Brasil

Juizado Especial Itinerante é tema de palestra para alunos de Direito no MS

Publicado em

Compartilhe

“A prática jurídica vai muito além do conhecimento técnico para fazer uma boa petição, contestação ou sentença. É preciso ter empatia para compreender as pessoas e suas necessidades.” Com essas palavras, a presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), desembargadora Marisa Santos, iniciou a palestra “Juizado Especial Federal Itinerante como Prática Jurídica” no auditório da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, na última quarta-feira (13/7), em Campo Grande.

Na plateia, rostos jovens. Em sua maioria, estudantes de Direito da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), incluindo das unidades de Coxim e Corumbá, que viajaram à capital sul-matogrossense em grupos organizados por docentes.

Graças à parceria entre a Justiça Federal e a UFMS, alunos da Faculdade de Direito atuaram no atendimento com orientações jurídicas aos jurisdicionados no Juizado Itinerante em Corumbá, realizado em novembro de 2021 e abril deste ano. Eles participarão, também, da próxima edição, em Coxim, de 25 a 29 de julho.

A presidente fez um histórico da criação dos Juizados Especiais Federais, que completaram 20 anos em 2022. Segundo a magistrada, eles promoveram uma revolução na Justiça Federal e colocaram a magistratura em contato direto com a vida de pessoas vulneráveis. “Foi um choque de realidade. “Até então, a Justiça Federal lidava majoritariamente com processos de pessoas ricas, empresários, bancos. Nos juizados, passamos a ver o Direito na sua forma concreta, havia contato com as pessoas. As partes tinham um rosto, uma cara.”

Leia Também:  Debatedores reivindicam reconhecimento da profissão de gestor de frotas

Marisa Santos, que é autora de obras de Direito Previdenciário, contou que, até a criação dos Juizados, havia pouca atenção à área. “Quase toda bibliografia relevante sobre Direito Previdenciário foi produzida após 2002.”

Ela destacou que os Juizados Especiais da 3ª Região já nasceram digitais, algo impensável à época. “O sistema foi inteiramente criado por servidores, sem custos adicionais, a partir das ideias dos magistrados.” Mais do que uma proposta arrojada, a criação de uma Justiça sem papel era uma necessidade diante da escassez de recursos.

A tecnologia, no entanto, não substitui o contato humano. Para a magistrada, por mais que hoje o Judiciário tenha avançado muito na digitalização dos processos, o atendimento presencial é indispensável. “Não é todo mundo que tem inclusão digital.” Para a presidente, além do atendimento nas varas, a realização de projetos como o Juizado Itinerante é essencial. “Muitas vezes, as mesmas pessoas que não têm condições de acompanhar os processos pela internet são as que não conseguem ir até os fóruns.”

Leia Também:  Seed realiza pré-matrícula para alunos da modalidade

Ela relembrou experiências enfrentadas em juizados itinerantes por todo o país, na busca pela garantia de direitos dos mais vulneráveis em localidades remotas. “Há muitas coisas que a Justiça não pode resolver. Falta política pública. O que podemos fazer é ir até essa parcela da população”, ponderou. “Nós, que temos condições de estudar, de estar hoje aqui em um lugar agradável, acompanhando uma palestra, que tivemos famílias que nos propiciaram tudo isso, somos privilegiados.” Segundo a magistrada, a participação em ações como o JEF Itinerante é uma forma de retribuição dos estudantes à sociedade.

Fonte: TRF3

Macrodesafio - Garantia dos direitos fundamentais

Fonte: CNJ

COMENTE ABAIXO:
Advertisement
Click to comment

You must be logged in to post a comment Login

Leave a Reply

Brasil

Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

Published

on

Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

Leia Também:  Senasp abre inscrições para curso EaD de prevenção e combate a incêndios florestais

A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

Leia Também:  Acervo do 'Diário de Pernambuco' como patrimônio cultural vai a sanção

Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

BOA VISTA

RORAIMA

POLICIAL

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA