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MPF denuncia organização criminosa liderada por prefeito de Pinheiro (MA) por fraudes e desvio de recursos

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O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra João Luciano da Silva Soares, conhecido como Luciano Genésio, prefeito de Pinheiro, no Maranhão, e outras seis pessoas pela prática de fraudes licitatórias com o objetivo de desviar recursos públicos, entre os anos de 2017 e 2021. Contratos investigados ultrapassam o valor R$11 milhões e há evidências da permanência do esquema delituoso nos dias atuais.

Segundo apurado em inquérito, o modo de atuação dos acusados consiste no falseamento de licitações, mediante empresas de fachada administradas pelo chamado “núcleo político” da organização criminosa, bem como a utilização de contas de passagem para ocultar e dissimular a origem, a localização e a propriedade dos valores aportados pelo município de Pinheiro, desviados em favor dos integrantes do grupo.

Foram fraudados procedimentos licitatórios relacionados à prestação de bens e serviços, bem como para a realização de obras de urbanização no município. Parte dos recursos desviados eram oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Além do prefeito Luciano Genésio, foram denunciados: Lúcio André Silva Soares, irmão do prefeito, responsável por vultosas movimentações financeiras entre os investigados; Danilo Jorge Trinta Abreu Júnior e Renato Serra Trinta Abreu, que teriam atuado como pessoas interpostas em empresas vencedoras de certames na prefeitura, integrantes do chamado “núcleo empresarial” do esquema; além de Mariana Aroucha da Silva, Rafael Cunha Shimuk e Felipe Augusto Santos Mendes, supostos intermediários financeiros dos recursos desviados.

Os acusados responderão pelos crimes de desvio de recursos, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, na medida de suas participações. Além da condenação dos denunciados às sanções penais previstas em lei, o MPF solicitou ao Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1) a fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados ao erário em cerca de R$ 7 milhões.

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Empresas de fachada – Um dos contratos investigados foi vencido pela Ingeoambiental Ltda para a prestação de serviços de locação de veículos automotores e máquinas pesadas. No âmbito das investigações, verificou-se que a empresa nunca teve mais de quatro funcionários cadastrados desde a sua criação e que esta possuía apenas quatro veículos cadastrados. No entanto, foram firmados nove contratos com a prefeitura, totalizando mais de R$ 16 milhões, sendo que aproximadamente 98% desse valor advém de contratos pactuados justamente na gestão de Luciano Genésio.

Em diligência realizada em janeiro deste ano no endereço da suposta sede administrativa da empresa, foi encontrado um imóvel vazio com sinais aparentes de pouco uso. Para o MPF, a quantidade insuficiente de funcionários e de veículos registrados, associada às condições de abandono do escritório da Ingeoambiental, evidencia a incapacidade operacional da empresa e o caráter de fachada dos inúmeros contratos administrativos celebrados.

O Posto Kiefer Eireli, contratado pelo município para o fornecimento de combustíveis, possui 13 treze contratos com Pinheiro, totalizando o montante de cerca de R$ 10 milhões. Criada em 2016, durante toda sua existência, a empresa teve apenas um funcionário, este cadastrado apenas no ano de 2020. Também em 2020, seu proprietário formal outorgou em procuração plenos poderes de gestão a Lúcio André Silva Soares, irmão do prefeito Luciano Genésio.

Por fim, tem-se a empresa R. S. T. ABREU EIRELI, criada em 2019, do ramo do comércio de produtos alimentícios e vencedora de 21 contratos com a prefeitura, que somam cerca de R$ 10 milhões. Tais contratos são do período de 2020 e ainda válidos. Nas investigações, entre outros detalhes, relevante a gigantesca quantidade de gêneros alimentícios solicitados – a exemplo 163.000 frascos de vinagre branco.

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Para o MPF, a empresa R. S. T. ABREU EIRELI teve um papel importante na empreitada criminosa, tendo servido para a ocultação do dinheiro desviado da Ingeoambiental e do Posto Kiefer após os denunciados tomarem ciência do início das investigações. A partir de análises contábeis, revelou-se a existência de robustas movimentações financeiras entre as empresas, sendo que as transações ocorreram apenas em novembro de 2020, ou seja, no curso do inquérito policial.

Envolvimento do prefeito – Segundo a acusação penal, contrariando a lógica de casos de corrupção, em que empresários e gestores públicos colaboram para a prática de crimes, o prefeito Luciano Genésio “passou a exercer também o papel de empresário, tornando-se com isso receptor da quase totalidade dos recursos públicos destinados à contratação de empresas privadas prestadoras de serviços dos mais variados ramos negociais”.

No decorrer das investigações, foram identificados diversos pagamentos realizados ao prefeito pelas empresas investigadas, sendo a grande maioria em valores ligeiramente inferiores a R$10 mil, como tentativa de burlar os mecanismos de controle do sistema financeiro. A mesma sistemática dos repasses também foi encontrado em relação ao seu irmão, Lúcio André Silva Soares.

Autos n.º 1039485 24.2020.4.01.0000.

Assessoria de Comunicação
Procuradoria Regional da República da 1ª Região
twitter.com/MPF_PRR1 
Informações à imprensa:
saj.mpf.mp.br
(61) 3317-4862/4865

Fonte: MPF

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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