Agronegócio

Viçosa, na Zona da Mata mineira, encerra Caravana Embrapa no estado

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Iniciativa leva conhecimento sobre fertilizantes aos principais polos agrícolas de Minas

Após seis polos agrícolas visitados em Minas Gerais, a Caravana Embrapa reuniu cerca de 200 pessoas na Universidade Federal de Viçosa na última quarta-feira, 17 de agosto, dentro da programação da 92ª Semana do Fazendeiro, um dos maiores eventos de extensão rural da instituição de ensino. Soluções tecnológicas com foco no aumento da eficiência de uso de fertilizantes foram apresentadas por pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo e da Embrapa Gado de Leite, tendo como pano de fundo o perfil tecnológico dos produtores da Zona da Mata de Minas Gerais.

O coordenador técnico regional da Emater-MG Deonir Luiz Dallpai apresentou aspectos da produção agropecuária, os desafios e as oportunidades de desenvolvimento para a região, que concentra, entre as principais atividades agropecuárias, a produção de leite e a criação de bovinos, suínos, aves e peixes, e lavouras de café, cana-de-açúcar, milho, feijão, frutas e hortaliças. Tendo em sua maioria a predominância de pequenas propriedades, de até 50 hectares, um dos principais desafios, na visão de Dallpai, é a melhoria da fertilidade dos solos.

“O alto custo dos fertilizantes, a adoção de insumos modernos e de tecnologias de utilização, a capacitação da mão de obra existente para operar máquinas e o uso de organismos biológicos, em um cenário de elevação da faixa etária da população do meio rural, são os principais desafios para aumentar a produção de grãos”, enumerou o coordenador regional. Segundo ele, por outro lado, a região apresenta atrativos interessantes, como as facilidades de logística e escoamento da produção agrícola; a existência de um grande mercado consumidor de alimentos; e o elevado volume de instituições e de recursos voltados ao crédito rural.

O chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo Frederico Durães reiterou os diferenciais que Minas Gerais tem em relação à temática de fertilizantes. “A Caravana Embrapa não é só para hoje. Temos que compreender que a iniciativa é um movimento criativo, em que as principais regiões produtoras brasileiras já acumularam vasto conhecimento. Hoje, precisamos de eficiência mais do que nunca, precisamos fazer com qualidade e com sustentabilidade nessa nova conjuntura”, disse. “Uma crise é uma oportunidade para a gente crescer, para sermos mais eficientes, para tornarmos o agro mais competitivo”, reforçou o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Carlos Augusto de Miranda Gomide.

Após a abertura do evento, com a presença do pró-reitor de Extensão e Cultura da UFV, José Ambrósio Ferreira Neto, o coordenador da Caravana Embrapa em Viçosa-MG, Derli Prudente Santana, apresentou os objetivos do evento, os principais polos agrícolas que já foram visitados e que ainda receberão a iniciativa no restante do País. O foco é o aumento da eficiência no uso de fertilizantes e de insumos para a nutrição de plantas, visando incremento de produtividade e uma economia potencial de até 20% na safra 2022/2023. Abaixo, leia um resumo dos conteúdos técnicos apresentados pelos pesquisadores.

Palestra 1

Planejando onde e quando plantar – Conhecendo o solo para melhor utilizar e manejar

Pesquisador Manoel Ricardo de Albuquerque Filho (Embrapa Milho e Sorgo)

“A melhor estratégia em busca de uma lavoura produtiva tem início com o diagnóstico dos solos”, segundo o pesquisador. Para Manoel Ricardo, conhecendo o ambiente de produção, conhecem-se também as garantias e deficiências das terras. “É possível obter a capacidade produtiva das terras para manejar ou contornar os fatores de risco visando à aplicação de boas práticas: quanto, como e que tipo de fertilizantes e corretivos disponíveis”.

