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Judiciário mineiro inicia 21ª Semana Justiça pela Paz em Casa

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Na 21ª edição da Semana Justiça pela Paz em Casa, a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) mais uma vez apoia ações para a conscientização sobre discriminação e múltiplas modalidades de agressão no lar, incentivando o combate a essas práticas. Neste mês, entre as atividades previstas estão palestras em canteiros de obras, entrevistas a veículos de comunicação e rodas de conversa.

Para a desembargadora Evangelina Castilho Duarte, superintendente da Coordenadoria, é um fato que o quantitativo de processos envolvendo ocorrências de violência doméstica vem crescendo. Mas, segundo ela, isso não quer dizer que os incidentes estão se multiplicando. “Houve um aumento da conscientização a respeito do tema e mais reconhecimento, por parte das mulheres, da sua condição de vítimas e do tipo de agressão que estão sofrendo. Isso pode gerar o ajuizamento de mais processos.”

Ela ainda explica que há uma maior colaboração e tomada de consciência de autoridades e órgãos. “A Polícia Civil, por exemplo, em lugar de tratar uma situação como lesão corporal, ameaças, tentativa de homicídio e homicídio, ou seja, como crimes de natureza comum, tem procurado atentar para o fato de isso constituir violência doméstica. E está instaurando mais inquéritos.”

A desembargadora considera que a pandemia da Covid-19 agravou a situação de pessoas que conviviam com companheiros com tendências agressivas, pois o confinamento elevou os níveis de estresse, medo e insegurança experimentados por todos. “Essa característica de personalidade pode ter aflorado mais, intensificando o sofrimento de mulheres.”

Evangelina Castilho registra como positiva a maior sensibilização da sociedade sobre o problema, porque cada pessoa conquistada para a causa pode se tornar uma multiplicadora em seu círculo de relacionamentos e no seu entorno. Segundo a magistrada, a percepção coletiva de que há algo errado em alguns comportamentos já é um fruto de um esforço contínuo para convidar as pessoas à reflexão e à mudança de atitude.

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“No TJMG, temos trabalhado, há muitos anos, para estimular a discussão sobre a questão e as formas de transformar essa realidade. Uma das respostas que desenvolvemos para isso é o Justiça em Rede, que propõe que o Judiciário articule, principalmente nas comarcas do interior, as redes de enfrentamento e combate à violência doméstica e de proteção da mulher, com ações conjuntas de prevenção, repressão, punição e assistência às vítimas. O programa congrega o Ministério Público, a Defensoria Pública, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais, as polícias, prefeituras e secretarias municipais, clubes de serviços, igrejas e escolas para esclarecer o que é violência doméstica e como buscar ajuda e interromper o ciclo de violência”, conta.

Campanhas

Segundo a superintendente, a Semana Justiça pela Paz em Casa propunha apenas o reforço nos julgamentos e na prolação de sentenças de casos de feminicídio, tentativas de homicídio e violência doméstica. Porém, outras iniciativas rapidamente foram associadas à mobilização, como palestras, visitas a instituições de ensino, eventos e debates, como forma de trazer o assunto à tona e qualificar o entendimento dos cidadãos a respeito.

“Outra ideia importantíssima adotada nacionalmente, graças ao CNJ, é a campanha Sinal Vermelho. Ela orienta as mulheres que sofrem agressões a se dirigir a farmácias, shoppings, agências do Banco do Brasil e órgãos públicos e mostrar um X vermelho na palma das mão para informar, silenciosamente, sua exposição à violência doméstica. Assim, o estabelecimento poderá chamar a polícia e prestar o socorro imediato à vítima. Essa iniciativa tem como base o apoio da sociedade às mulheres. Quem ajudar não será arrolado como testemunha, não terá de ir à delegacia ou ao fórum”, explica.

De acordo com a desembargadora, a campanha Sinal Vermelho está bastante relacionada ao Justiça em Rede, pois o programa procura precisamente fortalecer a capacidade de suporte das instituições, em conjunto com a comunidade, por meio da integração, da boa comunicação, de ações educativas e da eficiência na atuação. “Uma de nossas missões é ampliar a divulgação dessa campanha, para que em estabelecimentos comerciais, postos de saúde e escolas, o símbolo do x vermelho seja reconhecido como um pedido de ajuda. Com o treinamento das equipes, qualquer profissional poderá acolher e encaminhar uma vítima, sem que isso o envolva ou traga consequências prejudiciais.”

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Palestras

A programação de palestras em canteiros de obra começa às 7h30 desta terça-feira (16/8), com exposição da assistente social Gesiene Aparecida Cordeiro Reis em um canteiro de obras da Conartes Engenharia e Edificação. A palestrante é mestre em promoção da saúde e prevenção da violência pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Na quarta-feira (17/8), no mesmo horário, a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, da Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da capital, visita canteiro de obras da Construtora Sudoeste. No dia seguinte e na sexta (19/8), a coordenadora da Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos da Mulher em Situação de Violência, defensora pública Maria Cecília Pinto e Oliveira, fala a colaboradores da Construtora Caparaó, no intervalo de almoço.

Os encontros, voltados sobretudo para o público masculino, foram realizados em parceria com o Serviço Social da Indústria da Construção Civil (Seconci-MG) e, ao todo, devem abranger cerca de 375 profissionais.

Cidadania em Ação

Dentro do evento Cidadania em Ação, promoção conjunta do TJMG e do Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMAIS), da prefeitura de Belo Horizonte, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público de Minas Gerais, às 14h de sexta-feira (19/8), ocorrerá a roda de conversa “Violência doméstica: escuta e orientações”, com participantes da TJMG e do Ministério Público mineiro.

Fonte: TJMG

Macrodesafio - Garantia dos direitos fundamentais

Fonte: CNJ

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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