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Juizado Federal Itinerante segue em Coxim (MS) até sexta-feira (29/7)

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O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) iniciou, na segunda-feira (25/7), a a primeira fase do Juizado Especial Federal Itinerante em Coxim (MS). Até sexta-feira (29/7), a população do distrito de Jauru, na zona rural da cidade, pode buscar orientações, atermações, encaminhamentos  e outros serviços que são oferecidos pelas diversas instituições parceiras.

“O nosso dever é facilitar o acesso à Justiça para todos, pois, nesse aspecto, não somos todos ainda iguais, com as mesmas condições”, afirmou a presidente do TRF3, desembargadora Marisa Santos. Ela ressaltou a importância da realização de parcerias com diferentes órgãos públicos, como o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT24), o governo estadual  e a prefeitura. “Assim, conseguimos proporcionar uma assistência completa.”

Marisa Santos lembrou que as ferramentas digitais não contemplam toda sociedade, pois muitas pessoas não têm acesso a equipamentos e conexão que permitam o acompanhamento de seus processos pela internet. E esse projeto leva os serviços do Judiciário presencialmente para as pessoas que vivem fora da sede das comarcas.

A coordenadora dos Juizados Especiais Federais da 3ª Região, desembargadora Daldice Santana, lembrou que os juizados foram criados para atender a população antes excluída do Judiciário. Para a magistrada, o projeto itinerante dá um passo adiante, ao contemplar quem tem dificuldades de acesso a diversos serviços públicos. “O que fazemos aqui vai muito além de um serviço de vara. Estamos garantindo o exercício de direito – o direito de ter um documento, de saber que pode receber um benefício, de ter uma situação civil regularizada.”

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Para a diretora do Foro da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, juíza Monique Marchioli Leite, ao reunir serviços públicos essenciais, como a emissão de documentos, o Juizado Itinerante promove a cidadania. “Todas essas entidades estão unidas para restabelecer a dignidade das pessoas. Isso tem um impacto muito grande em toda a comunidade, até nas crianças aqui presentes, que se inspiram ao ver o trabalho desenvolvido.”

O prefeito de Coxim, Edilson Magro, ressaltou os desafios enfrentados pela comunidade do distrito de Jauru. “Estamos a 60 km de estrada de chão do centro da cidade. A população aqui tem grande dificuldade de se deslocar para Coxim, há fazendas ainda mais distantes de onde estamos. Aqui, trazemos o poder público para a população. Essas pessoas não apenas serão atendidas, como receberão as informações necessárias para ter acesso a seus direitos.”

Titular da 1ª Vara Federal de Coxim, o juiz federal Ney Gustavo Paes de Andrade, contou que a iniciativa foi muito bem recebida pela comunidade. “Coxim é uma cidade principalmente agrária, com muitas demandas previdenciárias dos trabalhadores rurais, e aqui é um dos lugares com mais necessidades desse tipo. Os moradores se mobilizaram e há, também, ônibus trazendo pessoas de outras localidades para atendimento.”

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Juizado Itinerante

O projeto do Juizado Especial Federal Itinerante atende a população mais carente, que vive distante dos centros urbanos e tem dificuldade de locomoção. São duas visitas em cada local: na primeira etapa, são feitos os atendimentos primários, atermações, encaminhamentos etc; na segunda, retorna para proferir sentenças, realizar audiências e perícias quando for o caso. Uma fase não exclui a outra. Se a magistratura possui elementos suficientes na primeira fase para sentenciar o processo, isso pode ser feito.

Para a pessoa ser atendida, é importante apresentar documento de identificação, comprovante de residência e documentos ou provas do direito alegado, como atestados, laudos, exames. Caso não tenha documento de identidade, é possível expedir no local, com a certidão de nascimento ou casamento.

Fonte: TRF3

Macrodesafio - Garantia dos direitos fundamentais

Fonte: CNJ

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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