marketplace. A ideia é lançar o Correios Shopping até o fim do ano.

“Os Correios vão competir junto às demais empresas do setor porque com a nossa capilaridade, expertise, recursos humanos, materiais e financeiros, podemos galgar, com mais e melhores condições, outras opções para a empresa”, afirmou Peixoto à publicação.

Segundo o comunicado dos Correios, a empresa também pretende dobrar o volume de encomendas e a receita, triplicar o patrimônio líquido e manter em dois dígitos a margem Ebitda nos próximos cinco anos.

O governo federal pretende privatizar a estatal. O projeto de lei foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mas está parado no Senado. Uma audiência pública para discutir o assunto foi marcada para 24 de março.

Com informações: G1, Valor Econômico.

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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