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Onde encontrar informações

Tipos de solos do Brasil

www.embrapa.br/tema-solos-brasileiros/solos-do-brasil.pdf

Distribuição espacial de solos – mapeamento de classes de solo e atributos

http://geoinfo.cnps.embrapa.br/

geoportal.cprm.gov.br/pronasolos

Palestra 2

Boas práticas para o uso eficiente de fertilizantes e insumos para a nutrição de plantas

Pesquisadora Flávia Cristina dos Santos (Embrapa Milho e Sorgo)

Segundo a pesquisadora, o produtor deve estar atento e realizar as seguintes ações:

– Diagnóstico da lavoura e do sistema de produção.

– Seleção de boas práticas conforme diagnóstico.

– Manejo 4C (dose, fonte, local e época certos) para eficiência no fornecimento de nutrientes.

– Conceitos de nível crítico de nutriente e status de fertilidade construída.

– Adubações de manutenção e de restituição.

– Balanço de nutrientes e adubação reduzida.

“Se tivermos um manejo mais apurado, conhecemos nosso solo mais a fundo e sabemos se temos que ‘adubar a mais’ ou ‘a menos’. O objetivo é balanço neutro e perda zero”, destacou Flávia Santos.

Palestra 3

Tecnologias de manejo para a sustentabilidade agrícola: por que usar?

Pesquisador Emerson Borghi (Embrapa Milho e Sorgo)

De acordo com Borghi, a adoção das tecnologias de manejo não visa apenas ao aumento de produtividade da cultura principal, mas também tem foco na construção e/ou na manutenção de um bom ambiente de produção para os cultivos, com maior equilíbrio e resiliência, resultando, inclusive, em uma menor necessidade de adição de nutrientes em médio e longo prazo. Segundo ele, veja como aumentar a rentabilidade neste cenário de escassez de fertilizantes:

1) Rotação de culturas é investimento.

2) Safrinha de palha e raízes para aumentar as chances na safra.

3) Adubar o sistema e não somente a cultura principal.

“O produtor precisa explorar o solo de forma racional, para garantir maior acesso das culturas aos nutrientes; proteger também o solo com cobertura permanente, perdendo menos água e nutrientes; e fazer a rotação de culturas, aumentando a rentabilidade”, enfatizou.

Palestra 4

Soluções digitais: precisão no onde, quando e como

Pesquisador João Herbert Moreira Viana (Embrapa Milho e Sorgo)

Para o pesquisador, as soluções digitais devem ser personalizadas segundo as variações espaciais e temporais da lavoura. “O produtor deve ter em mente que a tecnologia, quando bem utilizada, a partir de um dado preciso, fornece a informação certa e garante a decisão oportuna”, reforça Viana. Aspectos como os principais segmentos de aplicação – automação e robotização nas intervenções da lavoura e apoio à gestão das variações dos fatores de produção – e soluções tecnológicas, como refinamento para quem já adota a tecnologia no campo, podem otimizar as escalas de monitoramento e manejo, na visão do pesquisador.

Palestra 5

Novos fertilizantes e insumos: novas tecnologias para suprimento eficiente de nutrientes às plantas

Pesquisadora Christiane Abreu de Oliveira Paiva (Embrapa Milho e Sorgo) e pesquisador Marcelo Henrique Otênio (Embrapa Gado de Leite)

O desenvolvimento e a validação de novas fontes de nutrientes e fertilizantes, utilizando matérias-primas disponíveis no País, podem, na visão da pesquisadora, representar uma grande contribuição ao setor. Christiane Paiva, responsável pela pesquisa que culminou no lançamento do BiomaPhos no mercado, apresentou o Portfólio Embrapa de Bioinsumos, soluções biológicas para aumento da eficiência do uso de nutrientes. “Apenas com o conhecimento de cada tecnologia de fertilizantes ou insumos será possível a tomada de decisão do porque e quando usá-lo. Não há uma solução única e salvadora, mas sim um conjunto de práticas a serem adotadas, visando a maior eficiência no uso de nutrientes”, destacou.

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Já o pesquisador Marcelo Henrique Otênio, da Embrapa Gado de Leite, apresentou as vantagens da biodigestão anaeróbia no manejo de dejetos na agropecuária. Segundo ele, com a tecnologia, pode-se converter uma grande quantidade de resíduos em subprodutos úteis. “A biodigestão anaeróbia promove a geração do biogás, permite a reciclagem do efluente e a redução do potencial poluidor e dos riscos sanitários dos dejetos, além de ser uma alternativa para o tratamento de resíduos”, enumerou.

