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Lira classifica desfile de blindados da Marinha em dia de votação da PEC do voto impresso, como ‘trágica coincidência’

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Desfile é convite para Bolsonaro assistir a operação que ocorre todos os anos no Entorno de Brasília. O presidente da Câmara, Arthur Lira, classificou o desfile de ‘trágica coincidência’, já que deputados devem votar nesta terça o voto impresso.


Bolsonaro recebe convite para operação militar; tanques e blindados saem em comboio para desfile

Bolsonaro recebe convite para operação militar; tanques e blindados saem em comboio para desfile

A Marinha passou com blindados e outros veículos militares em frente ao Palácio do Planalto para entregar um convite ao presidente Jair Bolsonaro na manhã desta terça-feira (10). O convite é para que ele compareça a um treinamento de militares das três forças que será feito em Formosa, Goiás, na região do Entorno do DF, a partir do dia 16.

O ato na Esplanada dos Ministérios ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados tem previsão de votar a proposta do voto impresso (leia mais abaixo) e gerou críticas de parlamentares que consideram o desfile um tipo de tentativa de intimidação.

O voto impresso é defendido por Bolsonaro e aliados, mas a maioria dos partidos na Câmara já sinalizou que vai votar contra. A proposta já foi derrotada na comissão especial, mesmo assim o presidente da Câmara, Arthur Lira, decidiu levar o tema ao plenário.

Na segunda-feira (9), quando se tornou público que a Marinha faria o desfile, Lira classificou a situação de uma “trágica coincidência”.

VÍDEO: Blindados e outros veículos militares desfilam em frente ao Palácio do Planalto

Blindados e outros veículos militares desfilam em frente ao Palácio do Planalto

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A chamada Operação Formosa, para a qual Bolsonaro foi convidado, ocorre todos os anos, mas esta é a primeira vez que os veículos, que saem do Rio de Janeiro, desfilam pelo centro da capital federal.

Apesar de o evento ser anual (realizado desde 1988) e o presidente da República da vez ser sempre convidado, não é comum que seja organizado um desfile para fazer o convite.

Bolsonaro recebeu o convite no alto da rampa do palácio, das mãos de um militar. O presidente estava acompanhado de ministros do governo e dos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica. Todos sem máscara contra a Covid.

Entre os ministros presidentes estavam: Ciro Nogueira (Casa Civil), Braga Netto (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Milton Ribeiro (Educação).

Bolsonaro, acompanhado de ministros e comandantes militares, aguarda no alto da rampa do Palácio do Planalto o convite da Marinha — Foto: Guilherme Mazui/G1

Bolsonaro, acompanhado de ministros e comandantes militares, aguarda no alto da rampa do Palácio do Planalto o convite da Marinha — Foto: Guilherme Mazui/G1

Manifestantes

Durante o ato militar, havia na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, alguns manifestantes contrário e favoráveis a Bolsonaro.

Os contrários pediam o impeachment do presidente. Os favoráveis reivindicavam causas inconstitucionais, como um golpe militar.

Parlamentares reagem

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e a deputada Tabata Amaral (sem partido-SP) entraram com uma ação na Justiça a fim de proibir a exibição militar. A ação acabou rejeitada.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“É um absurdo gastar recursos públicos em uma exibição vazia de poderio militar. As Forças Armadas, instituições de Estado, não precisam disso. Os brasileiros, sofrendo com as consequências da pandemia, também não precisam. O Brasil não é um brinquedo à disposição de lunáticos”, afirmou Alessandro Vieira em nota divulgada pela assessoria.

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Vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM) afirmou em uma rede social não querer crer que a exibição militar seja uma “tentativa de intimidação” por parte de Bolsonaro.

“Sobre essa história de tanques nas ruas, não quero crer que isso seja uma tentativa de intimidação da Câmara dos Deputados mas, se for, aprenderão a lição de que um Parlamento independente e ciente das suas responsabilidades constitucionais é mais forte que tanques nas ruas”, escreveu.

Em rede social, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que “colocar tanques na rua” é demonstração de “covardia”. “Os tanques não são seus, pertencem à Nação. Quer tentar golpe sr. @jairbolsonaro? É o crime que falta para lhe colocarmos na cadeia”, publicou.

Diante do anúncio de que haverá a exibição nesta terça, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) informou que organizará um ato de parlamentares no Congresso a favor da democracia.

“Estou organizando um ato amanhã [terça-feira] em repúdio à tentativa do presidente de intimidar o parlamento com tanques, reuniremos um grupo de deputados na rampa do congresso com cartazes em defesa da democracia”, afirmou.

(Com informações do G1).

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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