Agronegócio

Caravana Embrapa FertBrasil: diagnóstico é fundamental para a tomada de decisões, defendem especialistas

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“Precisamos conhecer nossas áreas, se nosso solo está corrigido, se o pH está adequado nas diferentes profundidades. A análise de solo e a correção, se necessária, são fundamentais. Verificar se o solo está compactado, o quê dificulta a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes. Analisar também a existência de palhada ou de plantas de cobertura e revisar o maquinário e implementos, pois não podemos errar no básico. Uma regulagem bem feita, com velocidade adequada e tudo muito bem aferido, são processos necessários para que tenhamos uma melhor uniformidade da lavoura e uma melhor produção”. Com essas palavras, o engenheiro agrônomo e produtor rural Aurélio Lopes Filho destacou as ações necessárias que devem ser seguidas pelos agricultores e enfatizou a importância da chegada da Caravana Embrapa FertBrasil a Minas Gerais.

O evento, realizado na última quarta-feira, 08, na Embrapa Milho e Sorgo, localizada em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, atraiu mais de 130 participantes em busca de conhecimento técnico e alternativas que possam driblar o contexto de carência e alta volatilidade nos preços dos fertilizantes, tendo em vista a conjuntura internacional. Segundo o produtor Aurélio Filho, para a decisão de plantio em anos de custo elevado de produção, principalmente dos fertilizantes, a primeira coisa que vem à cabeça é a redução da adubação. Daí, a importância da análise do solo, que irá balizar as decisões. “Precisamos ter a certeza de que os nutrientes consigam suprir as necessidades da lavoura e que tenhamos rendimento satisfatório em produção e lucratividade”, disse.

O produtor elencou possíveis soluções que, segundo ele, podem ser revertidas em rendimento satisfatório em produção e lucratividade. “Precisamos encontrar alternativas economicamente viáveis para incremento na fertilidade de nossos solos, como os organominerais, adubos de eficiência aumentada, os biológicos que ajudam na melhor absorção dos nutrientes, inoculantes que ajudam na liberação de nutrientes não disponibilizados. Com todas essas soluções, aliadas às adubações convencionais, possivelmente chegaremos a boas produtividades”, afirmou. Por fim, ele alertou que a atenção terá que ser redobrada no manejo e eficiência da safra 2022/2023, “onde todos os envolvidos na agricultura terão que ser extremamente eficientes”. “As decisões serão feitas em função da parte técnica, juntamente com a financeira, para que a atividade seja viável economicamente. O ciclo só se fecha com dinheiro no bolso do produtor rural”, resumiu.

Abaixo, conheça uma síntese dos conteúdos apresentados pelos pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo e os principais depoimentos dos atores envolvidos na iniciativa.

Mercado internacional

O gerente de Agronegócios do Sistema Faemg Caio Coimbra apresentou os principais desafios no contexto de importação de fertilizantes pelo Brasil: 76% do nitrogênio, 55% do fósforo e 94% do potássio vêm de fora, segundo dados da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, do Governo Federal. China, Rússia e Estados Unidos são os principais produtores de nitrogênio; o fósforo vem da China, Estados Unidos e Marrocos, nessa ordem; e o potássio tem como principais produtores o Canadá, a Rússia e a Bielorússia. No Brasil, entre os maiores gargalos, estão as dificuldades relacionadas à logística de transporte, com os altos custos dos combustíveis – o Porto de Paranaguá, no Paraná, é a principal porta de entrada para o mercado internacional. “São mais de mil quilômetros até a região Central mineira”, ressaltou.

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Tecnologias para aumento da eficiência dos fertilizantes no Brasil

Nesta fase inicial, o foco da Caravana Embrapa FertBrasil é a atuação nos principais polos produtores de grãos do País. Segundo o pesquisador Derli Prudente Santana, “serão estabelecidos diálogos permanentes da Pesquisa com o agronegócio no Brasil, customizando as soluções tecnológicas para cada polo agrícola”. “Devemos conhecer o solo em que pisamos”, disse, fazendo uma analogia à importância de informações obtidas a partir da análise de solos para a tomada acertada de decisões pelo produtor rural.

Boas práticas para o uso eficiente de fertilizantes

Os alicerces da fertilidade do solo estão nos seguintes elementos: cálcio, fósforo e matéria orgânica. Segundo o pesquisador Álvaro Vilela de Resende, o desafio imposto pela atual conjuntura é manter a adubação de manutenção, a partir de conhecimento e monitoramento. “Devemos abastecer o sistema, considerando-o como um todo, sem déficits ou excessos. A partir do diagnóstico bem feito – análise de solo – teremos informações sobre o balanço de nutrientes, o que irá impactar nas decisões de manejo. Dessa forma, o produtor poderá adubar compensando o balanço de cultivos anteriores. Se o saldo for positivo, poderá adubar a menos. Se for negativo, terá que adubar a mais. O objetivo final é balanço neutro e perda zero”, explicou Resende.

