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Fórum Digital leva inclusão e acesso à Justiça à Mirante da Serra (RO)

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O prédio cedido pela prefeitura na avenida principal é a porta por onde moradores de Mirante da Serra (RO) e de localidades próximas acessam os 35 serviços do Judiciário e de outros oito parceiros disponíveis no Fórum Digital. O juiz Rinaldo Forti da Silva, secretário-geral do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), e o defensor público-geral do estado, Hans Lucas Immich, foram até a unidade do Judiciário na última quinta-feira (30/6) para conversar com os representantes da comunidade, que levaram dúvidas, sugestões e agradecimentos pela disponibilização do espaço, que é compartilhado com parceiros e mantido pela prefeitura.

Rinaldo Forti falou sobre os resultados positivos que a instalação dos fóruns proporcionou à população, que não precisa mais se deslocar até a sede da comarca para ser atendida, economizando tempo e dinheiro – fatores que muitas vezes constituía empecilho ao acesso à Justiça. Alguns dos atendimentos, inclusive, nem se resolviam em Ouro Preto, sede da comarca, que fica a 60km de Mirante da Serra. E as pessoas precisavam se deslocar até a capital do estado, Porto Velho, a mais de 400 km de distância.

A notícia de que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), inspirado nos fóruns digitais de Rondônia, recomendou que todos os tribunais do país adotem pontos de acesso aos serviços on-line para as pessoas que não tem costume ou condição de utilizar a internet foi recebida com alegria e emoção pela comunidade de Mirante da Serra. Lá foi instalada a primeira unidade. O prefeito Evaldo Duarte se declarou emocionado ao saber que uma iniciativa que nasceu na cidade, da vontade do povo de acessar serviços da Justiça, foi reconhecida pelos conselheiros e conselheiras do órgão administrativo máximo do Judiciário, servindo de exemplo para os demais tribunais do país.

Distâncias encurtadas

Maria Aparecida ficou viúva em maio de 2022 e buscou o Fórum Digital para dar início a um processo de inventário. Além da dor da perda, ela temia ter de enfrentar idas e vindas pela RO-470 para resolver a questão, necessária após o falecimento do esposo, que conheceu no Mato Grosso, de onde migraram para Mirante da Serra.

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No Fórum Digital, Maria Aparecida foi orientada por uma equipe de estagiários coordenada por Sérgio Alves Barros, que é o gestor da unidade. Eles explicaram cada passo. Tomaram uma água com ela, olharam nos seus olhos e puderam entender que, além dos procedimentos legais e documentos, eles estavam lidando com a vida de uma pessoa, sua história e suas lutas em comum com o companheiro.

A sensibilidade de quem recebeu a demanda marcou a faxineira aposentada. Ela recorda a atenção e o cuidado com que foi tratada. O processo dela já começou e, quando houver audiência, ela volta ao Fórum Digital para participar  por videoconferência.

“Estou aqui há 41 anos e nunca tinha visto isso acontecer na cidade”, afirmou Josimar Souza, que é vereador e líder comunitário no município. Num gesto de reverência à iniciativa, Mazinho “tirou o chapéu” para o Fórum Digital e para a importância que os serviços têm para a população. Desde a inauguração, em novembro de 2021, já foram mais 1.120 serviços judiciais prestados aos jurisdicionados, com pico nos meses de abril e maio, devido ao prazo para regularização da situação eleitoral.

Serviços

No Fórum Digital, o TJRO oferta os serviços da Justiça Rápida, informações de processo, início de processos nos Juizados Especiais, conciliações, audiências digitais e emissão de certidões. A Justiça Eleitoral disponibiliza a emissão de segunda via de Título de Eleitor, guia de multa, certidões negativas; assim como verificação da situação eleitoral, local de votação e requerimentos de justificativas. O Ministério Público (MP) estadual oferta serviços da Ouvidoria, atendimento virtual, consulta processual, Memorial Virtual, dentre outras informações. E os MPs Federal e do Trabalho realizam a coleta de denúncias, protocolo e peticionamento eletrônicos, consultas e ouvidorias.

Já a Justiça do Trabalho oferece contato com o órgão, informações sobre ações judiciais trabalhistas, início de processo sem advogado e audiências virtuais. A Justiça Federal também está presente com emissões de certidões, informações, audiências online e início de processos nos Juizados Especiais. O ingresso em ações judiciais, defesa em processos e a orientação jurídica são disponibilizados pelas defensorias públicas do estado e da União. Ao todo, são 35 serviços ofertados por nove órgãos públicos.

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Expansão

Desembargadores e desembargadoras de Rondônia entendem que essas unidades, que funcionam como um ponto de cidadania que reúne vários órgãos e serviços, têm tudo a ver com vocação da Justiça rondoniense, que tem apenas 40 anos de fundação e um DNA de pioneirismo. Por isso, na sessão administrativa do dia 27 de junho, foi aprovada a ampliação do projeto e os fóruns digitais vão chegar a mais sete cidades até o próximo ano.

Justiça, cidadania e sustentabilidade vão chegar juntas. Além da energia solar, até mesmo a construção dos prédios, com o método Light Steel Framing, reduzirá os impactos ambientais. E os edifícios serão uma referência nas comunidades para uso e reuso de água, reciclagem de materiais e a busca de uma relação mais harmônica e respeitosa com o meio ambiente.

A previsão é que os Fóruns Digitais sejam instalados em Alto Paraíso, Campo Novo, Candeias do Jamari, Chupinguaia, Cujubim, Itapuã do Oeste e Monte Negro. Assim, a prática alcançará mais 130 mil pessoas. Os novos empreendimentos vão contribuir também com um equipamento de lazer e bem estar, que atue positivamente na autoestima da população, gerando um impacto virtuoso na localidade, com forte apelo ecológico e paisagístico.

Os fóruns digitais serão instalados no centro das cidades, em terrenos grandes – ainda em fase de doação -, que variam de 1,5 mil a 4 mil m². Eles serão implantados junto com projeto paisagístico, com gramado, árvores, arbustos, gazebo, dentre outros equipamentos de lazer e bem estar.

Fonte: TJRO

Macrodesafio - Garantia dos direitos fundamentais

Macrodesafio - Promoção da Sustentabilidade

Fonte: CNJ

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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