Balanço da Caravana em Minas

Após a realização de seis edições da Caravana Embrapa em Minas Gerais em importantes polos produtivos, o supervisor da área de Transferência de Tecnologia e Comunicação da Embrapa Milho e Sorgo Fredson Ferreira Chaves avalia com sucesso a iniciativa no estado. “Contabilizamos mais de 900 participantes, com a parceria de entidades que são referência para otimizar a produção agrícola em Minas. Tecnologias para o aumento da eficiência no uso de fertilizantes e de insumos para a nutrição de plantas foram disponibilizadas. Precisamos, junto com os parceiros, dar continuidade a esse movimento criativo, priorizando a eficiência e a melhoria das atividades do produtor rural”, disse o agrônomo. Abaixo, veja o número de participantes em cada polo agrícola onde a Caravana Embrapa foi realizada em Minas Gerais.

Caravana Embrapa em Minas Gerais

Local

Data

Participantes

Viçosa

Biblioteca Central da UFV

17/08/2022

200

Uberaba

Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ)

07/07/2022

128

Passos

Sindicato dos Produtores Rurais de Passos

06/07/2022

261

Patos de Minas

Sindicato dos Produtores Rurais de Patos de Minas

30/06/2022

132

Unaí

Câmara Municipal de Unaí    

28/06/2022

60

Sete Lagoas

Embrapa Milho e Sorgo

08/06/2022

131

 

Números:

Público presente: 912 pessoas

Polos agrícolas visitados: 6

Realização e apoio

A Caravana é coordenada pela Embrapa e pela Rede FertBrasil. Conta com o patrocínio diamante da Bayer – Climate Field View, da Bioma e da Rede ILPF; com o patrocínio bronze da Arko Fertilizantes, da FertiSystem e da Polli Fertilizantes; e com o apoio do Banco do Brasil, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias Primas para Fertilizantes (Simprifert) e do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), além dos parceiros locais.

Em Minas Gerais, o evento teve a parceria de instituições públicas e privadas. Entre elas, Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Emater-MG, Epamig, Sistema Faemg (Faemg, Senar, INAES e Sindicatos), Associação dos Produtores de Soja, Milho, Sorgo e Outros Grãos Agrícolas do Estado de Minas Gerais (Aprosoja-MG) e Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa). Em Viçosa, também foram parceiros a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

Acompanhe mais edições da caravana em todo o País e o conteúdo das palestras no link: www.embrapa.br/caravana .

Fonte: Embrapa

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El Niño: dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia para planejamento no setor da pesca e aquicultura

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O boletim de monitoramento do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, sigla em inglês) também é uma das formas de preparação dos gestores de municípios em relação aos impactos do El Niño no setor pesqueiro e aquícola. O responsável pelo monitoramento é o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforça que gestores e trabalhadores do setor também observem as análises. 

Segundo dados divulgados pelo MCTI, a precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21 mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento, foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

O que é precipitação? 

Considera-se precipitação todas as formas de água, líquida ou sólida, que caem das nuvens alcançando o solo: garoa, garoa gelada, chuva fria, granizo, cristais de gelo, bolas de gelo, chuva, neve, bolas de neve e partículas de neve. Seu volume é expresso geralmente em polegadas, referindo-se ao estado da água – se líquida ou sólida – que cai sobre uma determinada região e por um determinado período de tempo.

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Indicadores 

 

Entre os indicadores para acompanhamento estão: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Estes dados são fundamentais para entender os efeitos do El Niño na região.

 

A torre possui 325 metros de altura e está situada a cerca de 150 km de Manaus (AM), na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A influência do efeito climático na Amazônia, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em outros momentos, como 2015-2016 e 2023-2024.

 

Acesse aqui as orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), visando à preparação dos municípios em relação aos impactos do El Niño no setor.

Ana Célia Costa

Ministério da Pesca e Aquicultura

[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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