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Obra de Siron Franco, com manequins, lembra mortos por covid-19

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Mostra será aberta hoje na Casa das Artes, em São Paulo

A instalação Renascimento, formada por 365 manequins suspensos, vai homenagear as vítimas da pandemia de covid-19 e os profissionais de saúde. A obra do artista plástico Siron Franco estará exposta a partir deste sábado (15) no jardim do museu Casa das Rosas, na Avenida Paulista, em São Paulo. 

A sede do museu passa por uma reforma, mas segue com atividades na área externa. A mostra é uma parceria com o Museu da Imagem e do Som, que também é um equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.

A inspiração para a obra veio quando Franco retirou um manequim do ateliê em Aparecida de Goiânia, em Goiás, e pendurou em um varal. Os bonecos, com diferentes volumes e tamanhos, estarão suspensos na Casa das Rosas por um cabo de aço a seis metros do chão.

No texto de divulgação da instalação, o artista explica: “Os que se foram, representados pelos manequins, bradam pela integração dos povos, pela compreensão que devemos amar a nossa espécie e pela defesa da igualdade e dos direitos inalienáveis de todos. Nas roupas, estará estampada a frase ‘Viva a Diferença, Viva a Humanidade, Viva a América Latina!’, que reforça esse clamor.”

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Siron Franco começou vendendo retratos e, em 1965, passou a se concentrar nos desenhos. Morou em São Paulo entre 1969 e 1971 e fez parte do grupo responsável pela exposição “Surrealismo e Arte Fantástica”, na Galeria Seta.

Ele alcançou reconhecimento como pintor na 12ª Bienal Nacional de São Paulo, recebendo o prêmio de destaque. Foi também premiado na 13ª edição. Em 1980, foi considerado o melhor pintor do ano. Ele tem obras expostas no Metropolitan Museum of Arts (The Met), em Nova York.

Outras atividades

Enquanto a Casa das Rosas passa por restauração, o jardim vem sendo ocupado. As obras no prédio histórico de 1935 começaram em 18 de outubro do ano passado. O espaço é conhecido como um símbolo de preservação da memória na capital paulista. Outras ações baseadas na instalação também estão sendo realizadas, como oficinas literárias.

A oficina Ficções Vida, que ocorre nos dias 18, 20 e 27 de janeiro, das 18h às 20h, vai estimular a produção de “pequenas biografias ficcionais de personagens que foram vítimas da covid-19, abordando desde a dimensão humana à social”.

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Brasília - O artista plástico Siron Franco fala à imprensa sobre a projeção de uma cachoeira na cúpula do Museu Nacional da República para alertar sobre a importância do cuidado com o uso da água (Valter Campanato/Agência Brasil)

O artista plástico Siron Franco homenageará vítimas da Covid-19(Valter Campanato/Agência Brasil)

Já a oficina Poesia de luto e de luta será nos dias 10, 15 e 17 de fevereiro, no mesmo horário. A proposta é que os participantes escrevam “sobre a morte no poema a partir da dor pessoal e coletiva”. Partes dos textos serão expostas posteriormente, junto com a obra de Simon Franco. As inscrições podem ser feitas no site da Casa das Rosas.

(com informações da EBC Agência Brasil)

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Participantes de sessão cobram avaliação biopsicossocial de PCDs

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Em sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, nesta segunda-feira (21), especialistas cobraram a implementação da avaliação biopsicossocial unificada, prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência, para facilitar o acesso a políticas de inclusão. Também defenderam a matrícula de crianças com deficiência em escolas comuns.

O Censo 2022 do IBGE identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a sessão, afirmou que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) levou o poder público a adaptar a sociedade às necessidades desse público. Segundo ela, antes predominava a perspectiva médica, “como se a pessoa tivesse um defeito a ser consertado”. A Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2008 e promulgada no ano seguinte.

— É a rua que tem que ter rampa, é o transporte que tem que ser acessível, é a escola regular que tem que acolher com atendimento especializado. É o governo que tem que dar as mãos. Não é caridade, é direito.

Autor do requerimento da sessão (RQS 53/2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a inclusão social das pessoas com deficiência depende da valorização da pluralidade.  

— Quando derrubamos as barreiras do preconceito e do espaço, edificamos uma sociedade onde cada corpo tem o direito sagrado ao protagonismo e ao pertencimento — disse, em participação remota.

Avaliação biopsicossocial

Damares e Paim afirmaram que a avaliação biopsicossocial prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência ainda não foi regulamentada na forma unificada defendida pelos participantes da sessão. O Estatuto da PCD, fruto de um projeto apresentado por Paim, estabelece que, quando necessária, a avaliação deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando impedimentos nas funções e estruturas do corpo, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações no desempenho de atividades e restrições de participação.

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A representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Tereza Cristina Rodrigues Villela, afirmou que o documento deverá auxiliar o cadastro-inclusão, destinado a reunir informações sobre pessoas com deficiência que necessitam de assistência governamental. Segundo relatório de 2023 do governo federal citado na sessão, um formulário unificado também poderá facilitar o acesso aos benefícios sociais.

Entre os direitos destinados às pessoas com deficiência estão reserva de vagas em concursos públicos e em empresas com mais de 100 empregados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda que atendam aos requisitos legais e benefícios tributários previstos em lei.

Escolas comuns

A presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, defendeu que crianças com deficiência sejam educadas em escolas comuns, e não exclusivamente em escolas especiais. Segundo ela, a convivência com pessoas sem deficiência contribui para a inclusão da criança na sociedade e no mercado de trabalho.

— Quando uma escola diz “esse aluno com deficiência não consegue participar da escola comum”, precisamos perguntar: o que a escola está fazendo para remover as barreiras que impedem essa participação? É na escola comum que as PCDs têm oportunidade de conviver com a diversidade e desenvolver processos psicológicos.

Cleunice pediu a aprovação do PL 401/2019, que estabelece que a pessoa com deficiência seja considerada idosa a partir dos 50 anos, com possibilidade de redução dessa idade mediante avaliação biopsicossocial multidisciplinar. A proposta está pronta para deliberação do Plenário do Senado. Segundo dados analisados pelo Instituto Rodrigo Mendes a partir de informações do Inep, 46,8% das crianças com deficiência estudavam em classes comuns em 2007. Em 2023, o percentual chegou a 92,6%.

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Participação social

Celebrado anualmente em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei 11.133, de 2005. Na sessão, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alex Reinecke, afirmou que a mobilização das pessoas com deficiência contribuiu, após a redemocratização, para a participação desse grupo na elaboração de políticas públicas.

— Introduziram, a partir de suas experiências e conhecimentos, novas maneiras de compreender a deficiência e a autonomia. As PCDs não são apenas destinatárias de ações estatais, são cidadãs, lideranças, trabalhadoras e produtoras de conhecimento.

Reinecke citou dados do IBGE para apontar diferenças entre pessoas com e sem deficiência no mercado de trabalho e na educação. Segundo os dados mencionados na sessão, em 2022, 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam empregadas, ante 55,8% das pessoas sem deficiência. Entre as pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre as pessoas com deficiência e de 1% entre as pessoas sem deficiência.

A sessão também contou com a participação da ex-secretária de Direitos das Pessoas com Deficiência Izabel Maior, da professora Érica Curado, da representante do Fórum Nacional das Pessoas com Deficiência Regina Atala, da coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Anita Cunha Monteiro, e da ex-deputada Rosinha da Adefal. Izabel Maior mencionou os senadores Paulo Paim, Mara Gabrilli (PSD-SP) e Flávio Arns (PSB-PR) ao falar sobre a atuação parlamentar relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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