Desnutrição, contaminação química e morte por sufocamento ou laceração do trato gastrointestinal, assim como por obstrução ou perfuração dos órgãos. Estas são apenas algumas das ameaças geradas por lixos variados a espécies marinhas em todo o planeta, e um estudo publicado pela revista científica Frontiers in Marine Science nesta segunda-feira (2) revela que bebês de tartarugas que vivem nos oceanos Índico e Pacífico estão com a barriga cheia do material e correm riscos diários devido à ingestão de plástico.
De acordo com os pesquisadores, esse tipo de poluição representa uma armadilha evolutiva potencial à medida que os bichos “empreendem seu desenvolvimento no que são agora algumas das áreas mais poluídas dos oceanos globais.”
Tartaruga marinha nada debaixo d’água
Para chegarem às suas conclusões, os cientistas examinaram o conteúdo de estômagos, intestinos, cloacas e bexigas de espécimes perdidos ou capturados.
Do total, avaliaram 58 tartarugas-verdes, 21 tartarugas-comuns, 7 tartarugas-oliva, 7 tartarugas-de-pente e 28 tartarugas-marinhas-australianas. Então, classificaram os plásticos que encontraram de acordo com a cor e o tipo, assim como identificaram as fontes de seus polímeros.
Os resultados do levantamento são chocantes.
Somente uma das tartarugas-verdes, do oceano Índico, continha 343 pedaços do poluente, enquanto outra, do oceano Pacífico, 144. Elas lideraram o pódio dos animais analisados.
Por outro lado, os organismos de tartarugas-de-pente estavam livres do material – fato atribuído à pequena amostra de animais. Além disso, a probabilidade de ingestão varia muito de um lugar para o outro, dada a quantidade de lixo encontrada em cada região.
“Dos espécimes coletados no oceano Pacífico, as tartarugas-verdes tinham maior probabilidade de conter plásticos (83%), seguidas por tartarugas-comuns (86%), marinhas-australianas (80%) e oliva (29%). Entre os bichos do oceano Índico, as tartarugas-marinhas-australianas continham mais plásticos (28%), seguidas das tartarugas-comuns (21%) e das tartarugas-verdes (9%)”, diz a Frontiers in Marine Science em comunicado à imprensa.
O mais alarmante, entretanto, é o que o consumo de lixo representa às espécies. De 0% a 0,9% da massa corporal total de tartarugas-verdes do oceano Pacífico consistia em plástico – nas tartarugas-marinhas-australianas, a porcentagem pode chegar a 2% da massa dos animais.
Emily Duncan, líder do estudo e representante da Universidade de Exeter (Inglaterra), destaca: “O plástico nas tartarugas do Pacífico era composto principalmente de fragmentos duros, que poderiam vir de uma vasta gama de produtos usados por humanos, enquanto os do oceano Índico eram principalmente fibras – possivelmente de cordas ou redes de pesca.”
Dividida na forma macro (com mais de 1 mm) e micro (com menos de 1 mm), tal poluição responde por 80% de todos os detritos encontrados no ambiente aquático. Desde baleias azuis a pequenas cracas, que grudam em diversas superfícies, interagem com ela, tendo sido documentadas ao menos 700 classes de animais afetadas pela sujeira produzida exclusivamente por humanos.
Uma armadilha evolucionária se trata da transformação de uma característica, antes benéfica a determinada espécie, em algo que causa efeitos negativos à sua sobrevivência e reprodução. Neste caso, ambientes que forneciam as condições ideais para a expansão de populações se tornaram lugares danosos devido ao plástico que contêm.
Duncan afirma que, mais do que nunca, é necessário prevenir a disseminação do material. Ademais, a pesquisadora salienta que não há como determinar de onde vêm os polímeros, uma vez que são amplamente utilizados por diversas indústrias. De todo modo, a ação deve ser terrestre.
“A próxima etapa de nossa pesquisa é descobrir se e como a ingestão de plástico afeta a saúde e a sobrevivência dessas tartarugas. Isso exigirá estreita colaboração com pesquisadores e veterinários em todo o mundo”, finaliza a cientista.
Uma pesquisa revelou que mais da metade da extração madeireira não autorizada em Roraima está localizada em áreas de assentamento rural. Os dados foram divulgados pela Rede Simex, integrada pelas instituições ambientais Imazon, Idesam, Imaflora e ICV.
O levantamento, que analisou o período de agosto de 2020 a julho de 2021, mostrou que 1.258 hectares de floresta tiveram exploração de madeira no estado. Desse total, 761 hectares (60%) foram explorados de forma autorizada pelos órgãos ambientais, enquanto a extração ilegal afetou 497 hectares (40%). Além disso, mais da metade dessa atividade não autorizada ocorreu dentro de assentamentos: 290 hectares (58%).
O mapeamento da exploração madeireira em Roraima foi baseado em imagens de satélite, que foram cruzadas com dados públicos das autorizações para a atividade emitidas pelos órgãos ambientais. Segundo pesquisadores do Idesam, responsáveis pelo estudo, essa extração em assentamentos rurais é comum no país.
“Estudos recentes sobre assentamentos mostram que os moradores desses territórios convivem com a falta de acesso a serviços básicos, dificuldade de obtenção de crédito rural e pouca oferta de assistência técnica, o que dificulta o seu desenvolvimento sustentável. É preciso investir em projetos que incentivem o manejo florestal nos assentamentos”, afirmam.
Os pesquisadores ressaltam ainda que a extração ilegal de madeira traz consequências socioambientais negativas, como a perda de serviços ecossistêmicos e da biodiversidade, com a degradação florestal. Além disso, também pode estar relacionada com crimes como evasão de divisas.
Segunda maior parte da exploração ilegal ocorreu em propriedades privadas
De acordo com a pesquisa, a segunda maior parte da exploração ilegal de madeira em Roraima ocorreu em imóveis rurais privados (39,8%), seguida de vazios cartográficos (1,3%) e de terras não destinadas (0,6%). Os municípios de Rorainopólis, Caracaraí e São Luiz são os campeões da atividade ilegal, sendo Rorainopólis responsável por 54% de toda a extração não autorizada de madeira no estado.
Os assentamentos mais explorados de forma ilegal foram o Projeto de Assentamento Dirigido (PAD) Anauá, com 275 hectares explorados, e o Projeto de Assentamento (PA) Ladeirão, com 15 hectares atingidos pela atividade.
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