Tecnologias de manejo para a sustentabilidade agrícola: por que usar?

Para o pesquisador Emerson Borghi, a adoção das tecnologias de manejo não visa apenas à produtividade da cultura principal, mas à construção de um bom ambiente de produção para os cultivos, resultando, inclusive, em menor necessidade de adição de nutrientes em médio e em longo prazos. “Quer ter mais acesso aos nutrientes? Explore melhor o solo”, provocou Borghi. Segundo ele, os sistemas consorciados devem ser encarados como investimento, como possibilidade concreta de aumento de rentabilidade neste cenário. “Proteger o solo com cobertura permanente – evitando perdas de água e nutrientes – é dica valiosa para aumentar as chances na safra. Outra ação fundamental é adubar o sistema e não somente a cultura principal, a partir de um diagnóstico bem feito”, reforçou.

Novos fertilizantes e insumos: novas tecnologias para suprimento eficiente de nutrientes às plantas

A pesquisadora Christiane Paiva, responsável pela pesquisa que culminou no lançamento do BiomaPhos no mercado, após reforçar a importância da correção do solo, apresentou novas opções de fertilizantes, como os de eficiência aumentada, e os que incorporam tecnologias avançadas, como  “coating” e os fertilizantes compósitos. Ela abordou também a interação dos fertilizantes com agentes biológicos e os fertilizantes organominerais e os orgânicos, além dos remineralizadores. “A combinação de insumos adequados e boas práticas, com respaldo técnico e científico, é que leva ao sucesso e maximiza a eficiência de uso dos nutrientes”, destacou. A pesquisadora ainda apresentou o Portfólio Embrapa de Bioinsumos, soluções biológicas para aumento da eficiência do uso de nutrientes.

Soluções digitais: a precisão no como, onde e quando

A automação e a agricultura digital e de precisão foram tema da palestra do pesquisador João Herbert Moreira Viana. Aspectos como os principais segmentos de aplicação – automação e robotização nas intervenções da lavoura e apoio à gestão das variações dos fatores de produção – e soluções tecnológicas como refinamento para quem já adota a tecnologia no campo podem otimizar as escalas de monitoramento e manejo, na visão do pesquisador. “Para maior precisão no como, onde e quando, as soluções digitais devem ser dimensionadas segundo as variações espaciais e temporais da lavoura”, resumiu.

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Depoimentos

“A Caravana é um movimento inteligente e criativo que deve fornecer impactos de grande relevância. Devemos, a partir de uma agricultura pautada em ciência, elevar o nível do conhecimento e produzir um efeito diferenciado no cenário nacional”.

Frederico Ozanan Machado Durães Durães
Chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo

“Temos que pensar adiante, no futuro. Temos um desafio enorme em mãos e a Caravana é uma ação estratégica em todo o Brasil, também com o Plano Nacional de Fertilizantes, e em Minas Gerais, com seis eventos que tiveram início na Embrapa Milho e Sorgo”.

Feliciano Nogueira de Oliveira
Seapa (Secretaria de Estado de Minas Gerais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento)

“Estamos no momento de virar a página. Gostaria de dizer que a Emater-MG tem consciência da necessidade premente do tema e que estamos no dia a dia do produtor rural. Estaremos presentes em todas as etapas da Caravana”.

Milton Nunes
Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais)

“Com essa iniciativa, devemos integrar as instituições para transmitirmos informações estratégicas e novas alternativas no uso de fertilizantes ao produtor rural”.

Caio Coimbra
Sistema Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais)

“A iniciativa da Caravana trará respostas muito importantes para o produtor rural. Nesse contexto de crise de fertilizantes, a iniciativa é estratégica”.

Roberto de Paula
Grupo Simbiose Agro – Bioma

Etapas futuras

Em junho e julho de 2022, mais cinco caravanas passarão por cidades mineiras: no dia 8 de junho, foi a vez de Sete Lagoas, na Embrapa Milho e Sorgo; no dia 28, Unaí; no dia 30, Patos de Minas; Passos, no dia 6 de julho; Uberaba, no dia 7 de julho; e no dia 17 de agosto, na Semana do Fazendeiro na Universidade Federal de Viçosa.

Realização e apoio

A Caravana Embrapa FertBrasil é realizada pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Embrapa e da Rede FertBrasil, com o patrocínio da Bayer, da Bioma e da Rede ILPF, e com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), além dos parceiros locais. A caravana levará informações e conhecimento a técnicos, cooperativas, associações, sindicatos, consultores e produtores rurais.

Em Minas Gerais, o evento conta com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) e das empresas vinculadas, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG) e Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), além da Associação dos Produtores de Soja, Milho, Sorgo e Outros Grãos Agrícolas do Estado de Minas Gerais (Aprosoja-MG), da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), da Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR) e do Sistema Faemg (Faemg, Senar, INAES e Sindicatos).

Mais informações sobre a caravana no link: www.embrapa.br/caravana

Fonte: Embrapa

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Agronegócio

El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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